Personal Connections in the Digital Age – Terceiro capítulo

Nesse terceiro capítulo, intitulado “Communication in digital spaces”, Nancy Baim vai discutir como a comunicação em si mesmo ocorre (ou a troca de mensagens entre pessoas) quando é digitalmente mediada. Ela irá, ao final do capítulo, discutir como as mensagens online são influenciados e moldados pelas identidades sociais que transcendem a mídia, incluindo o gênero e a cultura.

A autora discorre sobre o senso comum em que a comunicação pela internet definitivamente seria o menos pessoal, seguida pelo telefone (que ao menos tem a satisfação vocal) e o mais pessoal seria a comunicação face a face. Essa sua afirmação comparativa surgiu com base na pesquisa realizada por Nancy Baim, em 2002, no qual ela avaliava em que medida as pistas sociais não-verbais (como “ouvir suas vozes”, “ver suas reações”, “satisfação vocal”) afetavam a intimidade percebida de cada meio.

A mídia com menos pistas sociais fazem com que as pessoas tenham mais esperanças e tornem-se mais iguais e valorizadas por seus pensamentos do que suas identidades sociais, mas também suscitam receios de que as interações, identidades, e relacionamentos se tornem cada vez mais superficiais, não confiáveis, e inadequadas.

Baim vai olhar atentamente para a “prática do Flaming”, ou a comunicação extremamente argumentativa, como um caso de teste para observar que a falta de pistas pode ser considerada uma causa de como as pessoas se comportam. “Vamos ver como as pessoas injetam sociabilidade na comunicação mediada, mostrando emoção, expressando proximidade e disponibilidade, se divertindo, e construindo novas estruturas sociais.”

A Mediação como empobrecimento

Sinais sociais reduzidos

Pesquisas iniciais equivocadamente conceitualizaram as conversações face a face como a norma contra a qual outros tipos de comunicação podiam ser comparados. Consequentemente, a comunicação mediada veio a ser vista como uma forma diminuída da conversação face a face. Tendo incorporado a comunicação de co-presença como a norma, as primeiras pesquisas viam o telefone e a internet como versões menores da coisa real, inerentemente menos íntima, e, portanto, menos adequada a conexões socias.

As primeiras pesquisas comparando interação mediada a comunicação face a face começaram nos anos 1970. As primerias duas teorias da escolha da mídia (media choice), Teoria da Presença Social (Short, Williams e Christie, 1976) e Teoria da Riqueza da Mídia (Daft e Lengel, 1984), ambos tentaram combinar recursos da mídia, definidos como suas capacidades de transmitir pistas sociais.

Os estudiosos da Teoria da Presença Social estavam interessados em como diferentes graus de pistas sociais invocavam diferentes sentidos de comunicação com uma pessoa autêntica durante interações síncronas.

A presença social é um fenômeno psicológico relacionado em como os interactantes percebem uma ao outro, não um característica de uma mídia. Entretanto, a percepção da presença social foi atribuída às pistas não-verbais ativadas ou desativadas por meio da mediação, como as expressões faciais, direção do olhar, postura, vestido, aparência física, proximidade, e orientação corpórea. Na comunicação corpo a corpo, eles têm importantes funções. Utilizamos gestos para manter o nosso público sintonizado e para ilustrar nossas palavras. A Teoria da Presença Social foca na percepção dos outros como real e presente.

A Teoria da Riqueza da Mídia está relacionada com a outra teoria, mas ela foca diretamente na mídia. Daft e Lengel definiram a riqueza de uma mídia como sua capacidade de carregar informações, o qual os estudiosos basearam em quatro critérios: a velocidade do feedback (retorno), a capacidade de comunicar pistas (sinais) múltiplas (os), o seu uso da linguagem natural em vez de números, e sua capacidade de facilmente transmitir sentimentos e emoções. Estes focaram na comunicação assíncrona.

Estas duas teorias e trabalhos relacionados de todo esse tempo podem ser considerado abordagens de “sinais filtrados”. Em suas formas mais simples assumem que a comunicação mediada é pobre (magra) e, portanto, impede a capacidade das pessoas para lidar com as dimensões interpessoais da interação.

Porcausa dos interactantes mediados pelo computador serem incapazes de ver, ouvir, e sentir um ao outro, eles não podem usar as pistas de costumes transmistidas pela aparência, sinais não verbais, e características do contexto físico.

A comunicação mediada pode ser melhor do que a interação face a face para algumas tarefas, mas para aquelas envolvendo identidades e sentimentos, a mediação foi retratada como inerentemente inferior.

Os estudos dos sinais filtrados, que examinavam como os sinais reduzidos afetavam as qualidades sociais da comunicação, tinham diversas expectativas. Em primeiro lugar, a mediação tornaria mais difícil manter o alinhamento da conversação e a compreensão mútua. Os comunicadores teriam de trabalhar mais para alcançar o seu impacto desejado e ser compreendido.(p. 54).

