Personal Connections in the Digital Age

Ao longo desse segundo semestre, o GITS escolheu como uma de suas leituras principais o livro Personal Connections in the Digital Age, da Nancy Baym. A seguir, um pequeno resumo sobre o capítulo introdutório discutido na última reunião do grupo e sobre alguns assuntos que são discutidos ao longo da obra.

Nancy K. Baym é professora de estudos da Comunicação na Universidade de Kansas. Seus interesses de pesquisa incluem comunicação interpessoal em comunidades online, as relações entre vida social online e offline e percepções da internet como um meio social. É considera uma das mais importantes pesquisadoras sobre cultura de fãs.

– CAP. 01 – NOVAS FORMAS DE CONEXÃO PESSOAL

Logo no início do capítulo ela considera que a era digital distingue-se por rápidas transformações nos tipos de mediação tecnológica, e que nesse momento de rápida inovação e difusão é natural se preocupar com seus efeitos sobre os nossos relacionamentos.

Afirma que quando somos confrontados pela primeira vez com um novo bombardeio de meios de comunicação interpessoal, as pessoas tendem a reagir de duas maneiras, sendo que ambas têm longa história cultural.

1) as pessoas expressam preocupação de que a nossa comunicação tem se tornado cada vez mais rasa (para muitos, o aumento da quantidade de interação mediada parece ameaçar a santidade dos nossos relacionamentos pessoais).

2) as novas mídias oferecem a promessa de mais oportunidades para a conexão com mais pessoas, uma rota para novas oportunidades e mais fortes relações e conexões diversas.

Destaca que ambas as perspectivas refletem a sensação de que mídias digitais estão mudando a natureza das nossas relações sociais. Esses momentos em que eles são novos e as normas para seu uso estão em fluxo oferecem novas oportunidades para pensar sobre as nossas tecnologias, nossas conexões e as relações entre eles.

Afirma que o objetivo do livro é fornecer um meio para pensar criticamente sobre o papel dos meios de comunicação digital nas relações pessoais, em especial a Internet e o telefone celular, e que o material utilizado baseia-se em seus projetos de pesquisa, sobre como as mídias digitais afetam nossa vida interpessoal.

– NOVAS MÍDIAS, NOVAS FRONTEIRAS

Para a autora, o propósito fundamental das tecnologias de comunicação sempre foi permitir que as pessoas troquem mensagens sem estarem fisicamente co-presentes e aponta que essa capacidade de transcender o espaço trouxe adicionalmente temporizações inevitáveis (o telégrafo mudou isso ao permitir comunicação em tempo real através de longas distâncias, pela primeira vez).

Depois de tanto tempo como criaturas que se envolvem em interação social face a face, a capacidade de comunicar através da distância em alta velocidade rompe conhecimentos/referências sociais que estão “armazenados” profundamente em nossa consciência coletiva. As mídias digitais continuam essas rupturas e, segundo ela, apresentam novos problemas:

– Como podemos estar presentes mas também ausentes?

– O que significa um “self” se não for em um corpo?

– Como é possível ter tanto controle e no entanto perder tanta liberdade?

– O que significa a comunicação pessoal quando ela é transmitida através de um meio de massa?

– O que é um meio de massa, se ele é usado para a comunicação pessoal?

– O que o público e o privado significam atualmente?

– O que significa exatamente o real?

Cita Kenneth Gergen (2002) que nos descreve como lutar com o “desafio da presença ausente”, onde considera que muitas vezes vivemos em um “mundo flutuante”, em que nos envolvemos principalmente com os pares/parceiros não-presentes fisicamente.

Ressalta ainda, que podemos estar fisicamente presentes em um espaço, mas mentalmente e emocionalmente engajados em outro lugar, e nesse sentido, aponta que a própria natureza do “eu” se torna problemática. As fronteiras entre humano e máquina, o colapso do que foi celebrado em o “Manifesto Cyborg” e entre o “eu” e o corpo, são algumas das questões apresentadas, como também onde, exatamente, o “verdadeiro eu” reside. Preocupa-se também se os “eus” promulgados por meio de mídia digital se alinham ou não com aqueles que se apresentam face a face, se existe tal coisa como um “eu verdadeiro” ou se ele nunca existiu.

