Por que tantas pessoas usam Instagram?

Projeta-se atualmente que o aplicativo de fotografia Instagram já tenha chegado à marca de 25 milhões de usuários – número que só tende a aumentar diante da nova versão (enfim) para sistemas Android. Sem dúvida, um grande sucesso, ainda mais se o compararmos com outro serviço também bastante popular, como o Foursquare, cuja utilização, estima-se, é feita por cerca de 22 milhões de pessoas.

Considerando seus filtros, o Instagram nos remete de imediato a uma condição de fetiche para com o antigo, notoriamente em relação a efeitos cromáticos antes obtidos com filmes analógicos e lentes específicas – o que, a princípio, caracterizaria um aporte vintage sobre o app. Essa resposta, contudo, é parcial, e claramente não contempla um entendimento mais amplo sobre o fenômeno – embora seja ainda bastante interessante de ser explorada.

Num primeiro momento, podemos pensar que a comunidade em torno do Instagram vê na facilidade de uso e na amigabilidade de sua interface um forte atrativo – o que até faz bastante sentido, se nos ativermos ao design de interação que a ferramenta propõe. Mas sempre surgem novas perspectivas a apontarem que os utilizadores do serviço não buscam tão somente a rapidez e o imediatismo. Zachary McCune, gerente de comunidade da Piictu, após realizar uma rápida exploração etnográfica no mundo do Instagram, aponta que há diversas subculturas a permearem o aplicativo: explorar o mundo por meio de imagens, encontrar pessoas com interesses semelhantes ou prover status visuais para a rede de contatos podem ser algumas motivações a levarem tantas pessoas a tão famosa rede móvel de photo sharing.

Ainda que bastante breve, a pesquisa realizada por McCune pode dar pistas sobre a forma como os fãs do aplicativo se coordenam. Há certamente valores compartilhados em torno do Instagram – os quais, por sinal, parecem ter se perdido ou se modificado em relação ao Flickr, site que até pouco tempo atrás parecia ser imbatível em termos de fotografia. Talvez ainda seja bastante cedo para se afirmar mas, ao que tudo indica, a força do Instagram parece estar numa união entre o aspecto cool e a formação de uma rede de alta visibilidade – lembremos que as imagens feitas com o aplicativo não se restringem a um site próprio, mas se espalham pela web por meio de mensagens no Twitter e Facebook, por exemplo. Seria, então, o estilo retrô apenas uma falsa pista dada por seus fãs?

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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