Pornografia inteligente, literatura histérica e as representações

Em tempos de leitura de Goffman no GITS, esse post pretende apenas problematizar algumas questões acerca das representações e interações – mediadas, nesse caso – que envolvem o projeto “Hysterical Literature”, idealizado e produzido pelo fotógrafo Clayton Cubitt. A proposta, que já virou hit no YouTube, consiste em uma série de vídeos com atrizes pornôs. Nada de novo? O diferencial, nesse caso, é que as performers apresentam-se vestidas, sentadas à frente de uma mesa, lendo clássicos da literatura erótica – e recebendo, simultaneamente, estímulos sexuais não visíveis ao público.

À medida que a narrativa avança, tanto a história quanto a atriz chegam ao clímax, em um orgasmo lido, vivido (sincera ou cinicamente, usando os termos de Goffman) e publicizado para uma plateia de “pessoas comuns”, nós. Na primeira sessão, a atriz internacional Stoya impressiona com a sua interpretação de “Necrophilia Variations”, de Supervert. Aqui, o que menos importa é a veracidade do orgasmo de Stoya, mas sim voltarmos às questões acerca da privacidade e da intimidade online. Nesse sentido, a declaração de Cubbit parece interessante: “Estou interessado em como as culturas se unem e formam linhas que dividem tudo entre aceitável e permitido, entre o que deve ser aplaudido e o que deve ser escondido. É nesta batalha que estou interessado, entre mente e corpo, onde está o limite e como posso manipular isso”.

O que Goffman diria sobre esse tipo de representação? Fica aí a provocação – literal, nesse caso – e a recomendação de não assistir ao vídeo (sem fones, claro) em lugares públicos, o que quer que isso signifique.

Fonte: TechTudo

Thais Miranda

Thais Miranda é doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas (POSCOM/UFBA), com estágio doutoral na Université René Descartes, Paris V, Sorbonne (2013/2014) . É mestre em Administração (2010) e possui graduação em Comunicação Social (1999). Dedica-se à pesquisa sobre pornografia digital amadora e interações em ambientes digitais.

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