Grupos de trabalho: primeiro dia

O primeiro dia do SimSocial concentrou a maior parte dos Grupos de Trabalho, que nesse ano foi dividido em cinco: (1) Mídias sociais, interações e práticas de sociabilidade; (2) Mídias Sociais: Consumo e Estratégias de Mercado; (3) Política e ativismo nas mídias sociais; (4) Educação e mídias sociais; e (5) Mídias Sociais, práticas Colaborativas e Jornalismo. Acompanhe abaixo informações sobre cada uma das sessões dos GTs dessa quinta (13).

Interações
Coordenado pela professora Malu Fontes, o GT Mídias Sociais – Interações Práticas de Sociabilidade polarizou a discussão entre os novos espaços para o registro e preservação da memória, através dos museus virtuais, e a ideia de fetichismo, transposta da psicanálise e reinterpretada sob o contexto e as práticas comunicativas nas redes sociais. Apresentados pelos pesquisadores José Cláudio Alves de Oliveira (UFBA) e Julio Cesar Lemes de Castro, respectivamente, os temas levantaram questionamentos da plateia acerca da validade de hipóteses como: em que medida é possível estabelecer uma cisão entre a vida e o comportamento on line e off line? Em que medida faz sentido, quando as tecnologias e os dispositivos on line avançam em escala tão significativa no cotidiano das sociedades urbanas, dizer que as práticas on line aproximam-se de um simulacro da vida real? Onde estão as fronteiras entres essas ‘vidas’? Quanto à perspectiva de museus em plataformas digitais, sobretudo voltados para o registro da memória religiosa brasileira, uma questão se interpõe: o desafio da inclusão digital entre as pessoas que preservam essa memória em sítios religiosos, pessoas guardiãs de narrativas e práticas que, sem registro, tendem a perder-se na oralidade.

A segunda sessão, coordenada por Vitor Braga, foi composta por trabalhos que discutiam subjetividade e representação de indivíduos e organizações em ambientes digitais, bem como uma problematização acerca do conceito de convergência. Paulo Victor e Rodrigo Cunha (UFBA) abordaram de que forma a rede social baseada em localização Foursquare . Adotando a perspectiva dramatúrgica de Goffman, os autores propuseram que os usuários, dentre possíveis adoções, abordam os lugares de modo a construir uma representação que os outros podem ter de si mesmo. Em seguida, Jane Maciel (UFRJ) buscou adotar o conceito de rizoma, proposto por Deleuze e Guattari, no sentido de compreender como o site de compartilhamento de imagens Flickr torna-se uma plataforma onde se situa parte da produção fotográfica na contemporaneidade. Para Jane, a subjetividade dos usuários dessa rede é afetada por novos estatutos de memória que se assume diante da visibilidade de fotografias experimentadas a partir de computadores e sobrepostas a outras que as sucedem, ao mesmo tempo que as experiências vividas são também  partilhadas  em  forma  de  fotografias.

Já Maria Clara Aquino (UFRGS) propôs uma reflexão acerca de três termos recorrentes nas discussões do campo da cibercultura – convergência, interatividade e participação – de modo a criar uma relação entre os mesmos na discussão acerca da convergência midiática. De acordo com a autora, nesse contexto da convergência a interatividade estaria situada numa relação dos indivíduos com as tecnologias, enquanto que a participação estaria centrada numa relação entre interagentes – por meio dos conteúdos compartilhados. Por fim, Maurílio Hoffman apresenta um estudo acerca do uso do Twitter por alguns usuários de modo a discutir de que forma é possível utilizar do sistema como um canal de comunicação entre instituições, personalidades com grande reputação e usuários do site.

Política e Ativismo
Na primeira sessão do GT Política e Ativismo nas Mídias Sociais, tivemos três trabalhos apresentados. Na primeira exposição, Nina Santos (UFBA) trouxe um estudo exploratório que procura relacionar a teoria do agendamento e o Twitter. Foram abordadas as possibilidades de as mídias sociais concederem destaque às discussões sobre determinados temas, mas também foram consideradas as limitações desta ambiência digital, no sentido da permanência de uma centralidade dos meios tradicionais na constituição de uma agenda pública. Em seguida, Leonardo Branco (UFBA) apresentou um conjunto de mapas produzidos colaborativamente, por meio da Internet, e que nos fazem repensar o conceito clássico de cartografia. Tais práticas representam uma apropriação política dos espaços urbanos em conexão com as novas tecnologias da comunicação. Já a exposição de Maria Célia Rocha (UFBA) abordou a difusão das redes sociais online, e reuniu diversos casos de utilizações das mídias sociais para a participação pública. Houve várias perguntas interessantes das pessoas que estavam presentes para assistir às apresentações, o que permitiu um debate qualificado e instrutivo com os expositores.

GT-3 política e ativismo SIMSOCIAL2011

Já na segunda sessão, coordenada por Mônica Paz (PósCom/UFBA), foi composta por quatro trabalhos sobre o ciberativismo em diferentes abordagens. O primeiro expositor foi o Edson Dalmonte (coordenador do PósCom/UFBA). O pesquisador se dedicou a estudar a análise do discurso ciberativista presentes no documentário Índios Online, defendendo o que chamou de consciência da discurso. As questões levantadas no debate diziam respeito sobre o impacto da instantaneidade das mídias sociais no discursos de ativistas. Carolina Abreu Albuquerque (UFMG) apresentou seu trabalho sobre a comunicação contemporânea e os movimentos sociais organizados através de mídias sociais. A mestranda destacou na sua fala e no artigo, em relação aos movimentos que relatou, as “características como a espontaneidade de agregação, a organização em rede, a ausência de lideranças estabelecidas e a rejeição (ou, ao menos, não-adesão) aos modos tradicionais de representação” (p.9-10).

