No Sense of Place: Capítulo 10

10. Questioning Authority

Neste capítulo, o autor foca a informação vinda de televisão e meios eletrônicos de comunicação.

A indefinição de situações de baixo e alto status

A autoridade repousa sobre o controle da informação. Papéis de alto status geralmente dependem do acesso e controle sobre os canais de comunicação dominantes. Não necessariamente aqueles que tem acesso à comunicação terão automaticamente status elevado,  porém para garantir tal status é necessário o domínio dessas habilidades comunicacionais.

As novas concepções de competência de comunicação e novos pré-requisitos para o controle da informação tendem a alterar o poder político e social relativo de pessoas diferentes nos vários setores da sociedade.

Em uma sociedade de impressão, a comunicação “significativa” ocorria através da leitura e da escrita. A mídia eletrônica afeta a hierarquia social de duas formas:  (1) Mudam as habilidades necessárias por parte das autoridades e indivíduos de status elevado (alterando aqueles que podem preencher tais papéis). (2) Mudam o equilíbrio global de poder entre os líderes e seguidores (as habilidades necessárias são agora mais inclusivas).

O olhar e o som é muito mais significativo que o escrever e o raciocinar bem.

Os meios eletrônicos colocam autoridades tradicionais em desvantagem. Através de meios eletrônicos, muitas autoridades que já tiveram uma clara vantagem sobre a média das pessoas agora são muitas vezes colocadas em pé de igualdade ou inferior.

O autor utiliza da analogia das empresas para explicar a questão da autoridade. Os meios eletrônicos afetam as hierarquias tradicionais, alterando a direção e os padrões de fluxo de informações. Em um grau muito significativo, a mídia eletrônica afeta nossos papéis hierárquicos tradicionais. Os novos modelos de gestão exemplificam o fato: “gestão matricial” (executivos respondem a mais de um supervisor)  e “círculos de qualidade ” (grupos de funcionários que trabalham na mesma área se reúnem para discutir e resolver problemas comuns, ao invés de depender de ordens superiores).

Os novos padrões de acesso à informação através dos meios minam as pirâmides do estado que já foram apoiados pela impressão. Pais, professores, médicos, presidentes de corporação, líderes políticos e especialistas de todos os tipos tem perdido o controle que apoiou o status tradicional em uma sociedade de impressão. Agora, essas autoridades são muitas vezes colocadas em posição de explicar ou responder à informação social disponível diretamente através da televisão.

A perda de controle sobre a direção e seqüência do fluxo de informações também levou a um achatamento do status político. Os partidos tradicionais perdem espaço para partidos alternativos.  Os eleitores pouco envolvidos até a década de 50 passam, a partir da década de 60, a participar mais de questões políticas e menos de partidos políticos. Observa-se também um aumento do envolvimento das classes mais baixas.

De todos os papéis sociais, os de hierarquia são aos mais afetados pelos novos padrões de fluxo de informações. A perda de controle de informações prejudica as figuras de autoridade tradicionais. Tal fato pode ser observado na relação paciente e médico. Se um médico não está familiarizado com uma cura milagrosa recente que seu paciente viu na televisão, a hipótese pode ser que ele não seja mais um bom médico. Observamos um aumento súbito de processos por erro médico de todos os tipos. Pesquisas de opinião pública realizadas pelos institutos Gallup e Harris sugerem que muitas pessoas continuam a ter fé em instituições sociais (como o ensino superior, o militar, a profissão médica), mas não nas pessoas que as dirigem.

O que mudou nos últimos tempos não foi necessariamente o “conteúdo de verdade” de notícias políticas, mas o controle político sobre a informação e o controle sobre o controle. Estamos agora mais conscientes da manipulação de impressões públicas.

A alto status é atribuído ao acesso especial e exclusivo à informação. Os chefes de Estado que perdem o controle sobre a informação, por vezes, perderam a cabeça também. Os líderes de hoje, portanto, deve jogar um jogo delicado de tentar parecer aberto e ao mesmo tempo, tentar retomar o controle sobre a informação.

Os novos padrões de fluxo de informação levaram a uma desconfiança geral de autoridade.

A visibilidade dos bastidores e o declínio da autoridade

Os papéis hierárquicos estão abalados não só pela perda do controle sobre o conhecimento, mas também pela fusão entre o público e o privado. Os papéis hierárquicos dependem de artistas que restringem o acesso a suas vidas pessoais. Quando esse acesso é liberado, então eles parecem ser mais como todo mundo. Dessa forma, os meios eletrônicos tendem a minar abstrações tradicionais de status.

A proximidade com a intimidade de nossos líderes envolve um paradoxo fundamental: ao estarmos próximos percebemos que são como nós: comem, dormem, eliminam, compram.

A exposição nos bastidores dos nossos artistas de alto status muda drasticamente o fluxo relativo de informação social. Os líderes tinham fácil acesso aos outros, mas controlavam o acesso aos mesmos. Antes dos anos 1920, a maioria das pessoas nunca tinha ouvido a voz de um presidente ou recebido qualquer evidência direta de sua humanidade ou personalidade. Com este novo fluxo de informação estamos testemunhando mudanças dramáticas em nossas concepções de líderes.

A mudança na estrutura de ambientes de informação é muitas vezes confundido com uma mudança na substância de personalidades e personagens dos indivíduos. A longo prazo devemos ou reestabelecer a distância e mistificação ou redefinir os papéis de status.

 O corte da ligação Território / Status

Todas as mudanças ocorridas nos meios de comunicação afetaram as hierarquias sociais, alterando o fluxo de informação e controle. Mas a mídia eletrônica tem um impacto sobre a hierarquia que não foi compartilhado por qualquer outro meio de comunicação até então: ela ignora a forte relação entre status e território. O controle territorial permitiu o controle das informações dentro de seu território e a utilização da propriedade como um escudo, permitindo bastidores privados.

Territórios isolados continuam a proteger as autoridades, mas a mídia eletrônica ignora uma série de características de status de território. Uma posição física de controle territorial já não garante o controle informacional socialmente significativo.

A dissociação de controle físico e informacional afeta todas as autoridades, quem se pode “ver” ou “alcançar” já não é determinado pela localização física e movimento.

A incapacidade das pessoas de status elevado a isolar-se informacionalmente, isolando-se fisicamente, leva a uma incapacidade de separar as situações e os comportamentos adequados a eles.

Quanto mais a mídia eletrônica mina o status de líderes, mais as pessoas percebem o comportamento de autoridades como autoritário. Dessa forma, tal situação pode envolver questões éticas e filosóficas muito mais complexas do que geralmente se supõe.

A importância decrescente de situações-lugar tem um efeito direto sobre as linhas de comunicação lineares que apoiaram a hierarquia tradicional. As informações vão agora diretamente de líderes nacionais aos cidadãos. Como consequência, muitas pessoas não sabem os nomes de seus líderes distritais ou de membros do Congresso e não reconhecem os seus “representantes” locais. As informação internacionais também atingem diretamente os cidadãos .

O impacto dos meios eletrônicos nas relações internacionais é mais visível em confrontos entre governos.

É importante perceber primeiro a natureza e as dimensões da mudança, antes de julgar se essa alteração na hierarquia é bom ou ruim.

Claudia Galante

É mestre pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Especialista em Marketing pela FAE (PR) e graduada em Comunicação Social pela PUC-PR. Atualmente atua no departamento de comunicação social do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Camaçari. Tem experiência na área de Comunicação e interesse nos seguintes temas: mídia, democracia, cibercultura e interações.

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