No Sense of Place: Capítulo 11

11. Efect Loops

Este capítulo aborda muitos fatores que parecem estar independentes da mídia eletrônica, mas estão relacionados a ela. O tema é trazido pelo autor através de três fatores que parecem ser comportamentos espontâneos, mas que estão intimamente ligados a mídia: (1) Comportamento apropriado, (2) Conteúdo da mídia e (3) Acessos aos lugares.

O autor denomina essas variáveis como Efect Loops por duas razões: (1) Porque eles não só respondem às mudanças na mídia, mas também aumentam seus efeitos. (2) Porque elas atuam para estabelecer um esquilibrio entre os padrões do fluxo da informação e outras convenções sociais. Assim, as três variáveis mudam de forma a retornar o equilibrio estrutural e ao mesmo tempo trazem significativas mudanças. 

The Loop Etiquette

Esta seção propõe uma discussão do comportamento humano no contexto dos meios eletrônicos.

Uma das razões pela qual é difícil ver a relação entre a mídia eletrônica e as mudanças de comportamento é que a mídia não funciona no vácuo. Os meios eletrônicos não são os moldadores finais de mudanças comportamentais.  O comportamento é criado por pessoas.

Os novos meios de comunicação podem afetar quem executa diante de quem, onde e quando as apresentações acontecem e o tipo de controle que pode ser exercido sobre a informação, mas o performer e o público ainda são as pessoas e comportamento ainda é socialmente definido. Novos meios de comunicação podem comprometer a viabilidade de formas de comportamento antigas, mas as novas funções devem tomar forma na interação humana.

Por essas razões, os efeitos da mídia são muitas vezes esquecidos, e as mudanças no comportamento social são muitas vezes vistos como espontâneas “modernizações”. Mudanças na noção de papéis “adequados” e comportamentos, no entanto, muitas vezes podem ser rastreadas até mudanças estruturais na vida social.

Usando o exemplo da televisão, uma vez que uma grande quantidade de informação é compartilhada e, ainda mais importante, compartilhada de forma explícita, homens e mulheres tendem a começar a falar a mesma língua e discutir os mesmos temas e esperar os mesmos direitos e privilégios. Este comportamento é possível através dos sistemas de informação, mas é desenvolvido e reforçado de forma interpessoal.

Tais mudanças também espalham as mudanças entre pessoas e lugares. Dessa forma, o comportamento de crianças e jovens, por exemplo, refletem e ampliam os sistemas de informação fomentados pela mídia, mesmo em lugares em que a mídia não esteja presente.  As novas mídias podem inclusive levar a um comportamento que não é retratada nos meios de comunicação como um todo.

Os novos meios de comunicação, portanto, não só afetam a maneira como as pessoas se comportam, mas afetam também a forma como as pessoas sentem que devem se comportar. Essa mudança de comportamento e atitude potencializa ainda mais os efeitos globais da mídia eletrônica por “retro-alimentação”, além de quebrar as distinções entre os sistemas privados e públicos de informação.

O Loop no conteúdo de mídia

Além de afetar o comportamento, as mudanças na estrutura dos sistemas de informação trazidas pelas novas mídias também têm uma influência sobre o conteúdo da mídia.

Mudanças no conteúdo de mídia e mudanças no comportamento social podem ser relacionadas, não necessariamente devido a uma ligação direta entre elas, mas porque ambas são influenciados pelo mesmo fator: a mudança na estrutura de situações sociais. O impacto da mídia eletrônica em sistemas de informação leva a vários tipos diferentes de mudanças no conteúdo de mídia. (1) Variedades anteriormente distintas de conteúdos tornam-se homogêneas; (2) Novos modelos de comportamento são retratados como o comportamento dos programas; (3) O conteúdo dos programas corresponde às novas formas de informação; (4) A mídia impressa usa a mídia eletrônica como padrão pelo qual determina-se o comportamento apropriado.

 (1) Variedades anteriormente distintas de conteúdos tornam-se homogêneas

Uma vez que todo mundo já viu uma ampla gama de programas projetados a um público específico, o conteúdo dos programas individuais começa a mudar. Há cada vez menos distinções entre “programação dos homens” e “programação das mulheres” ou entre “programas para adultos ” e “programas infantis “.

(2) Novos modelos de comportamento são retratados como o comportamento dos programas

Mudanças na identidade de grupo , socialização e hierarquia causadas pela mudança dos sistemas de informação são retratados na televisão. Os novos comportamentos sociais são veiculados em noticiários, documentários, programas de entrevistas, audiências televisivas e outros programas de não-ficção . Além disso, para atender às mudanças de comportamento, os programas de ficção seguem com uma consciente “atualização” do conteúdo.

(3) O conteúdo dos programas corresponde às novas formas de informação

Em contraste com a imprensa, a televisão não permite controlar o que é “impresso” sobre o que é “comunicado”. O noticiário de TV, por exemplo, não pode deixar de apresentar uma ampla gama de expressões pessoais além dos fatos objetivos. Os programas de televisão transformaram a região dos bastidores como parte do show.