Para a autora, a separação da presença da comunicação nos oferece mais controle sobre nossos mundos sociais, e simultaneamente, nos sujeita a novas formas de controle, vigilância e restrição, regulando o ambiente social e gerindo os nossos encontros. Também destaca outros “usos” da tecnologia para estratégias de “evitação” e manipulacão em determinados contextos interacionais.

As fronteiras entre comunicação de massa e comunicação interpessoal interessam a análise na medida em que produção e recepção da comunicação de massa se inter-relacionam e produzem uma nova dinâmica a partir dos meios digitais. Neste sentido, apresenta também algumas implicações nas questões associadas ao que é “púbico” e ao que deve ser “privado” e à profunda confusão sobre o que é virtual – o que parece real, mas é basicamente uma mera simulação – e o que é real de fato.

ORGANIZAÇÃO DO LIVRO

No restante desse primeiro capítulo, ela identifica um conjunto de conceitos-chave que pode ser usado para diferenciar mídia digital e quais influenciam a forma como pessoas as usam e com que efeitos. Oferece ainda, um breve resumo dos meios de comunicação discutidos no livro e uma análise de quem faz e quem não faz uso deles.

O capítulo 2 é uma orientação para as perspectivas principais usadas ??para compreender as inter-relações entre a tecnologia da comunicação e a sociedade e uma exploração dos temas principais na retórica popular sobre mídia digital e conexão pessoal. O capítulo 3 examina o que acontece com as mensagens, tanto verbais quanto não verbais, em contextos mediados. Capítulo 4 aborda os contextos grupais nos quais a interação online muitas vezes acontece, incluindo as comunidades e redes sociais. Os dois capítulos restantes exploram relações diádicas. O capítulo 5 mostra como as pessoas se apresentam para os outros. Já o capítulo 6 analisa a forma como as pessoas usam as novas mídias para construir e manter seus relacionamentos.

Finalmente, a conclusão retorna à questão da classificação e mitos da realidade, argumentando contra a noção de um “ciberespaço” que pode ser compreendida para além das realidades mundanas da vida cotidiana e para a noção de que o que acontece online pode ser novo, mas não é menos real.

SETE CONCEITOS CHAVE

Aponta que se queremos construir uma rica compreensão de como a mídia influencia as relações pessoais, precisamos parar de falar sobre ela em termos excessivamente simplistas, não podemos falar sobre as consequências se não podemos articular capacidades.

E problematiza: o que são estes meios que implicam mudanças na interação e, potencialmente, relações? Afirma que precisamos de ferramentas conceituais para diferenciar os meios de comunicação e para nos ajudar a reconhecer a diversidade entre o que pode parecer ser apenas uma tecnologia.

Apresenta sete conceitos que podem ser usados ??para comparar diferentes meios de comunicação entre si e da própria comunicação face-a-face de forma produtiva:

  1. interatividade
  2. estrutura temporal
  3. sinais/pistas sociais
  4. armazenamento
  5. replicabilidade
  6. alcance
  7. mobilidade

Para Nancy, os muitos modos de comunicação na internet e no celular variam em graus e tipos de interatividade que eles oferecem (considere, por exemplo, a diferença entre usar o telefone para selecionar um novo toque e usar o telefone para discutir com um namorado), ou usar um site para comprar sapatos novos ao invés de discutir eventos atuais.

Apresenta a “Interatividade social”, como a capacidade que um meio possui em permitir a interação social entre grupos ou indivíduos”, como sendo o significado que interessa neste trabalho. E que outros tipos incluem interatividade técnica, interatividade textual, interação criativa e interpretativa entre os usuários (leitores, telespectadores, ouvintes) e textos, e etc.

Ressalta ainda, que Rafaeli e Sudweeks (1997) postulam que devemos ver a interatividade como um continnum promulgado por pessoas usando a tecnologia, ao invés de uma condição tecnológica.

