Tese de doutorado tem como tema a exposição de si e a privacidade de adolescentes nos contextos digitais.

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Rodrigo Nejm e a banca examinadora

No dia 24/10/2016 aconteceu, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, a defesa de tese de doutorado de Rodrigo Nejm (pesquisador do GITS/UFBA). O trabalho intitulado “Exposição de si e gerenciamento da privacidade de adolescentes nos contextos digitais” foi orientado pelo professor Dr. José Carlos Ribeiro (UFBA) e avaliado pelos professores Dra. Gisela Castro (ESPM – SP),  Dr. Edvaldo Souza Couto (UFBA), Dr. Raimundo Gouveia (UFBA) e Dr. Antonio Marcos Chaves (UFBA).

À todos aqueles que se interessam pelos temas abordados, segue o resumo da tese que, em breve, estará disponível para consultas na Biblioteca Central da Universidade Federal da Bahia.

“O uso da Internet por adolescentes cresce gradativamente no Brasil. Neste cenário de uso de múltiplas mídias, as relações afetivas, de trabalho, os estudos e o lazer passam a ter dispositivos tecnológicos como mediadores em situações e contextos variados.

Considerando a singularidade das plataformas digitais como dispositivos complexos e híbridos que configuram práticas sociais ao mesmo tempo em que são configurados por elas, realizamos uma análise qualitativa sobre a exposição de si (self-disclosure) de adolescentes nos contextos digitais, atentando para as estratégias utilizadas para gerenciar a privacidade enquanto regulação dos acessos ao self nas interações mediadas.

Realizamos entrevistas individuais sobre as exposições nos aplicativos e redes sociais Facebook, Instagram, WhatsApp e Snapchat, e observamos publicações dos mesmos em seus perfis do Facebook e Instagram.

Reconhecendo os adolescentes como protagonistas de suas experiências, destacamos as regras e limites criados para gerenciar o fluxo das informações privadas nestas quatro plataformas.

Verificamos que compartilhar informações privadas nos contextos digitais não significa o abandono da preocupação com a privacidade, mas sim novos limites com regras definidas individual e coletivamente, negociadas para cada plataforma e grupo de alvos das exposições.

Apesar do uso diário, intenso e privativo pelos celulares, com uma grande quantidade de amigos no Facebook, seguidores no Instagram e contatos no WhatsApp e Snapchat, os relacionamentos interpessoais e as exposições ocorrem prioritariamente com as mesmas pessoas que conhecem de encontros em copresença física, uma proporção muito pequena das listas de contatos. Regular os conteúdos, as audiências e a própria copresença são formas de regular a privacidade enquanto regulação dos acessos ao self. Esta regulação mostrou-se associada às estratégias de apresentação de si, sendo o gerenciamento das impressões uma das formas mais explícitas de gerenciar o fluxo das informações em copropriedade com os pares sociais. A escolha de cada plataforma, a seleção dos conteúdos e dos alvos das exposições são ações realizadas com base em regras, expectativas e convenções sobre o que é considerado apropriado em cada situação social. Na tentativa de ampliar o controle sobre as situações, estas escolhas indicam estratégias criativas para descolapsar os contextos digitais e para lidar com a potencial sobreposição de audiências.

Concluímos que ao gerenciar os limites e regras das exposições voluntárias, os adolescentes buscam regular os graus de envolvimento e de acesso ao self em cada relacionamento mediado. Por sua vez, o mesmo gerenciamento não ocorre com relação aos rastros digitais e às informações privadas expostas e registradas involuntariamente nas plataformas. Este acúmulo de tantos aspectos do self e o processamento pelos algoritmos traz à tona novos desafios para a regulação da privacidade, exigindo também o gerenciamento dos limites de acesso ao que chamamos de meta-self.”

Karla Cerqueira

é mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atuou nos setores de criação da Agência Versa e da empresa DP&P Comunicação Visual. Tem interesse nos temas: Interações Sociais Online, Tecnologias Digitais, Performances e Imperativo da Felicidade. (Lattes)

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