Para colecionar lugares, Everplaces


No Everplaces, os usuários criam murais públicos de lugares segundo seus gostos particulares

A ideia de criar e compartilhar coleções parece ser mesmo tendência na Internet. Depois do Pinterest e sua proposta deliberada de criar murais públicos relativos a interesses particulares, agora é a vez de os lugares serem colecionados. Seguindo um visual similar ao do Pinterest, foi lançado recentemente o Everplaces, um misto de aplicativo e rede social cujo mote de ação é justamente o de realizar anotações sobre os lugares e compartilhá-las com os amigos.

O funcionamento do serviço é simples: criam-se listas de lugares com base em algumas perspectivas de uso daquele espaço – arte, natureza, comida, esporte etc. A partir daí, os usuários montam coleções correspondentes a suas próprias mobilidades, gostos e preferências gerais.

Outro ponto a se ressaltar é que o funcionamento do Everplaces, à maneira do Google Hotpot, é baseado em conteúdo gerado pelo usuário. Ou seja, as listas, a priori, não seguem estilos ou critérios consagrados por uma imprensa especializada, prática que supostamente daria vazão àquilo que tem significância para pessoas ordinárias – nessa perspectiva, não apenas o Cristo estaria documentado, mas também aquele sebo ou aquele restaurante deveras desconhecido podem ganhar alguma visibilidade midiática. Devemos, contudo, pensar em possíveis agendamentos turísticos e uma consequente inclinação ao que se registra e como o lugar é manipulado na rede.

Embora seja bastante cedo para se afirmar, a princípio não se pode dizer que o Everplaces seja mais uma ferramenta a tentar retirar o trono do Foursquare. Não existe nesse serviço uma proposta de competição – toda a dinâmica parece fundar-se numa exposição da intimidade voltada à constituição de um perfil público. Além disso, não se realizam checkins, simplesmente, nem se busca uma alta mobilidade pelo espaço urbano atrás de novas badges ou prefeituras – embora, vale lembrar, a capacidade de se mover dentro da própria cidade ou de viajar por outras seja significativa quanto a um status socioeconômico, por exemplo. Ainda assim, parece residir no conceito central do Everplaces a noção básica de experimentar o lugar e as sensações que apenas a efetiva presença material nos dá – e aí, sim, a partir dessa experiência locativa, fazer emergir um conjunto de dados relativos àquela localização específica.

por Paulo Victor

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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