Selfiecity: análise e visualização de dados no Instagram

Já sabemos que selfie foi a palavra do ano de 2013. E que o tweet mais retuitado da história foi o selfie hollywoodiano de Elen DeGeneres, tirado durante a cerimônia do Oscar de 2014. Não nos restam dúvidas de que o selfie é uma marca cultural fortíssima dos tempos atuais e possui fortes implicações no que diz respeito à fotografia e ao modo como nos expomos e interagimos em rede.

Mas os selfies todos são iguais? Como se comportam os brasileiros quando tiram uma foto de si? Como se posicionam ou que elementos carregam consigo? Que taxas demográficas podem ser visualizadas como padrões ou exceções nessa prática fotográfica? Que diferenças são encontradas quando se comparam distintos povos a praticarem o mesmo estilo de retrato?

Diante de tais questões, o pesquisador Lev Manovich apresentou, semanas atrás, seu projeto Selfiecity, que é o resultado da investigação sobre a prática do selfie em 5 cidades pelo mundo: Bangcoc (Tailândia), Berlim (Alemanha), Moscou (Rússia, onde nasceu Manovich, aliás), Nova York (EUA) e São Paulo. Selficity, assim, apresenta dados quantitativos sobre os usuários praticantes do selfie, além de modos de visualização e exploração das imagens capturadas nesses lugares.

selfiecity - graficosO site do projeto possui ferramentas bastante interessantes para a visualização e cruzamento de dados. Na imagem abaixo, por exemplo, vê-se uma filtragem para a exibição de pessoas de óculos olhando de baixo para cima, com a cabeça levemente voltada para a direita e que aparentem bom humor. Nem todas as imagens apresentadas, contudo, correspondem perfeitamente aos filtros aplicados.

selfiecity - filtrosDiante da coleta de dados, alguns achados que os próprios pesquisadores apontam:

  • Selfies, em geral, correspondem a menos que 4% das fotografias encontradas. Há, pois, um montante significativo de outros assuntos sendo fotografados, como gatos, cachorros, comidas e roupas. Ainda assim, é notável o impacto cultural do selfie enquanto expressão contemporânea.
  • Em todas as cidades pesquisadas, os selfies sempre são de preferência feminina. A diferença mais radical se deu em Moscou, onde 82% das imagens são feitas por mulheres. Seriam os homens menos propensos a se retratarem?
  • No geral, há uma predominância dentre jovens de 20 a 25 anos. Mas aqui cabe um adendo: não foi possível saber a idade exata dos fotografados: essa é uma estimativa diante da aparência – o que pode nos dar, por outro lado, indícios de desejo de juventude.
  • Bangcoc e São Paulo são as cidades que apresentaram usuários “mais felizes”; Moscou, por outro lado, é onde os sorrisos aparecem com menos intensidade. Aqui, mais uma vez, não se trata de uma medida acurada, mas de uma percepção do quão largos são os sorrisos.

Além da visualização dos dados, o site ainda apresenta 3 breves ensaios que buscam trabalhar com conceitos e reflexões acerca da prática do selfie. Para visualizar o projeto e ler os ensaios, basta acessar http://www.selfiecity.net

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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