URBE traz seção especial sobre tecnologias móveis e relações sociais

Encontra-se disponível a mais recente edição da revista Urbe – Revista Brasileira de Gestão Urbana, da PUCPR. O número está especialmente centrado no conceito de Habitele, do pesquisador Dominique Boullier, professor de Sociologia na SciencePo, em Paris.

A ideia de Habitele, como descrito pelo próprio autor, é um neologismo nascido das palavras habit e habitat que busca dar conta das mudanças antropológicas pelas quais estamos passando em relação ao uso de dispositivos móveis, como o telefone celular. Nesse sentido, ajuda-nos a entender criticamente as manifestações de serviços e mídias locativas no contexto geral das cidades.

No artigo que abre a seção temática, Bouiller chama a atenção de que atualmente temos, no mundo todo, cerca de 4,5 bilhões de usuários únicos de telefonia móvel, configurando uma espécie de novo estatuto de “seres conectados” permanentemente. Das relações que os indivíduos estabelecem com seus espaços de ocupação – dentre habitação, trabalho, lazer etc. – bem como com seus pares, é necessário lançar atenção aos modos de sociabilidade e coordenação social. Em seus dizeres, toda essa conectividade “transforma nosso modo de interagir na vida cotidiana (…) mas também oferece novas oportunidades de realizar trocas entre mundos sociais aos quais estamos afiliados”. Esse ponto é crucial para os interesses do GITS.

Para Bouiller, o telefone celular e suas capacidades de smart phone trouxeram mudanças paras várias práticas rotineiras, provocando “extensões” dos mundos sociais de uma pessoa, os quais já não mais estão direta e fisicamente ligados a ela. Das redes sociais às quais alguém está conectado às suas identificações em lojas diversas e sites de notícias, os dados em movimento que estão aí envolvidos também estão na esfera de implicações abarcada pelo conceito de Habitele.

Mais diretamente relacionado aos interesses aqui compartilhados, a seção especial dessa edição da URBE também conta com artigos sobre comunidades visualizadas por meio de dados de telefonia móvel, de Paola Pucci, e um artigo de Polise De Marchi sobre formas de tomar as mídias locativas como modo de registro de experiências citadinas, configurando uma cartografia digital de São Paulo. Numa época em que cada vez mais levamos nossas realizações e elos pessoais para todos os lugares e esferas da vida, os artigos aqui citados são de grande valor para a compreensão do que (ainda) significa estar online, afinal.

Para ver o número atual, basta acessar aqui.

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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