No Sense of Place – Capítulo 3

3 – Media, situations, and behavior

Nesse capítulo, o autor começa falando que situações são comumente definidas em termos de comportamentos em lugares físicos. Tais lugares continuam sendo importantes, embora devemos pensar no lugar como uma sub-categoria na noção de uma situação social.

A noção de regiões de frente e fundo está ligada à existência de lugares físicos, e para Meyrowitz não é apenas o lugar por si que define a situação, mas os padrões de informação que circulam. Não se trata do lugar pois dessa forma ao estudar as comunicações mediadas estaríamos negando o que Meyrowitz chama de padrões de acesso a informação, o ponto principal para o autor. A informação aqui estaria centrada no comportamento decorrente do contato com as performances dos indivíduos.

As noções de situação e informação, se consideradas juntas, estariam dando conta de uma separação dos estudos das interações face-a-face e das comunicações mediadas. E o conceito de sistemas de informação daria conta de perceber as ocasiões em co-presença físca ou mediada como parte de um continuum.

3.1. New media, new situations

Existem fluxos de informação paralelos, baseados em como a mediação pode criar cenários de interação tanto baseados na localidade quanto na mediação de alguma tecnologia – como a conversação por telefone, que cria mais de um ambiente.

Embora ambientes ao vivo ou mediados sejam diferentes, no geral podem ser analisados utilizando-se de princípios similiares. Mesmo que seja importante saber a quem se fala num ambiente em co-presença física, é necessário também se saber no ambiente mediado.

3.2. New situations, new behavior

A habilidade que temos para conhecer cada um está localizada às ocasiões que são também criadas pelos ambientes, como se convencionou perceber. Dessa maneira, paciente e médico podem, por exemplo, assumir um comportamento estranho se, ao invés de um ambiente hospitalar, estiverem juntos numa festa. Tal fato ocorre pois, segundo Meyrowitz, é difícil responder em uma situação como se estivéssemos envolvidos em outra. Por isso que dizer para algúem que “deve comer pois existem pessoas na África passando fome” não causa um impacto e tem um poder na moral do indivíduo; isto porque não conseguimos ter a noção do que seria aquela situação, e dessa maneira não teríamos como dar conta.

Para Goffman as situações e seus papéis já estão mais ou menos estáveis, bastando ao indivíduo saber ter o controle do lugar e dos envolvidos. O que tem interessado aos situacionistas, que desenvolveram suas pesquisas a partir das ideias do autor supracitado, é entender como essas situações podem sofrer entraves e como podem ser reparadas. Porém, Meyrowitz pontua a ausência de uma percepção sobre determinadas alterações e entraves que tornam-se permanentes, a exemplo do impacto das novas mídias na alteração das fronteiras das situações. São essas alterações que o autor, a partir daqui, trata no entendimento das regiões de frente e fundo, que a estas se somariam novas regiões.

Visible situation patterns

A realidade social não existe como a soma dos comportamentos das pessoas, mas nos padrões gerais dos comportamentos situados. Quando é quebrada uma fronteira que divide duas situações, estas não se somam, mas a realidade de ambas se altera. Sendo assim, o comportamento em um ambiente é formatado pelos padrões de acesso e restrição às informações sociais disponíveis.

Um fato que pode determinar o quanto uma situação está isolada da outra é justamente o tipo de fronteira (e sua força) criada entre ambas. Ao alterar as fronteiras das situações sociais, a mídia não apenas nos proporciona o acesso a comportamentos de maneira mais ágil, mas nos proporciona novas ocasiões e novos comportamentos.

The need for a single definition

A definição da situação ajuda a determinar a postura, a roupa, as estratégias, o humor etc. Pelo fato de existir esses scripts, teríamos com isto uma única definição primária de cada situação social. A existência de uma única definição primária ajuda a entender o que acontece quando uma situação surge ou se divide. Enquanto desajustes numa situação causam confusão em sua definição, desajustes a longo prazo faz emergir novos padrões de comportamento.

Quando, por exemplo, dizemos que um indivíduo adota papeis consistentes, entendemos que ele é situacionalmente consistente. Dessa forma, não estamos exigindo uma consistência no comportamento entre situações.

Para Meyrowitz, é importante observar duas concepções gerais com relação às definições da situação. A primeira é que os padrões de comportamento se dividem em várias pequenas definições em cenários distintos; a segunda é que quando dois ou mais cenários se combinam, essas definições distintas se combinam também uma nova definição.

“Middle”, “Deep back” and “forefront region” behavior

Meyrowitz passa assim falar de novas regiões decorrentes da comunicação mediada, que estariam demandando situações novas a partir da combinação de situações anteriores.

Goffman comumente é utilizado para dar conta das regiões de frente e fundo decorrentes das novas mídias, na apreensão de que qualquer aspecto do ensaio visível a uma audiência pode ser integrado ao show, enquanto qualquer bastidor permanece escondido e pode ser utilizado para se aprimorar a performance. Ao utilizar essas duas acepções de região, um novo comportamento surge a partir da combinação destas, chamada aqui de comportamento na região do meio. E os dois novos tipos de comportamento que resultam da divisão desta situação podem ser chamados de comportamentos de “região de fundo profunda” e de “região de primeiro plano”.

Esse comportamentos em uma região intermediária ocorre quando a audiência pode ter acesso a partes de um tradicional bastidor com partes de um palco – eles observam o performer saindo do bastidor em direção ao palco. Porém, carece dos extremos, quando um performer adquire um completo isolamento da sua audiência. O controle sobre o momento de relaxamento dos papéis e dos ensaios existentes na região de fundo está agora enfraquecido.

Essa região trata-se de um novo comportamento da região de frente, ao ponto que passa a ser a região de acesso ao indivíduo. Tem, dessa forma, um viés para a região de fundo devido ao fato de que certos aspectos de nossas vidas não podem ser evitados, como nossas necessidades básicas – comer, dormir etc. Por um breve período, algo comum a uma região de fundo passa a assumir a performance de uma região de frente. Quanto mais o ator não consegue controlar a privacidade sua, mais a região de fundo se revela como a de frente.

Quando a situação se divide em mais de duas regiões distintas, os comportamentos em cada esfera se tornam mais específicos e extremos. Então, a ideia de que não existe uma performance calculada, de que as pessoas são “espontâneas” na exibição de si, é parte de muitas performances sociais, sendo assim importante que a audiência não se preocupe com tentativas de esconder informações de região de fundo.

The interdependence of all behavioral systems

O autor conclui o capítulo dizendo que a dicotomia frente e fundo é muito simples, e não consegue mais dar conta da existência de várias regiões decorrentes de uma comunicação mediada. Cada região de frente depende, ao mesmo tempo, de uma multiplicidade de regiões de frente e fundo que precisam co-existir para caso se queira adotar outro papel.

Quanto mais distante for duas ou mais situações, maior a variação dos comportamentos individuais de uma situação para outra. Quanto menor a distância, mais parecido é o comportamento entre as situações. Essas novas regiões seriam, em sua concepção, resultantes das novas mídias, que alteram o modo como os indivíduos se apresentam e, com isto, o estabelecimento de regiões diferentes.

Vitor Braga

Jornalista, professor da Universidade Federal de Sergipe e doutor em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia.

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