Roubos, denúncias e nossa vida urbana de cada dia.

Uma pergunta clássica: você já foi roubado?

Muitas pessoas diriam que sim. Ser roubado ou ter algum objeto furtado é algo que todos estão sujeitos, sobretudo, os habitantes de grandes cidades. Sempre que isso acontece é comum alertarmos nossos amigos, familiares e pessoas próximas sobre o incidente, local e características do roubo. Assim, fornecemos dados para que tais pessoas possam evitar passar por situação semelhante.

O site Onde Fui Roubado criado pelos estudantes de Ciências da Computação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fillipe Norton e Márcio Vicente, opera a partir dessa idéia. Criado em 2012, o site colaborativo visa criar um “mapa do crime”, onde vítimas de assaltos, roubos e furtos possam alertar os demais sobre o local do acontecido. Muito bacana a idéia, não?

A principio sim. O site faz grande sucesso com o público e já “contabiliza”os roubos de diversas cidades brasileiras. Um dos pontos positivos do site é as estatísticas geradas em tempo real. Os dados mostram gênero das vítimas, objetos roubados e tipo de assalto mais freqüente (à mão armada, furto, assalto coletivo etc). Dados que podem se tornar ainda mais relevantes, quando comparados com as estatísticas oficiais dos crimes nas cidades brasileiras (sabemos que muitas pessoas não formalizam queixas na delegacia e que os dados oficiais são facilmente manipuláveis).

Ainda que interessantes, iniciativas que envolvem denúncias públicas e coletivas na internet sempre trazem algumas questões preocupantes. Por exemplo, como saber se tais denuncias são verdadeiras ou falsas? Os trolls e haters estão por toda a parte porque se ausentariam em uma plataforma desse tipo? Essa facilidade em denunciar, assim como a publicização constante dos dados não acabaria por alimentar ainda mais a sensação de insegurança que já enfrentamos em nosso dia a dia? Até que ponto passarmos a evitar locais com mais marcações poderá contribuir de fato com nossa segurança e qualidade de vida em nossa cidade?

Cabe lembrarmos que uma cidade está sempre em transformação.O aumento da sensação de insegurança e o conseqüente abandono dos espaços públicos não contribui para o desenvolvimento do lugar, pelo contrário, o esvaziamento coletivo traz sérias conseqüências negativas para nossa qualidade de vida. Ferramentas como essa podem de fato serem bacanas, mas é importante observamos qual impacto isso pode gerar em locais, cidadese populações. O que acham?

 

Lisi Barberino

é mestre pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura.

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