Adeus, Orkut

O Orkut está dando adeus aos seus usuários, mesmo ainda sendo um dos sites mais acessados no Brasil, país responsável por 51,7% do total de acessos do site de rede social (SRS), de acordo com Alexa, site de análise da Internet, criado pela Amazon. Sim, você já deve ter lido essa notícia, visto que ela circulou bastante no mês de Julho, época em que o Google fez o anúncio de encerramento das atividades do site. Porém, com a proximidade do último suspiro (30 de setembro) resolvemos nos despedirmos desse SRS tão querido por todos.

O auge da era Orkut (2004-2009) foi importante para grande parte dos brasileiros, para muitos, o SRS foi a porta de entrada para a internet. Quem tem familiares mais velhos, deve se lembrar de algum caso envolvendo a compra de computadores motivada quase que exclusivamente para o acesso ao Orkut – nada mais importava. Para os não familiarizados com a internet e toda sua vastidão de possibilidades, era comum imputar a conexão automaticamente ao uso do Orkut. Uma amiga da família costumava se referir a mim e aos meus irmão como meninos “que não saiam do Orkut”, mesmo que no tempo em que ela nos observasse no computador estivéssemos realizando inúmeras outras atividades.

Observando em retrospecto pode até parecer exagero, mas o Orkut no Brasil ocupou fortemente o imaginário popular do que era e para o que servia a internet. As lanhouses floresceram no período e eram quase que monopolizadas por usuários concentrados em suas telas azuis. Enquanto muito se debatia as necessárias políticas de inclusão digital, o Orkut adiantou o processo e motivou um grande número de brasileiros a se conectar, a estabelecer vínculos de amizade, namoros, a participar de comunidades, a lidar com o fake, com o stalker e tantas outras práticas sociais ali presentes.

Claro que tudo isso já existia, afinal a internet não foi inventada nesse momento, mas a popularização do SRS, concomitantemente, com o barateamento da banda larga e da ampliação do acesso aos computadores fez com que um maior número de brasileiros pudesse participar desse processo. Em época do encerramento do serviço bate uma certa nostalgia, não pela perda de um perfil pessoal, já que o meu próprio foi desativado lá em 2009/2010, mas por uma sensação de perda da história coletiva que o Brasil construiu junto a esse SRS. Todo o conteúdo que ainda por “lá” permanece fala muito sobre a gente em um certo momento. Fala sobre nossos usos e nossas apropriações, fala sobre nossas demonstrações de afetos, nossos valores, moralidades e humor em rede.

Ainda que o Google tenha liberado os conteúdos das comunidades públicas para download,  grande parte desses dados e arquivos irão se perder. Mas enquanto não aprendemos a lidar melhor com o arquivamento, a preservação e a memória de conteúdos digitais parece que não tem muito o que ser feito. Só lamentar…Se por outro lado, para você o orkut “orkutizou” e já passou do tempo de partir, temos uma boa novidade: Essa semana foi lançada a Netropolitan, um SRS  para poucos.

Prometendo exclusividade, a rede cobra US$ 9 mil para que você crie um perfil nela (cerca de R$ 21 mil), e tem anuidade de US$ 3 mil (R$ 7 mil). A ideia apresentada pelos desenvolvedores é oferecer aos usuários um SRS na qual seja possível encontrar “pessoas que compartilham do seu estilo de vida e dos seus interesses”, mas tudo de maneira exclusiva. Se você tem mais de 21 anos, curiosidade e dinheiro, entra lá e conta pra gente. ;)

 

 

 

Lisi Barberino

É mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura e atualmente pesquisa linchamento virtual em sites de redes sociais.

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