Videogames chegam ao MoMA

Are video games art?

É assim que inicia o texto relativo ao  sobre a adição de games ao acervo. Inicialmente, 14 títulos foram incorporados à coleção do museu, que abre as portas para esta exibição específica em março do ano próximo. A lista contém mais 26 jogos, somando um total de 40 obras de design interativo, selecionadas de acordo com parâmetros como relevância cultural/histórica, expressão estética, aproximações da tecnologia ao comportamento humano através do código, entre outros.

Estamos assentados em reticências quanto ao futuro dos jogos eletrônicos. Tamanha indefinição do porvir se deve, em partes, às possibilidades mais diversas de expressão através da interação homem-tela. Compreender os games em perspectiva artística e organizá-los em um local com o MoMA é, indubitavelmente, certificar estes meios enquanto peças fundamentais na cultura contemporânea. Certamente, um convite a refletir sobre tais mídias em diálogo com o campo da filosofia e da estética. Por exemplo, que dizer – como ler? – de Passage?

E sobre a sensação conceituada sob a alcunha de imersão? Os questionamentos sobre estar inserido em “uma realidade estranha” datam dos antigos – e incrivelmente atuais, em outro sentido – gregos e carrielynnkresta parecem ainda requerer olhares atentos às suas potencialidades. Disponibilizar obras provenientes dos liminal objects (no caso dos computadores, como J. Murray aponta) para fruição é afirmar que a imagem de um vistante de museu que passeia pelos corredores da exibição com a mão no queixo já é qualquer coisa de démodé. A exigência do corpo que o game requer, já foi dito, apresenta não somente uma nova forma de ler esses cibertextos. Neste sentido, a questão que paira continuamente está relacionada com os reflexos cognitivos/neurológicos da adaptação a tais meios.

Talvez as gerações futuras sejam tocadas pela aura envolta no ato de experimentar Chronno Trigger com joysticks de Super NES, por exemplo, e revisitem um tempo onde era necessário, para estar na tela, a utilização de aparatos externos ao próprio corpo: tela e controladores.

Felippe Thomaz

Felippe Thomaz é mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, onde examinou, na ocasião, o processo de construção identitária do jogador em MMORPGs, através de avatares. Doutor pelo mesmo programa, seu objetivo mira agora a compreensão da influência exercida pelos variados dispositivos de controle sobre a experiência de jogos eletrônicos. Examinando o uso de joysticks, teclado e mouse, interfaces touchscreen e sensores de movimento, a questão que baseia a pesquisa, simplificadamente, é: de que maneira as formas de controle influenciam a própria experiência do jogar um game?

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2 comments to “Videogames chegam ao MoMA”
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