Em segundo lugar, porque as pistas da identidade social não seriam aparentes, os interactantes obteriam mais anonimato. Como resultado, as pessoas seriam “despersonalizada”, perdendo o seu sentido do eu e do outro. As mídias seriam menos sociáveis e inapropriadas para os laços afetivos. Por outro lado, o anonimato resultaria numa redistribuição do poder social. Já que não haveria pistas para uma hierarquia (idade, laços afetivos, disposição dos assentos), a participação se tornaria mais uniformemente distribuída através dos membros dos grupos.

(Pag. 55) Essas teorias deram contribuições duradouras para o nosso entendimento dos meios de comunicação. Os conceitos de presença social e riqueza da mídia continuam a influenciar as formas que os estudiosos pensam sobre as consequências da mediação pela interação, e posteriormente tem se tornado peças importantes das estruturas analíticas.

Entretanto, suas expectativas sobre interação social acabou sendo problemática na melhor das hipóteses a às vezes absolutamente erradas. Apesar de suas contribuições, eles ficam aquém como forma de descrever e explicar as consequências sociais da comunicação mediada. Foram bastante criticados por suas abordagens.

(p. 56) A perspectiva que a comunicação mediada é uma forma diminuída da comunicação face a face ignora muitos outros fatores que afetam a comunicação mediada, tais como a familiaridade das pessoas com a tecnologia, se eles já conhecem um ao outro e que tipo de relacionamento eles têm.

O exemplo do antagonismo

Mas mesmo se nós aceitamos que a comunicação face a face fornece um tipo de conexão social que simplesmente não pode ser atingida com a mediação, não se segue que a comunicação mediada, mesmo nas mídias pobres, é empobrecida emocional ou socialmente, ou que o contexto social não possa ser alcançado.

Pesquisas com flaming ajudam a ilustrar como tanto as qualidades da mídia quanto as normas do grupo emergente influenciam o comportamento online do grupo. Nancy Baim demonstra um flame do Usenet de 1993, ilustrando como os flames (trolls) podem ser maligno, mesquinho, insignificante, e ainda entretido. Estas mensagens conduziram a uma “guerra de flame”, no qual os flames são conhecidos com retrucas hóstis. Outros participantes gritam pedindo aos participantes originais para se dirigirem a discussão fora da lista ou ignorar as hostilidades. Geralmente, as pessoas perdem o interesse e a discussão morre. Muitos oferecem na internet tipos de netiqueta. Até certo ponto, está certamente facilitado pelo que os estudiosos da “pistas filtradas” descrevem.

A falta de presença social e accountability em um mídia de pistas reduzidas é visto por alguns como uma plataforma para o ataque. Entretanto, se o flaming fosse causado pelas pistas sociais reduzidas, ele deveria ser muito comum. O flaming é percebido como mais comum do que ele realmente é. Estudos indicam que apenas 0,2% das mensagens eram antagônicas.

(p. 59) O fato é que a maioria das pessoas nos grupos online estão mais propensas a serem agradáveis do que o flame (troll). Ou seja, pistas reduzidas causam flaming, nós também veríamos iguais quantidades de flaming em toda interação numa mídia.

Colocando sinais sociais na comunicação digital

ao invés de perguntar o que a mediação faz para a comunicação, nós também perguntamos o que as pessoas fazem com a comunicação mediada.

As pessoas mostram sentimentos e urgência, divertem-se, e constróem e reforçam as estruturas sociais mesmo nas mais pobres dos meios somente texto.

(P. 60) Devido a esse entusiasmo das pessoas para a comunicação social digital, tem-se criados meios cada vez mais ricos para nos comunicar. Mesmo interação somente texto, podemos fazer a utilização de pistas adicionais, como vídeo, imagens, e voz.

Ainda em 1972, o professor universtário Scott Fahlman propôs que marcas de pontuação pudessem ser combinadas para fazer brincadeiras: :-)

“quebrando” o problema familiar de que seria difícil transmitir informação emocional. Estas faces risonhas, usadas por muitos e insultadas por alguns, se espalhou em léxicos elaborados de emoticons, muitos dos quais mostram sentimentos, mas alguns dos quais são simplesmente lúdico.

Agora, Quando eu digito aquela combinação de pontuação, meu processador de palavras automaticamente traduz na sua representação gráfica. Eles não tem inteirmanente resolvidos os problemas, mas têm ajudado.

Outras formas também existem para transmitir sinais sociais não verbais, como o uso dos asterísticos, letras maiúsculas, e a repetição de letras e pontuações para dar ênfases.

As pessoas também usam palavras ou frases abreviadas para descrever suas reações não verbais nas mídias textuais.

(P. 61) O acrônimo LOL (“lots of laughs” – muitas risadas; ou “laughing out loud” – rindo alto) é também usado mais do que ROLF (“rolling on the floor laughing” – rolando no chão de rir)

Também mostramos a urgência online. A linguagem da urgência é informal, preenchida com grafias fora do padrão, exclusões, vocabulário informal e gírias, saudações, e ouros marcadores linguísticos: “yer” (your); “hahahaha”; “LOL”; “sammich” (sanduíche).

(P. 26)Pesquisas de análise de conteúdo quantitavo em diversos países e universidades em grupos da Usenet, listas BITnet, e CompuServe, descobriram que mais de 20% das mensagens contém humor. Membros de grupos indicaram nas pesquisas da autora e em suas respostas que o humor era um de seus principais critérios para avaliar a qualidade da mensagens e um ao outro.