Sobre a estrutura temporal, utiliza a diferenciação entre comunicação síncrona e assíncrona e chama atenção para casos especiais e também para o fato da sincronicidade permitir uma sensação maior de proximidade com pessoas que estão distantes fisicamente. Para a autora, a assincronia também oferece às pessoas tempo para gerirem sua “representação/apresentação do eu” de forma mais estratégica.

O contexto físico e a comunicação “corpo-a-corpo”, destaca-se quando nos referimos aos sinais sociais disponíveis por que as pessoas têm uma gama completa de recursos disponíveis: compartilham um contexto físico, os significados das mensagens, e as identidades das pessoas que interagem.

Afirma que em graus variados, as mídias digitais oferecem menos pistas sociais. Nas interações online e através de telefones móveis, temos poucos ou nenhum sinal de localização do nosso companheiro. Embora a  falta de contexto físico não signifique que os interactantes não compartilhem contextos.

Mídias também diferem na medida em que suas mensagens suportam.
Armazenamento, e, relativamente, replicabilidade, são altamente consequentes, segundo a autora.

Memória humana para a conversa é notoriamente pobres. Em graus variados, mídias digitais podem ser armazenadas em dispositivos, sites web, e backups empresa onde eles podem ser replicados, recuperado em datas posteriores, e editado antes do envio (Carnevale & Probst, 1997; Cherny, 1999; Culnan & Markus, 1987 ; Walther, 1996).

Meios de comunicação também variam no tamanho de uma audiência, ou alcance. Uma única tecla pode enviar uma mensagem para milhares de pessoas… Já a comunicação face-a-face é inerentemente limitada considerando aqueles que podem caber no mesmo espaço.

Por fim, as mídias variam em sua mobilidade, ou até que ponto eles são portáteis – permitindo que as pessoas enviar e receber mensagens independentemente da localização. Além de oferecer mobilidade espacial, alguns meios digitais nos permitem a movimentação entre tempos e contextos interpessoais (Ishii, 2006).

Ressalta que esses sete conceitos nos ajudam a começar a entender as semelhanças e diferenças entre comunicação face-a-face e interação mediada, bem como a variação entre os diferentes tipos de interações digitais.

Destaca que a comunicação face-a-face pode ser móvel, mas apenas enquanto os interagentes estão se movendo através do espaço juntos. A gama completa de pistas, a irreplicabilidade, e a necessidade de estar lá no lugar e tempo compartilhado com os outros, contribui para a sensação de que comunicação face-a-face é autêntica. Em contraste, algumas formas de interação mediada são assíncronas, permitindo um planejamento maior das mensagens e maior alcance, mas um sentido potencialmente mais baixo de conexão.

Para Nancy, mídias digitais estão se tornando cada vez mais móveis como a internet e o telefone celular que convergem em dispositivos individuais, o que significa que essas tecnologias tornam possível a comunicação em locais onde não eram antes, mas também que eles podem interferir em conversas face-a-face onde nunca puderam antes. Como resultado, as pessoas podem ter experiências muito diferentes com meios diferentes, mas nenhum meio parece oferecer o potencial de intimidade e ligação que se tem face a face.

Ao final do primeiro capítulo, encontramos um breve resumo histórico sobre a internet.

 

Ana Terse Soares

Ana Terse Soares é graduada em Comunicação Social e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (2013) na linha de Cibercultura. Atualmente integra os Grupos de Pesquisa em Interação, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS) e o Analítica: Crítica de Mídia, Estética e Produtos Midiáticos, ambos na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre Performances Musicais através de Hologramas e seus interesses debruçam-se, principalmente, sobre os seguintes temas: Comunicação e Tecnologias Digitais, Cultura Digital, Redes Sociais, Produção de Presença e Materialidades da Comunicação, Arte e Tecnologia, Música e Virtualidade, Experiência Estética e Holografia, Performances Musicais e Tecnologias Digitais, Digital Bodies, Performers Virtuais.

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