Social Commerce. As redes estão nas redes.

Social CommerceÉ difícil afirmar com precisão quando as organizações ligadas ao comércio varejista começaram a investir em lojas que comercializavam produtos semelhantes, em endereços diferentes. Observa-se apenas que em pouco tempo, essas organizações passaram a publicizar a sua estratégia comercial multiplicadora, por meio de slogans semelhantes a “mais de 130 lojas em todo do Brasil!”. De forma geral, talvez vislumbrassem que o número de lojas pudesse ser proporcional ao seu poder e a sua capacidade de fazer negócios. Ter uma loja vendendo produtos iguais em condições semelhantes na AV Paulista e, ao mesmo tempo, em Tatuapé faz todo sentido. Uma organização presente em endereços diferentes, oportuniza a públicos heterogêneos adquirirem seus produtos sem a necessidade de transitar em metrópoles cada vez mais caóticas, como é o caso de São Paulo, por exemplo. O raciocínio fica ainda mais evidente quando se amplia a escala e passa-se a visualizar lojas da mesma marca instaladas em estados ou em regiões remotas. Talvez o slogan “a maior rede de lojas do Brasil” represente bem essa perspectiva.
O tempo passou, o consumidor mudou e o varejo também. O e-commerce foi inventado, a internet se popularizou e, aos poucos, as pessoas mostraram ter perdido o medo (tão alardeado no início da internet) de fechar negócios online. Para ficar “mais perto” do seu cliente, as organizações varejistas precisaram investir também em lojas virtuais. Estas seriam um canal de negócio mais atraente para que a população pudesse minimizar os problemas causados pela rotina estressante, a insegurança das cidades e mais uma vez, o trânsito. A tecnologia tornou possível ao consumidor fazer compras sem sair de casa. Com poucos clicks e nenhum esforço, podia-se comprar de tomate a automóvel.
A forma como a expressão “mais perto” do cliente era verbalizada no início do século XX, por tanto, ganhou um significado diferente no final do século XX, que por sua vez, teve um significado alterado no início do século XXI. Atualmente, para ficarem mais perto dos clientes, as redes varejistas precisam estar dentro das redes, das redes sociais.
Segundo dados do ComScore, o Facebook é o site de rede social mais acessado do Brasil com 36,1 milhões de visitantes. O instituto acredita que o usuário brasileiro permaneça em média, 4,8 horas por dia no site, o que representa um crescimento de 680% em relação a 2010. Para compreender melhor o contexto, talvez devêssemos acreditar que boa parte das organizações que atuam no varejo, gostaria de ter seus clientes circulando em suas lojas durante quase 5 horas. O alto fluxo de pessoas logadas e por tanto tempo tem feito com as organizações invistam seus esforços na criação e na manutenção de mais de uma loja virtual, repetindo com isso, um movimento semelhante ao já relatado no início deste post. Algumas diferenças curiosas, todavia, são observadas: os endereços das lojas não são redigidos com nomes de ruas ou avenidas, levam sim as iniciais www! Esse fato impossibilita que as organizações utilizem as dificuldades inerentes ao deslocamento ou a presença física como argumento para justificar o investimento em duas ou mais lojas em um mesmo lugar. Ou o termo mais apropriado, neste caso, seria em um “não-lugar”?
Acredita-se, ainda de forma preliminar, que o maior atrativo para essas organizações seja o fato de os consumidores estarem conectados em rede. Por meio desta estrutura, seria mais fácil e rápido que produtos, comentários, promoções e informações fossem difundidos. O botão “curtir”, o álbum de fotografias e os comentários possibilitariam que, eventualmente, produtos e serviços fossem expostos por entre as redes com a chancela de um amigo ou de alguém bem próximo. A associação de determinada pessoa a determinada marca talvez possa também, dar visibilidade ou ampliar a relevância de um ator neste contexto.O Social Commerce seria, portanto, uma nova maneira encontrada pelas organizações de utilizar o Capital Social do seu consumidor?

O filme abaixo, é o comercial de uma empresa que possibilita as compras no Facebook. Talvez o texto deles nos ajude a refletir.

O que é Social Commerce? from LikeStore on Vimeo.

 

Maria Alessandra Calheira

Maria Alessandra Calheira é mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas, na linha de Cibercultura, pela UFBA; Especialista em Marketing pela ESPM e Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UCSal. Atua como Coordenadora do Centro de Carreiras do Centro Universitário Jorge Amado. Faz parte do corpo docente dos cursos de graduação e pós-graduação desta mesma instituição onde leciona disciplinas voltadas a comunicação, criação, marketing e planejamento de carreira. Atuou 12 anos como Redatora Publicitária quando foi laureada com um Leão no Festival Internacional de Cannes, com uma medalha de prata no Clube de Criação de São Paulo, Top de Marketing da ADVB, entre outros. A sua Pesquisa tem tema Capital Social e os Aspectos Comunicacionais entre Organizações e Pessoas na ferramenta Twitter.

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