Personal Connections in the Digital Age | Capítulo 4 | Comunidades e Redes

No quarto capítulo de mais este livro estudado pelo GITS | UFBA, intitulado Personal Connections in the Digital Age, a autora, Nancy Baym, discorre acerca das Comunidades e Redes. De início, Baym afirma que depois da invenção dos sistemas de comunicação um-a-um, os desenvolvedores da internet quase não investiram tempo na criação de plataformas para comunicação de grupos. Segundo ela, o advento dos sites de redes sociais, no início dos anos 90, fez surgir outra plataforma para grupos e, simultaneamente, impôs desafios para os grupos online, já que impulsionou fronteiras mais tênues entre as redes de indivíduos conectados.

Nesse sentido, Baym destaca que muitos grupos online desenvolveram um forte sentimento de pertencimento. Esse sentimento serviu de base para a criação de novos relacionamentos, já que pessoas de diferentes localidades encontraram-se, de forma síncrona e assíncrona, no intuito de discutir assuntos de interesses comuns, de desempenhar papeis ou simplesmente de conviverem juntos. Membros desses grupos passaram a se chamar de “comunidade”. A autora relembra que em 1993, Howard Rheingold cunhou o termo “comunidade virtual”, na qual as conexões pessoais transcendiam em tempo e distância, criando novas formações sociais. O termo comunidade foi criticado por muitos autores e Baym menciona, em especial, os seguintes: Lockard (1997) e Stoll (1995).

Os objetivos do capítulo, apresentados logo no início do texto são: (1) Analisar como os indivíduos organizam-se em grupos e redes online, (2) entender o que significa, de fato, afirmar que as pessoas compõem uma “comunidade” e no que implica a aplicação do termo para um grupo online, (3) explorar como as redes sociais propiciam conexões mais pessoais e difusas, ainda que centralizadas e (4) analisar de que forma o uso das mídias digitais parecem afetar a participação em comunidades locais (engajamento civil e político).

Comunidade Online

Nesse tópico, Nancy Baym questiona o conceito de comunidade em ambientes digitais. O que significou para o Youtube, por exemplo, inserir, em sua barra de navegação, o termo “comunidade”? Estariam todos os usuários unidos num único grupo comum, simplesmente através do uso do mesmo site? Seria isso uma “comunidade”? A autora apresenta outros exemplos, nesse sentido.

Então, Baym afirma que basta dar uma olhada um pouco menos superficial em qualquer plataforma online para ver que as definições de base tecnológicas de comunidade caem por terra, ao se depararem com a variedade de grupos que existem ali. O Youtube está longe de ser um coletivo único, afirma a autora.

Nancy Baym ressalta que para classificarmos qualquer grupo de base digital como comunidade, é importante, antes, escolhermos o conceito de comunidade que se pretende adotar. Vale lembrar que, como mostra a própria autora, os autores discordam quanto ao significado do termo. Ela argumenta: desde que o sociólogo Ferdinand Tonnies definiu comunidade como sendo uma condição essencial para o desenvolvimento de vínculos sociais próximos e primários, ninguém mais conseguiu atualizar outras definições.

Baym explica que ao invés de debater qual definição de comunidade interessa mais, ela prefere identificar cinco características encontradas nos grupos online pesquisados, a saber: (1) Noção de espaço, (2) Práticas comuns/compartilhadas, (3) Recursos/meios comuns e apoio/suporte, (4) Identidades compartilhadas e Identidades compartilhadas e (5) Relações interpessoais.

Redes

Até este item, a autora concentrou-se em grupos com fronteiras claras e definidas, localizados dentro de um site ou numa mesma lista de endereços. Nesse contexto, as mensagens chegam para todos do grupo e a comunicação um a um permanece apenas no âmbito dos bastidores, conduzida por mensagens privadas ou chats.

