Para Lev Manovich o software é a mensagem

Se embasando e, ainda, parafraseando McLuhan, Lev Manovich declara que “o software é a mensagem”. Ele diz, que apesar de McLuhan ter citado os computadores em seu livro “Understanding Media: The Extensions of Man” (1964), este não se focou nesses equipamentos. Obviamente por não se tratarem de algo ainda difundido amplamente na história humana. Entretanto, após a difusão dos computadores e da Internet, Manovich declara que o software passou a ser uma das principais mídias.

Diante de sua abrangência, o termo “softwares”, supera, segundo Manovich, o termo “computadores”, uma vez que o primeiro, está em vários outros dispositivos que são utilizados no nosso cotidiano. Os softwares vêm substituindo muitas tecnologias que criam, armazenam, distribuem artefatos culturais, além da comunicação interpessoal, contudo, Lev Manovich indica que pouco se falou de software enquanto uma categoria teórica, visto que o software é uma representação do mundo que cria a interfase entre a imaginação humana e o mundo, adicionando a este uma nova dimensão para os objetos culturais.

Para o teórico, reduzir os estudos de software apenas às práticas de programação, ideologias e valores dos programadores e das entidades da área não representa tudo o que se pode abranger sob os softwares culturais. É necessário entendê-lo enquanto uma dimensão que modifica e adiciona à cultura, assim como McLuhan (1964, p. 24 apud MANOVICH, 2014, tradução nossa) afirmou que a “mesagem de qualquer meio ou tecnologia é a mudança de escala ou de ritmo ou de padrão que ela introduz nos assuntos humanos”.

Entretanto, para Manovich a atual hegemonia do software não apenas ilustra, mas também modifica essas ideais. Inicialmente, com a popularização dos computadores e da computação, o foco dos profissionais era a criação de softwares e estruturas computacionais; depois veio a programação em termos de atividade cultural e, por fim, entrou em evidência a produção de conteúdo sobre sistemas computacionais interativos. Segundo o autor, é o que acontece com empresas como o Facebook e o Google, que investem em seus sistemas e enquanto os usuários geram conteúdo e se comunicam.

Em síntese, Manovich diz (em tradução nossa) que “é hora de atualizar o ‘Understanding Media’. Já não é o meio, que é a mensagem de hoje. Em vez disso, ‘o software é a mensagem’. Continuamente, a expansão do que os seres humanos podem expressar e como eles podem se comunicar é o nosso ‘conteúdo’.”

Referência:
MANOVICH, Lev. Sofware is the message. In: Journal of visual culture. Vol. 13 (1) 2014, p. 79-81. Disponível em: <http://m.vcu.sagepub.com/content/current>.

OBS: Esta edição do Journal of visual culture teve como objetivo comemorar os 50 anos da citada obra de McLuhan.

Mônica Paz

Mônica Paz é doutora (2015) e mestre (2010) pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na linha de pesquisa sobre Cibercultura, da FACOM/UFBA. Bacharel em Ciência da Computação pelo DCC/UFBA (2007). Entusiasta do movimento Software Livre, já colaborou em diversos eventos dessa comunidade e também com a Revista Espírito Livre.

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