15 Oct 2011, 9:48pm
Simpósio

Simone de Sá encerra o SIMSOCIAL com a conferência “Entretenimento e Mídias Sociais”

O SIMSOCIAL 2011 encerrou-se com a conferência “Entretenimento e Mídias Sociais”, ministrada pela professora Simone de Sá, da Universidade Federal Fluminense. Professora Simone iniciou a conferência citando Jenkins, que apresenta produtores e consumidores interagindo de maneira absolutamente nova e não mais ocupando papéis separados. Dando sequência a sua fala, faz uma crítica a noção de entretenimento e para isso traz conceitos de Adorno e Horkheimer, que trata o entretenimento de forma escapista e dicotômica, separando razão e emoção, corpo e espirito, entretenimento e arte, sensação e conhecimento. E completa que ainda hoje há uma perspectiva muito forte nessa direção – o entretenimento não é levado a serio e é colocado em uma posição inferior à arte.

Ao trazer a questão “quem pode dizer o que é ou não relevante?” professora Simone coloca mídia e tecnologias como centrais na construção da subjetividade. As materialidades fazem parte do processo comunicativo e é impossível separar forma e conteúdo. Cada uma das relações entre corpos materiais e experiências é relevante. Ressalta ainda o trabalho de Gumbresht, no qual toda forma de comunicação implica em uma forma especifica de produção de presença, que toca os corpos dos que se comunicam; a afetação corporal é parte do processo comunicativo. Em sua fala traz também conceitos de Goffman para discutir a ideia de performance e auto-apresentação. Para Goffman, a performance é a condição de estar no mundo frente às inúmeras situações sociais, sendo condição para o diálogo e conversa.

Para pensar a performance, professora Simone traz como exemplo o trabalho realizado por Thiago Soares sobre Lady Gaga – pop star transmidiática que usa diversas mídias para produzir uma narrativa sobre si – e propõe com o exemplo uma reflexão sobre como ela vai performatizando a vida privada e publica e como os fãs vão se apropriando desses rastros e produzindo outras conversas. Aqui Goffman é novamente citado para ilustrar o conceito de coerência performativa, trazendo a idéia de que o individuo está constantemente se modulando.

Também são apresentados conceitos trazidos por Tia De Nora, que coloca a música como tecnologia do self, como importante agenciador para a regulação, ordenação e configuração do corpo a situações e papéis. Ressalta ainda que a música é  uma importante forma discursiva e cria personagens, porém esses personagens não tem nada de fake.

Professora Simone termina a conferência problematizando a importância das redes nos processos de gerenciamento do self. Que corporeidades estão comparecendo nas redes sociais? Indo além da cultura colaborativa, como estamos estabelecendo pactos na rede? As redes sociais são muito ricas e há um imenso material simbólico para se pensar.

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