Polymorphous Perversity: Freud, 8bits e muito sexo

“Este jogo contém elevadas quantidades de temas sexuais. Não é para aqueles que levam este tipo de jogos a sério. São pixels e se você facilmente se enerva ou não quer ver certos tipos de temas sexuais em momento algum de sua vida, por favor não assista este vídeo. Não é para os fracos de coração. (…)”


A nota introdutória faz referência a um walkthrough do game Polymorphous Pervesity, criado por um psicoterapeuta brasileiro chamado Nicolau Chaud. O jogo, disponibilizado para download em junho de 2012, situa o personagem da ação – um jovem com distúrbios sexuais – em um ambiente imaginário no qual as pessoas encontram-se completamente desnudas e com as diversas camadas de consciência voltadas para o sexo. A partir da ideia  freudiana de perverso polimorfo, na qual a gratificação sexual advém de práticas que fogem àquelas socialmente normativas, a narrativa é iniciada a partir da entrada no quarto do tal rapaz – que se masturba frente a seu computador -, quando este é sequestrado e levado ao universo paralelo onde a história passa a requerer a participação ativa do player. A primeira habilidade aprendida, sem pudores, é, obviamente, “Fuck“.

Desenvolvido na plataforma RPG Maker 2003, o game assemelha-se aos velhos RPGs 8bits do NES, com as alterações devidas. No lugar de “batalhas”, o próprio ato sexual é quem fornece pontos de experiência (XP points) através dos quais o personagem sobe de nível e aprimora suas habilidades. O “fight” possui alternância de turnos é possível realizar movimentos diversos durante a interação – focada e sem vergonha, diga-se. Além disso, há certo nível de interatividade também com o cenário através de placas indicativas com quotes do Freud e objetos como caixas de presente que contêm itens especiais, ursinhos de pelúcia e árvores de formas voluptosas. Logicamente, é possível transar com estes mesmos objetos a qualquer momento.

Para chegar nessa “terra dos sonhos” basta baixar gratuitamente o Polymorphous Perversity através . A experiência é válida e suscita diversas questões relacionadas à sexualidade em jogos eletrônicos, como já discutimos brevemente aqui no blog em outra ocasião. As imagens abaixo são teasers – com trocadilho e tudo – de uma proposta despretensiosa e bem humorada de abordar as questões de ordem sexual do ponto de vista da psicanálise.

 

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[Agradecimentos a Leonardo Ferreira]

 

Felippe Thomaz

Felippe Thomaz é mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, onde examinou, na ocasião, o processo de construção identitária do jogador em MMORPGs, através de avatares. Doutorando pelo mesmo programa, seu objetivo mira agora a compreensão da influência exercida pelos variados dispositivos de controle sobre a experiência de jogos eletrônicos. Examinando o uso de joysticks, teclado e mouse, interfaces touchscreen e sensores de movimento, a questão que baseia a pesquisa, simplificadamente, é: de que maneira as formas de controle influenciam a própria experiência do jogar um game?

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