O Rock in Rio online – #RiR

Alguns dos assuntos mais frequentes nas Redes Sociais, especialmente no Twitter, nos últimos dias, têm sido as apresentações dos artistas na edição do Rock in Rio deste ano. Para além da multidão que se aglomera em frente aos palcos, um número provavelmente ainda maior de pessoas tem acompanhado os shows pelo canal a cabo Multishow e, coletivamente, por meio da Internet. Tem sido comum que, simultaneamente às apresentações, usuários do Twitter troquem impressões, fazendo críticas, elogios e observações gerais sobre os artistas, as performances e sobre a própria cobertura televisiva, criado uma espécie de platéia online para o Rock in Rio 2011. De fato, mais do que a mediação da experiência, temos também, neste caso, o compartilhamento da experiência, por meio das tecnologias digitais.

Um aspecto que podemos pensar, a partir deste fenômeno, é como as tecnologias podem proporcionar mudanças profundas em determinadas atividades humanas. Certamente, a Internet não inaugura agora a possibilidade de indivíduos testemunharem eventos, ao mesmo tempo e à distância. Porém, temos aqui a ampliação desta possibilidade para outro grau, realmente sem precedentes. Ao que podemos verificar, é algo de valor, para as pessoas, não apenas assistir à transmissão de um evento, mas também fazer disto uma experiência estética coletiva, uma partilha das sensações e do prazer, um ‘sentir junto’ em termos maffesolianos. A socialização da atividade, particularmente, por meio das tecnologias digitais, pode permitir então, não apenas outra forma de realizar uma velha prática, mas outra experiência – qualitativamente diferente.

Nomes de artistas e de músicas, ou referências a eles, têm ocupado boa parte dos Trending Topics brasileiros, e a relevância do acompanhamento, via Twitter, do Rock in Rio, fez-se sentir também em outros veículos midiáticos e, de alguma forma, no próprio evento. Foi o caso da apresentação da cantora Cláudia Leitte, fortemente ridicularizada na Rede Social, por meio de hashtags depreciativas e comentários de reprovação. Por sua vez, a cantora reagiu em seu blog pessoal, atacando aqueles que a criticavam, com analogias ao nazismo e reivindicando ser vitima de preconceito e incompreensão. Vários veículos de comunicação, mais tradicionais, como o grupo Folha, repercutiram o ocorrido. Este é um caso que representa, a rigor, uma nova ecologia midiática, em que as mídias online têm papel marcante e cada vez maior. Seguramente, não num sentido de substituição das mídias tradicionais, mas de convivência, convergência e influências recíprocas entre mídias.

Neste ambiente tecnológico, possibilidades são ampliadas, a realidade é complexificada, e temos uma diversidade de modos para as atividades humanas. O digital, desta feita, não introduz experiências inéditas, mas remodela e reconfigura, em muitos aspectos, nossas práticas. Dada a subjetividade humana, os usuários do Twitter terão variados níveis de envolvimento e atribuirão diferentes significados ao acompanhamento online dos shows. Particularmente, não vejo como algo que se aproxime da experiência local. Aliás, em vários momentos sentia a sensação de querer ‘estar lá’, ou seja, de vivenciar a experiência in loco, fisicamente. Mas a presencial não é a única forma ‘real’ de vivenciar a experiência – em oposição à virtualidade designada às práticas online. Temos aqui uma experiência não menos real e, seguramente, de alto valor emocional e subjetivo para muitos usuários. De todo modo, este compartilhamento tem garantido um sabor todo especial ao #RiR.

2 comments to “O Rock in Rio online – #RiR”
  1. Tentei na minha tese demonstrar com essas interações fazem parte de uma compreensão maior do lugar na comunicação. Venho chamando essa “ecologia” e “convergência” midiática de um resultado das combinações de quatro formas de comunicação baseada no estudo do lugar: a Local, a Situada, a Global e a Locativa. Como bem lembrou meu amigo Thiago Falcão e muito bem colocado nesse post, o que pdemos ver nessa experiência marcante do Rock in Rio é a conjugação de duas dessas formas, a Situada e a Global. Resumidamente, a Situada está relacionada com os veículos de massa e a Global com a internet e os artefatos digitais móveis. Logicamente não quero aqui criar outro post, mas quem se interessar, o trabalho está disponível no scribd. com na conta Macello Medeiros. Abraços!

  2. Caro Marcello,
    muito interessantes suas categorias para pensar as formas possíveis de comunicação, considerando o lugar. Justamente, tivemos neste caso uma conjunção entre os veículos de massa e a web. Legal saber que o texto pode dialogar com a sua pesquisa. Obrigado pela indicação de leitura e pelo comentário!
    Abraços

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