As pessoas inventam palavras e até mesmo dialetos na interação textual, como “spam”, “flaming”, “blogging”.

Como as pessoas se apropriam das possibilidades das mídias textuais para transmitir pistas sociais, eles constróem identidades por si mesmos, constróem relações interpessoais, e criam contextos socias, adicionando pistas sociais através dos videos compartilhados, fotografias, sons, e outros meios multimedia da interação online que tem se desenvolvido por todo o tempo.

Comunicação Digital como uma modalidade mixada (misturada)

Pode ser mais frutífero pensar da comunicação digital como uma modalidade mixada que combina elementos das práticas da comunicação em conversas encorporadas (embodied) e por escrito.

A linguagem online combina elementos da linguagem escrita e oral com características que são distintas para esta mídia, ou ao menos, mais comum online do que em qualquer outra meio de linguagem.

Baron (2008) discutiu que emails, instant messages, e mensagens de texto parecem mais como escrita do que a fala (ou discurso).

As mensagens podem ser lida por leitores anônimos que podem não responder, e não é possível para os interlocutores se sobrepor um ao outro ou interromper. As mensagens são replicáveis e podem ser armazenadas. Mas, há muitas formas no qual a linguagem online se assemelha à fala. Como vimos antes, os erros ortográficos e exclusões fornecem em primeiro plano a qualidade fonética da linguagem.

O espectro de uma nova forma de linguagem, nem a falada e nem a escrita mas ambos, levantam receios duplos sobre a degeneração da conversação falada e linguagem escrita. Artigos de jornais tem preocupado, por exemplo, de que trocas breves do Instant Messaging deixará uma incapacidade de conduzir conversações face a face, ou ortografias e pontuações não padrões dizimarão a gramática como nós a conhecemos hoje. (exemplo da Finlândia)

Professores na Finlândia, onde as mensagens de textos estão cheias de finlandês não padrão, preocupam-se sobre as consequências negativas para a escrita dos estudantes, ecoando preocupações no ouvido aparentemente de todas as nações que usas estas mídias. Evidências insuficiente até agora não oferecem fortes razões para preocupações. A linguagem da interção mediada é, no máximo, uma real variação dialética muito menor.

O discurso do medo e da linguagem pode ser entendida como parte de uma reação cultural ao crescimento informalmente da vida pública. Os computadores não são a causa das práticas e atitudes da linguagem contemporânea, mas como impulsionadores, eles ampliam as tendências em curso.

Qualquer exemplo de uso da linguagem digital depende da tecnologia, da proposta da interação, das normas do grupo, do estilo de comunicação dos grupos sociais offline dos falantes, e da idiossincrasias dos indivíduos. Não há “linguagem digital” padronizada.

Influências contextuais na comunicação online

A autora discorre sobre como o gênero e a cultura desenvolvem falas on-line, e como contextos sociais moldam e são moldadas por uma comunicação mediada.

Gênero

Discursos iniciais da internet sugeriam que o gênero pode parar de ser significativo num mundo cibermediado, ou que pode ser inteirmante reiventado.

Muitos pesquisadores tem comparado as mensagens mediadas de homens e mulheres e concluíndo que o gênero influência a interação mediada assim como influência na comunicação não mediada.

A maioria dos estudos da comunicação de gênero descobriu que homens e mulheres são muito mais similares do que diferentes em suas comunicações, mas mulheres tendem mais às dimensões relacionais da conversação enquanto os homens são criados a se especializarem nas dimensões informativas.

As diferenças de gênero persistem online. O mesmo acontece com o sexismo. Mulheres com posições não populares são rotinamente atacadas por serem mulheres, enquanto homens com ideiais não populares são atacados por suas ideias. As mulheres são retratadas como objetos sexuais.

Cultura

Para a autora, os tópicos da identidae cultural, incluindo nacionalidade, linguagem, e raça e etnia não estão recebendo atenção dos estudiosos das novas tecnologias.

Lisa Nakamura (2002) e David Silver (2000) tem dado atenção de como a raça é representada ou apagada através das interfaces dos espaços online. Muitos sites online fazem o usuário selecionar genêro, mas não raça. Isto pode ser interpretado como uma rasura de uma divisão social desnecessária. Isto pode tambéms ser interpretado uma concepção que a maioria dos usários são Brancos.

Espaços online frequentemente oferecem estereótipos altamente retratáveis. Os homens asiáticos, por exemplo, estão frequentemente empunhando espadas ou são nerds. As mulheres asiáticas, tão frequentemente sujeitas da pornografia onliine, frequentemente aparecem como brinquedos sexuais passivas.

A identidade cultural também se manifesta através da linguagem que nós usamos. A influência e propagação do Inglês online permanece desproporcional a seus falantes. Até recentemente a escrita online era restrita ao conjunto de caracteres ASCII, o qual foi projetado exclusivamente para o alfabeto latino. Com o advento do Unicode, as pessoas podem agora escrever outros alfabetos.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.