Poken e o “colecionamento” de pessoas, lugares e coisas

 Em junho deste ano foi lançado um gadget chamado  Poken (um aparelho semelhante a um chaveiro com entrada USB) que permite que seus usuários compartilhem dados pessoais (nome, telefone, Facebook, Linkedin etc.) e armazenem links através de perfis criados em Sites de Redes Sociais. Os aparelhos, que possuem como objetivo servir como um cartão de visitas digital, funcionam por meio de circuitos com microcontroladores que, ao entrarem em contato uns com os outros, viabilizam a conexão e o compartilhamento de dados entre seus usuários. No Poken, há, também, a possibilidade de baixar um aplicativo para Smartphones, transformando o aparelho em um meio no qual os usuários podem usar as funções de conectividade oferecidas pelo gadget.

Segundo os desenvolvedores do Poken, por meio do dispositivo seria possível ‘colecionar pessoas, lugares e coisas‘, algo que pode servir como um ponto de partida para reflexões e pesquisas que versam sobre as relações de sociabilidade estabelecidas entre indivíduos por meio de tecnologias digitais.

Veja, abaixo, o vídeo demonstrativo do gadget:

Vale frisar que dispositivos como o Poken, também trazem à tona discussões sobre a chamada Ubimedia e como, cada vez mais, principalmente com as tecnologias digitais, torna-se possível a adição de informações virtuais (através de metadados) em objetos, locais, pessoas etc..

Para quem deseja aprofundar leituras sobre temas como a Internet das Coisas, Mídias Pervasivas e Ubimedia, segue um link do relatório desenvolvido pela MindTrek – um dos principais congressos mundiais no campo da comunicação digital. Segundo os autores do texto, Katri Lietsala & Tomi Terentjeff, o termo Ubimedia seria usado para retratar o “conteúdo de mídia que adquire significado quando se conecta a outros conteúdos de mídia e ao ambiente físico. Metadados ligam esses conteúdos, e a informação relacionada ao tempo, local, objeto ou pessoa.”. Segue o link com o texto na íntegra: clique aqui.

Fica aqui aberta a reflexão sobre questões como, por exemplo: quais implicações um dispositivo como o Poken traria nas relações face-a-face? Como seria, por exemplo, o processo de gerenciamento de impressões por meio dos limites/possibilidades de dispositivos como o Poken? Qual seria o papel do Poken no registro e resgate de informações da memória de um indivíduo? etc.

 

Marcel Ayres

Doutorando na linha de Cibercultura na Póscom - UFBA. Especialista em Marketing pela FGV. Pesquisador no Grupo de Pequisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade [Gits - UFBA]. Cofundador da agência COM Inteligência Digital.

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