Tempo e espaço navegando, todos os sentidos.

O varejo sempre foi um setor vivo. Muda conforme as transformações da economia, tecnologia, interesses comerciais e sociedade. Há pouco mais de dez anos, observamos as empresas invadirem a web com as suas lojas ponto.com. A perspectiva de poder ser encontrada por consumidores em qualquer lugar, 24 horas, 7 dias por semana fez brilhar os olhos de empresários ávidos por bons negócios. Com essa nova perspectiva, as portas do comércio nunca mais estariam fechadas! Atualmente, o envolvimento das pessoas com os Sites de Redes Sociais talvez esteja levando o varejo, ainda que gradativamente, a mais uma grande transformação.

A história da administração nos mostra que as grandes redes varejistas começaram a se formar interessadas em ampliar a sua freguesia. Uma loja era aberta em um bairro para atender a um determinado nicho populacional. Mais a diante, em outro bairro, era aberta mais uma loja. Depois, outra em uma nova área e mais outra e outra. A cadeia de lojas proporcionaria às empresas a formação de uma rede física que, a depender do porte evidentemente, poderia cobrir o território estadual e, em alguns casos, nacional. Aspectos geográficos e demográficos eram bem relevantes neste contexto.

Com o surgimento e o fortalecimento da internet, algumas grandes redes varejistas (e outras nem tão grandes) ingressaram no e-commerce, cujo ambiente operacional já foi definido (com base na teoria de Marc Augé) como “o não lugar”. Ora, se uma empresa costuma definir a sua estratégia de distribuição com base em informações territoriais, agora sem território apenas uma loja deve ser o suficiente para atender a todos, estou certa? Tendo a acreditar que apenas parcialmente. Tenho observado que, recentemente, algumas empresas que já atuam no e-commerce começam também a implementar  lojas dentro do Facebook. Ué?! Na web, para ir de uma loja a outra, as pessoas não precisam gastar tempo de deslocamento, nem dinheiro com transporte. Basta apenas digitar meia dúzia de letras e dar um clique. O que é que justifica a criação de uma segunda estrutura se o tempo e o espaço (a princípio) seriam considerados o mesmo? Talvez o próprio nome do serviço oferecido no Facebook nos dê uma pista: LikeStore.

Estudos vêm demonstrando que os usuários de Sites de Redes Sociais costumam passar boa parte do seu tempo diário conectados, seja por meio de dispositivos desktop ou móveis. Existem indicativos de que os varejistas estejam de olho nestas conexões em rede, na capacidade de compartilhamento de informações em tempo real, na publicização do consumo em velocidade geométrica. João Batista curtiu o notebook da Apple. Tatiana Pessoa comprou ingressos para o show de Gal Costa. José Fernando comprou uma TV Sony 46 polegadas. O nível máximo de exposição, conexões, compartilhamento de informações e o consequente estímulo ao consumo, coloca o varejo contemporâneo em outro patamar. O poder de influenciar os membros da sua rede, as possibilidades infinitas de ações que conferem status e valor simbólico (e que corroboram, concomitantemente, com o gerenciamento de impressão e preservação da fachada) aliados a possibilidade de “ouvir” e compreender mais facilmente desejos e necessidades dos seus clientes, talvez justifique o movimento das redes varejista estarem criando novas redes dentro das redes. Redundância proposital!

Visando atrair mais pessoas para as suas Fanpages e suas LikeStores, as marcas estão começando a promover esses novos endereços – URLs – de uma forma inusitada. Já é possível encontrar nos supermercados produtos com rótulos que convidam consumidores a conhecerem e curtirem as suas páginas no Facebook. A marca americana de Catchup e molhos industrializados Heinz talvez tenha sido a precursora do movimento. No Brasil, a marca de farináceos Panco fez o mesmo aproveitando sua embalagem para divulgar o Facebook e também o seu Twitter.

Dentro de um cenário em transformação, parece ter sido boa a ideia que estes atores organizacionais encontraram para adicionar seguidores dos seus interesses, novos e velhos. Nada mais lógico que utilizar a própria embalagem para divulgar os seus inovadores canais. Afinal, quem já curte um produto mastigável, rs!, pode mais facilmente curtir uma página na internet!  No denominado Social Business ter e manter uma rede forte e altamente conectada parece ser um grande diferencial competitivo.

 

 

Maria Alessandra Calheira

Maria Alessandra Calheira é mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas, na linha de Cibercultura, pela UFBA; Especialista em Marketing pela ESPM e Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UCSal. Atua como Coordenadora do Centro de Carreiras do Centro Universitário Jorge Amado. Faz parte do corpo docente dos cursos de graduação e pós-graduação desta mesma instituição onde leciona disciplinas voltadas a comunicação, criação, marketing e planejamento de carreira. Atuou 12 anos como Redatora Publicitária quando foi laureada com um Leão no Festival Internacional de Cannes, com uma medalha de prata no Clube de Criação de São Paulo, Top de Marketing da ADVB, entre outros. A sua Pesquisa tem tema Capital Social e os Aspectos Comunicacionais entre Organizações e Pessoas na ferramenta Twitter.

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