Socialbots criam perfis fakes no Facebook

Que os perfis fakes habitam os sites de redes sociais, todos nós já sabemos. O que chama a atenção, no momento, é que os novos usuários que “ameaçam invadir” o Facebook, em especial, não são humanos, mas bots. Ou melhor, são os Socialbots. A reflexão acerca das possíveis interações entre chatbots – programas simuladores de conversação humana – já foi abordada em post anterior, neste blog. Mas, ao associarmos essa discussão à existência de bots-usuários-fakes, em sites de redes sociais, parece que a o assunto torna-se ainda mais instigante.

Com o objetivo de testar o sistema de segurança do Facebook, pesquisadores da University of British Columbia, em Vancouver, Canadá, desenvolveram um time de usuários fakes, capazes de compilar diversas informações daqueles que os aceitam como “amigos”. Aliás, quem nunca aceitou a solicitação de amizade de alguém que não conhece, efetivamente? Os Socialbots foram programados para manipular perfis e “interagir” com seus amigos, no Facebook, como qualquer outro usuário, sem nenhum tipo de intervenção humana. A intenção inicial dos pesquisadores era a de compilar dados considerados “privados” desses usuários: e-mails, endereços, telefones, dentre outros, provando, assim, que a sensação de segurança das informações particulares, nesses sites, também pode ser fake.

Em um primeiro momento, os 102 Socialbots (todos com nomes e fotos específicas) adicionaram, aleatoriamente, diversos perfis existentes no Facebook. O experimento demonstrou que 1 em cada 5 usuários aceita a solicitação de amizade de “desconhecidos”. O crescimento maior se deu quando os Socialbots passaram a adicionar “amigos de amigos”, fazendo com que os botsfakes obtivessem respostas positivas para 60% das suas solicitações, totalizando cerca de 3.000 amigos. Como resultado, o grupo canadense arrecadou 46.500 e-mails e 14.500 endereços físicos, através dos perfis dos usuários adicionados.

Para além da curiosidade, algumas reflexões retornam à cena, motivadas pelos novos habitantes do Facebook: a relação entre humanos e não humanos (Socialbots) pode ser considerada como uma interação? O que leva os usuários a aceitarem solicitações de “amizade” de desconhecidos? De que forma essas relações se estabelecem, qual a sua dinâmica e duração? Onde estão, de fato, os limites entre informações consideradas “públicas” e aquelas ditas “privadas” em sites de redes sociais? Fica aqui a nossa inquietação.

Fonte: Mail Online e NewScientist

George, um Socialbot:

 

Thais Miranda

Thais Miranda é doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas (POSCOM/UFBA), com estágio doutoral na Université René Descartes, Paris V, Sorbonne (2013/2014) . É mestre em Administração (2010) e possui graduação em Comunicação Social (1999). Dedica-se à pesquisa sobre pornografia digital amadora e interações em ambientes digitais.

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