Ainda em relação ao ciberativismo, Fred Izumi Utsunomiya (Mackenzie/SP) trouxe a questão do alcance do agir comunicativo via mídias sociais, problematizando acerca dos laços forte e fracos estabelecidos entre as pessoas através das plataformas online e ainda o sobre o nível de participação fornecida e praticadas nessas plataformas, o que foi foco do debate com os participantes do GT.

No campo dos diretos humanos, Rodrigo Nejm (UFBA/Safernet Brasil) falou da sociabilidade e dos direitos humanos das crianças e adolescentes em meio digital, defendendo que se haja um escape do determinismo tecnológico ao se ponderar sobre empoderamento e vigilância na rede. Questões sobre a memória digital e de como o impacto das publicações e da exposição de si de adolescentes e crianças na internet podem impactar em suas vidas (presente e futura).

Educação
Coordenada por Fernanda Carrera, a primeira sessão do GT4 – Educação e Mídias Sociais – focou as discussões nas possibilidades trazidas pelas novas tecnologias, especialmente as mídias sociais, para as práticas da educação e da aprendizagem no ambiente interno e externo à sala de aula. No debate, a utilização dos blogs, do Twitter, de games e outros aplicativos em prol da leitura e do processo de ensino, com questionamentos reunidos pelos trabalhos de Caroline Pereira das Neves (IAT/SEC), Carolina Calomeno (Positivo), Eunice Ribeiro dos Santos (UFBA) e Bruna Lessa (UFBA). Dentre as questões levantadas, algumas foram destaque: Como pensar o ensino da norma padrão da língua a partir das mídias sociais, uma vez que estes ambientes proporcionam novas linguagens? Como pensar autoria e referência nos estudos universitários, quando os blogs já são assumidos como fonte de informação mas não como fontes de credibilidade no âmbito da pesquisa científica? Como as práticas culturais “off-line” são traduzidas como melhor artifícios de usabilidade em aplicativos de aprendizagem? Até que ponto os games oferecidos pelas mídias sociais são uma transposição de paradigmas estruturados “off-line” e ajudam a reforçar sentidos e estereótipos? Até que ponto os sentidos de leitura estão sendo reconfigurados pelas novas possibilidades tecnológicas?

Consumo e Estratégias de Mercado

Coordenado por Maria Alessandra Calheira (Póscom/UFBa), a primeira sessão do GT2 – Mídias Sociais: Consumo e Estratégias de Mercado, teve foco nas possibilidades exploradas pelas organizações e artistas a partir das novas tecnologias da comunicação. No debate, a utilização dos Blogs, Sites de Compras Coletivas e Sites de Redes Sociais como o Twitter e o Facebook e como estes estão sendo apropriados por músicos e empresas interessados na promoção de produtos, marcas e serviços e em sua utilização enquanto mediadores no relacionamento com o seu público. Os trabalhos apresentados por Angelo Satre (Instituto Educae / Fapi, PR), João Renato de Souza Coelho Benazzi (UFRJ, RJ) e por Tatiana Rodrigues Lima (FSBA, BA) foram catalizadores de questionamentos e inquietações por parte dos presentes. Algumas questões merecem destaque: Quais as diferenças dos resultados observados nas ações veiculadas por meio da mídia massiva e da pós-massiva foram observadas pela empresa de transporte? Quais as conseqüências para o negócio podem se observadas diante da falta de preparo de pequenas organizações no atendimento ao seu público consumidor? Qual a importância para o contexto organizacional que o comportamento e opinião dos consumidores de produtos negociados por meio dos sites de compras coletivas sejam aferidos? Pode-se estabelecer como uma relação o fato de alguns artistas nativos digitais, a exemplo de Malu Magalhães, obterem êxito e visibilidade maior nos SRS do que os artistas considerados imigrantes digitais?

A segunda sessão do GT 2 – Mídias Sociais: Consumo e Estratégias de Mercado, realizado no dia 13/10, foi coordenado por Tarcízio Silva (Póscom/UFBa) e reuniu quatro trabalhos. Abrindo a sessão, Luiz Adolfo de Andrade apresentou seu trabalho Jogos de Realidade Alternativa: Modos para relacionar espaço, consumo e transmidia. Artigo resultante de sua pesquisa de nível de doutorado, discutiu os conceitos subjacentes aos jogos de realidade alternativa, tais como cultura participativa, convergência e transmídia. Como exemplo, o autor exibiu diversos exemplos reais de jogos do tipo, incluindo casos brasileiros. Em seguida, Breno Carvalho apresentou reflexões sobre o uso de QR Codes em postais publicitários, no trabalho O Postal Publicitário como Mídia Locativa. Em sua apresentação, o pesquisador revisou as concepções em torno do consumo como objeto de investigação acadêmica e os relacionou às novas mídias. Apresentando seu trabalho em co-autoria com Márcia Carvalhal, Marcello Chamusca exibiu as descobertas resultantes de pesquisa quantitativa com usuários de dispositivos móveis Mobilidade e Sociabilidade na Cidade Contemporânea. Finalizando as apresentações, Rhaíssa Vitor apresentou trabalho, em co-autoria com Adílson Cabral, chamado O Facebook como Foco de Oportunidades de Branded Experience. Além de mostrar um  pouco da história e possibilidades do site quanto à comunicação corporativa, a autora também fez considerações sobre o aumento de sua base de usuários.

A relação de todos os trabalhos aprovados estão disponíveis no endereço: http://gitsufba.net/simposio/?page_id=179. É possível, através do link, fazer download dos mesmos.

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