O que dados locativos interacionais podem nos dizer?

Partindo da assunção de que Foursquare, Facebook Places e similares são grandes amontoados de rastros (georreferenciais, especificamente), o que é possível apreender das cidades e seus habitantes a partir do uso de redes sociais baseadas em localização? É possível generalizar as atuações ou “culturas” observáveis? Qual o ponto de validade desses dados?

Algumas respostas nesse sentido são trazidas no blog VINTLabs: baseado na fala que o funcionário do Foursquare Blake Shaw fez no evento DataGotham, o texto convida o leitor a lançar foco, dentre outros destaques, a similitudes ou diferenças entre partes constituintes do território de uma cidade, o que, em tese, traria novos horizontes para o planejamento de políticas públicas ou mesmo para a iniciativa privada (a princípio, parece ser essa última a que tem mais vantagens). Um olhar funcionalista, pois, sobre a cidade, os habitantes e suas ações, ao modo como a cartografia dez ao se aliar à estatística atrás de relações entre fenômenos e espacialidade, a exemplo de crimes, doenças, níveis educacionais e econômicos.

Haveria, assim, algum ponto diferenciador entre os dados do Foursquare e outras formas de big data? A priori, parece que sim. O texto do VINTLabs nos coloca diante de uma constatação: enquanto rede social, o serviço “sabe” quem são seus amigos, o que eles fazem, para onde vão. Por meio do cruzamento de laços, é possível ter outras visualizações sobre a mesma cidade: o modo de vivenciar ou passar por zonas, a maneira como alguns lugares passam a ganhar destaque em detrimento de outros, o processo de afirmação de certos simbolismos, as formas de “viralização” das localizações a partir de certas ações grupais… Essas são certamente algumas questões que podem ser minimamente contempladas ao se observar os dados que redes locativas como essa podem dispor – ainda que de maneira recortada e enviesada.

É claro que o modo de olhar para esses dados é outra imensa questão. Por exemplo, é preciso se perguntar em que medida elas correspondem a uma disposição mais genérica de dada população. Potencialmente, entretanto, nos bancos de dados do Foursquare encontram-se milhões de registros que, no fundo, sempre se rementem ao que somos. Conseguir olhar para eles e saber extrair aspectos de sociabilidade (físicos ou midiatizados) talvez seja um grande passo para a compreensão de processos interacionais – testemunhados tanto em rede quanto presencialmente.

Para uma compreensão melhor das possibilidades, fica a recomendação de leitura do texto completo.

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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