O luxo com apenas um clique: Os blogs de moda e a sociedade do consumo

É inegável o crescimento dos blogs relacionados à moda nos últimos anos. Nestes espaços, adolescentes compartilham gostos, opiniões sobre produtos, marcas e indicam para os leitores o que estes devem consumir. Porém, é possível perceber nestes espaços, que as sugestões de marcas e de lojas on-line associadas aos seus anunciantes, possuem valores distantes do que é considerado possível para a atual classe média brasileira. Consumir determinadas peças que foram sugeridas por uma blogueira de moda tornou-se desejo de centenas de adolescentes, que buscam estar inseridos em um determinado ciclo para adquirir o tão almejado “status social”.

A Internet tornou-se um reflexo social desta questão. Com a visibilidade desses blogs crescendo em um ritmo acelerado, as indústrias do consumo não perderam a chance de lucrar: buscaram facilitar para as leitoras formas fáceis e rápidas de adquirir produtos indicados pelas blogueiras. É ter o luxo com apenas um clique. Ao pensar nesta lógica, é possível articular esta realidade com o que é apresentado por Lipovetsky (2007), que afirma que “o que o luxo diz é que o homem não se contenta apenas com a satisfação de suas necessidades naturais. Há, acima de tudo, uma busca de excesso, de ultrapassamento da simples naturalidade”. O autor ainda demonstra que na sociedade do hiperconsumo, ainda existem classes econômicas, porém estas se encaixam em apenas uma cultura de classe, ou seja, todos possuem as mesmas aspirações, que são consumir as mesmas marcas e os mesmos produtos, tornando-se este o sentido da vida de muitas pessoas.  Porém, ao pensar no público alvo destes blogs que são em sua maioria adolescentes,  também torna-se fundamental refletir de que forma isso afeta e se torna prejudicial para seu desenvolvimento.

Bianca Orrico

É psicóloga, graduada pela Universidade Salvador. Atua na Safernet Brasil em um canal gratuito que oferece orientação para esclarecer dúvidas, ensinar formas seguras de uso da Internet e também orientar crianças e adolescentes e/ou seus próximos que vivenciaram situações de violência on-line. Tem experiência em acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Realizou pesquisas sobre adolescentes, redes sociais e tribos urbanas.

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