Da mesma forma, competições esportivas televisionadas revelam tanto a emoção do bastidor quanto os feitos atléticos.  Nesse contexto, encontramos também competições esportivas de celebridades, que são apresentadas como entretenimento, com artistas que são apenas atletas amadores.

A região de fundo e de frente fica difícil de ser separada e tais mudanças no conteúdo de mídia e de comportamento podem ser entendidas melhor observando-as em relação às novas configurações sociais criadas pela uso de meios eletrônicos. A mídia impressa usa a mídia eletrônica como padrão pelo qual determina-se o comportamento apropriado.

Uma indicação do domínio da televisão em nossa sociedade é o fato de que a mídia impressa frequentemente imita o tipo e a forma de informação que a televisão proporciona.  A mídia tradicionalmente mais formal agora também vai em direção a questões de “personalidade”.  Novas revistas exploram a vida pessoal de figuras públicas, jornalistas da mídia impressa e estudiosos têm adotado um estilo mais pessoal e subjetivo; jornais frequentemente descrevem eventos de uma forma que simula o que se poderia ter visto e ouvido na televisão.

Goffman propõe a idéia de um repórter como um “dispositivo de monitorização”, sugerindo que jornalistas da mídia impressa agora tentam reproduzir a “sensação” de uma entrevista na televisão .

A “presunção de intimidade”, criado pelo meio eletrônico, tem afetado também as biografias e memórias. A televisão faz a linha tradicional entre as regiões de trás e frontal parecerem artificiais.

Se a mídia eletronica tende a fundir o privado e público e sugerir às pessoas que as distinções tradicionais entre comportamentos públicos e privados são arbitrárias e hipócritas, então os editores de livros, revistas e dicionários se sentem mais confortáveis para fazê-lo.

O que é comum a todas essas mudanças em mensagens da mídia é a relação circular entre a estrutura dos sistemas de informação  e seu conteúdo. Qualquer grande mudança nos padrões gerais de fluxo de informação social afeta o conteúdo de todos os meios de comunicação.

Acesso aos lugares

Apesar de a mídia eletrônica minar a relação entre situações sociais e locais físicos, lugares distintos ainda existem e continuam a ser um lugar importante de muitos tipos de interação. A liberdade de acesso à informação fornecida por si só é muito limitada.

Mudanças nos sistemas de informação, no entanto, tendem a ser seguidas por mudanças nas regras de viagem e acesso aos lugares.

Os meios eletrônicos oferecem a grupos anteriormente isolados uma nova forma de acesso social e movimento. Como resultado, as restrições de acesso físico que antes pareciam normais e necessárias agora parecem arbitrárias e reacionárias. O acesso à informação abre a porta para o acesso físico.

A televisão não apenas desmistifica os lugares expostos nele, mas também promove um novo sentido de acesso e abertura a todos os lugares.

Talvez parte do desejo de isolamento possa ser relacionada com as tendências segregantes de impressão. Uma vez que livros estabeleciam um conjunto de informações que era acessível a adultos, mas geralmente inacessível às crianças, os adultos sentiam uma maior necessidade de distinguir ambientes adultos dos ambientes infantis. Uma vez que os príncipes e sacerdotes podiam ler livros de conselhos (como os de Maquiavel e Gracian) sobre como apresentar-se para os seus públicos, então talvez houvesse um maior desejo de manter a distância e privacidade.

Sendo assim, a mídia eletrônica de hoje pode ter muito a ver com a tendência de menos distinções entre lugares. Se os outros podem ter acesso à informação que você tenta esconder em um espaço físico particular, então há menos razão para manter o isolamento físico.

Sob essa perspectiva, há um elemento comum em muitas mudanças recentes na abordagem do lugar físico. Ex: a fusão de trabalho e espaços de vida, o crescimento de dormitórios mistos, a tendência para escritórios “abertos”, doentes terminais qua morrem em casa, a cama familiar etc. , representa a fusão de situações físicas para combinar a fusão dos sistemas de informação social.

A flexibilidade ea velocidade de “viajar” através da mídia eletrônica promovem uma tendência de flexibilidade e velocidade de acesso a lugares físicos.  O sentido geral da abertura de situações que resultou da utilização generalizada de mídia eletrônica tem dado um sentido negativo a todos os sistemas sociais fechados.

Essas mudanças no acesso e comportamento afetam as concepções de comportamento “apropriado” e as mudanças no acesso local. Assim, comportamento e etiqueta tornam-se os novos sujeitos de conteúdo de mídia e assim a espiral continua.

Ironicamente, no entanto, essas muitas mudanças também obscurecem os efeitos da mídia eletrônica na sociedade. Ao falar das razões para o desenvolvimento de novos comportamentos sociais, muitos observadores apontam para as “modernizações” espontâneas de etiqueta.

Claudia Galante

É mestre pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Especialista em Marketing pela FAE (PR) e graduada em Comunicação Social pela PUC-PR. Atualmente atua no departamento de comunicação social do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Camaçari. Tem experiência na área de Comunicação e interesse nos seguintes temas: mídia, democracia, cibercultura e interações.

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