Resgate de Dados Digitais: consumo cultural e conversações

David Maya é um desenvolvedor colombiano que produz aplicativos por hobby. Dois de seus produtos são aplicativos que utilizam dados provenientes de softwares sociais para fornecer ao usuário novos modos de observar seus rastros deixados ao longo do tempo no Last.fm e no MSN Messenger. Algumas das implicações desse resgate e manejo mais customizado dos dados digitais, vistos como informações sociais, estão sendo discutidas por alguns pesquisadores do GITS.

O software Last.fm Extra Stats coleta dados desta mídia social de consumo musical. O Last.fm já é uma mídia social bastante particular, por oferecer aos usuários recursos para registrar as músicas e artistas que ouviu ao longo do tempo, tanto através da rádio do site quanto através de softwares desktop. A principal atração do perfil do usuário são as listagens de artistas e músicas ouvidas nos últimos 7 dias, 3, 6 ou 12 meses ou o total geral.

Mas visualizações e recursos adicionais são oferecidos pelo Last.fm Extra Stats. Acima, um exemplo de um Wave Graph baseado nos 50 artistas mais ouvidos por um usuário. O software ainda oferece outras medições mais “classificatórias”, por assim dizer, como o Diversity Graph que mostra ao longo do tempo uma medida de diversidade de estilos musicais ouvidos pelo usuário e o recurso de Compability, que realiza um cálculo de compatibilidade de gosto musical entre dois usuários.

O software Social Waves propõe uma viagem no tempo para relembrar momentos importantes da vida. A partir da frequência de interação com outros atores sociais pelo MSN Messenger, o software oferece uma linha do tempo na qual o maior número de conversas em determinado momento é traduzida em ondas maiores. Abaixo um interessante exemplo que o desenvolvedor oferece, com algumas observações possíveis de serem feitas pelo indivíduo que se analisa:

Apesar do caráter mais experimental destes dois softwares, existe uma gama enorme de aplicativos do tipo sendo disponibilizados. Recentemente, o mercado da publicidade compreendeu a atratividade em processar e divulgar determinados tipos de informações no contexto dos sites de redes sociais. A Itautec patrocinou o aplicativo Sociorama, enquanto a Coca Cola lançou o Você é Mais do que Você Imagina.

Todos estes aplicativos citados podem ser relacionados a uma moral da medição de si para auto-conhecimento, proposta inclusive por grupos organizados emergentes tais como o Quantified Self. A rigor, a auto-monitoração de si é um processo constante na sociedade desde sempre em contextos face a face, mas quais serão as particularidades destas estratégias, talvez, aumentadas de análise de si e do ambiente social?

Tarcízio Silva

Tarcízio Silva é estudante de mestrado no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na linha de pesquisa sobre Cibercultura, da FACOM/UFBA. Bacharel em Comunicação com habilitação em Produção Cultural. Estuda as relações entre a produção e circulação de dados digitais com aspectos interacionais (construção identitária e gerenciamento de impressões) e corporativos (monitoramento e mensuração).

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2 comments to “Resgate de Dados Digitais: consumo cultural e conversações”
  1. Além da questão de resgate de memória, que é muito interessante nesses aplicativos, me chama muito atenção a visualização de dados. Tratarei desse tema no meu próximo tema, mas sobre redes sociais :)

  2. Sim, é muito interessante mesmo. A Lúcia Santaella foca nesse aspecto das visualizações de dados, quando fala de aplicativos pra Twitter. Na minha dissertação um dos níveis que estou trabalhando de categorização dos aplicativos de análise de informação social é este. Especialmente se tratando de visualizações de grafos a partir de redes ego, que talvez seja algo realmente inédito na exploração do contexto social por pessoas comuns.

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