Superexposição na rede pode prejudicar a formação de crianças

Atualmente, tem se tornado cada vez mais frequente a exposição de imagens de crianças através de redes sociais e diversas outras ferramentas on-line utilizadas pelos pais. A criação de perfis para crianças como forma de conseguir mais popularidade e seguidores na Internet, tem se tornado uma prática cotidiana por famílias em todo mundo. Pode-se ter como exemplo, o caso da garotinha Chloe, que se tornou um fenômeno na rede após a publicação de um vídeo realizado por sua mãe.

De acordo com informações da Folha de São Paulo, um estudo realizado em dez países, incluindo o Brasil, aponta que 80% dos pais de crianças de até 2 anos já publicaram pelo menos uma foto dos filhos na rede. Outra pesquisa realizada no Reino Unido, demonstra que essa exposição tem começado cada vez mais cedo, sendo cerca de 57,9% de bebês que tem suas fotos compartilhadas uma hora após o seu nascimento.

Para a psicóloga Belinda Mandelbaum, é fundamental que os pais ponderem o que é publicado na Internet, pois, “é possível [que a exposição excessiva cause] uma insuflação do narcisismo da criança – é como se tudo o que ela faz fosse digno de registro”. Apesar dos inúmeros benefícios que a Internet possibilita a crianças e adolescentes, é fundamental que os pais possam ter cuidados com a publicação de alguns conteúdos e de como os filhos podem ser orientados para utilizar estas tecnologias. Além desta preocupação, a especialista também aponta a necessidade de cuidados com a exposição de conteúdos que podem constranger a criança, já que o que era apenas compartilhado com familiares e amigos íntimos agora tem sido apresentado ao mundo todo em tempo real. Com isso, atentar-se para as configurações de privacidade dos serviços utilizados e compartilhar algo apenas com pessoas próximas, pode permitir que não haja violações dos direitos de seres em condição peculiar de desenvolvimento. Fica a reflexão.

 

Bianca Orrico

É psicóloga, graduada pela Universidade Salvador. Atua na Safernet Brasil em um canal gratuito que oferece orientação para esclarecer dúvidas, ensinar formas seguras de uso da Internet e também orientar crianças e adolescentes e/ou seus próximos que vivenciaram situações de violência on-line. Tem experiência em acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Realizou pesquisas sobre adolescentes, redes sociais e tribos urbanas.

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