Com o advento dos sites de redes sociais, algumas questões são transformadas, conforme pontua Baym: acontecem mudanças das comunidades com vínculos fortes/apertados em direção ao crescente “individualismo em rede”, em que o indivíduo “senta” no centro de sua própria comunidade pessoal (Wellman, Quan-Haase, Boase, Chen, Hampton, Diaz).

Em comunidades online “tradicionais”, as mensagens estavam disponíveis para todos do grupo. Em sites de redes sociais, por outro lado, as mensagens são lidas apenas pelas pessoas que fazem parte da rede individual daquele usuário – que é apenas uma pequena parcela do total de membros do site. As únicas mensagens disponíveis para todos são aquelas disponibilizadas pelo próprio site de rede social. Nancy Baym afirma que as redes sociais são egocêntricas: não existem dois usuários de sites de redes sociais que acessam as mesmas mensagens ou pessoas, fazendo com que cada experiência seja única.

A discussão continua, já que a autora estudada afirma que não apenas os indivíduos organizam-se em redes online, mas os grupos também. Nos últimos anos, nós assistimos os grupos distribuírem-se pela internet em interconexões de sites, redes sociais e outros domínios diferentes. “Coletivismo em rede” é como Baym denomina tal questão: um grupo de pessoas que se relaciona em rede através da internet e de outras mídias móveis, criando uma identidade de grupo compartilhada, mas ao mesmo tempo dispersa/distribuída. Ex. fãs de música independente se organizam em blogs, sites de redes sociais diferentes.

Esse fenômeno faz com que os membros das comunidades compartilhem mais tipos de mídia uns com os outros e interajam de uma maneira mais ampliada, embora imponha novos desafios sobre como mantê-los unidos, de fato – e não apenas como uma soma de pequenas partes. Quando não há um único ambiente compartilhado, a metáfora de espaço se dissolve/separa/desfia. Comunidades organizadas através de múltiplos sites não se sentem num “lugar”, diz Baym.

Práticas compartilhadas tendem a se enfraquecer, já que o indivíduo deve se ater às normas de cada ambiente  – youtube, facebook, twitter, por ex. Normas consideradas como padrões de comportamento ideal também tendem a se diversificar. Identidades são difíceis de serem desenvolvidas. Os indivíduos podem, frequentemente, assumir papeis em um determinado ambiente digital, mas não em outro, o que acarreta uma dificuldade de regularidade de comportamentos.

Compromisso/engajamento com a comunidade local

A autora discute, nesse tópico, que os grupos online e redes são acusados de trazer homogeneidade para os grupos e são muito fáceis de serem deixados. Essas críticas normalmente enfatizam que o engajamento em comunidades virtuais ou em sites de redes sociais reduz o engajamento em outras comunidades, mais diversificadas e mais significativas.

Além disso, Baym propõe uma reflexão-polêmica ao afirmar que a participação em interações digitais afeta o engajamento em comunidades geográficas. Por fim, a autora diz que tudo isso é difícil de se avaliado. No final do capítulo, Baym discute o engagamento civil e o engajamento político nas redes. Segundo a autora, é comum mensurar o engajamento civil das pessoas através da pergunta: quantos vizinhos você, de fato, conhece? Ela também afirma que usuários de Wifi prestam menos atenção ao seu entorno. Por outro lado, mesmo com cabeças baixas, conheceram pessoas nesses locais públicos.

Sobre o engajamento político, Baym pontua que alguns críticos dizem que o engajamento político de se levantar da cadeira e ir às ruas foi substituído pelo engajamento digital, criando uma “ilusão” de participação política. Depois, a própria autora enfatiza que o twitter emerge como um meio de organizar pessoas durante protestos.  Sobre tais assuntos, Nancy Baym não se posiciona, embora sugira algumas provocações.

Thais Miranda

Thais Miranda é doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas (POSCOM/UFBA), com estágio doutoral na Université René Descartes, Paris V, Sorbonne (2013/2014) . É mestre em Administração (2010) e possui graduação em Comunicação Social (1999). Dedica-se à pesquisa sobre pornografia digital amadora e interações em ambientes digitais.

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