Mensagens de texto seriam mais sinceras que conversas presenciais

Quando a questão é a sinceridade das pessoas no diálogo, geralmente tendemos a valorizar a interação face-a-face em detrimento daquela mediada por algum dispositivo estritamente textual. Isto porque acreditamos que no contato offline seria mais fácil perceber, através dos atos não-verbais, em que momento o indivíduo estaria sendo franco ou, em outras situações, estaria mentindo ou omitindo certas informações.

Pois não foi esta a conclusão que se chegou um estudo da Universidade de Michigan, no qual teve recentemente foi publicado os primeiros resultados no The New School. De acordo com o pesquisador Michael Schober, os resultados sugerem que as pessoas preferem falar de informações mais delicadas via mensagens de texto do que em conversas de voz. O principal motivo estaria no caráter assíncrono da interação: eles acreditam que o tempo para pensar antes de enviar uma mensagem faz com que a pressão pela resposta diminua, o que as tornariam mais sinceras.

O pesquisador Fred Conrad se surpreendeu com o resultado, pois acreditava que os usuários temiam revelar informações delicadas em mensagens, já que um registro do que foi falado poderia ser lido por outras pessoas. Mas na verdade a ideia que se tem é que as pessoas ao responderem a algum questionamento numa situação face-a-face têm um maior temor pelas consequências imediatas de uma resposta impopular – que possa vir a pesar rapidamente contra ela.

Diferenças
Já Schober salienta que o problema de pesquisa deles é como o comportamento pode diferir entre as gerações, mais especificamente entre utilizadores de mensagens de textos mais e menos frequentes. E com relação a diferentes culturas, eles admitem que podem diferir “mas como isso pode afetar nas respostas que as pessoas darão nos questionários não sabemos.”

Sendo assim, a percepção é de que embora uma conversa presencial pareça mais autêntica se comparado a uma por SMS, as pessoas teriam uma predisposição maior a contar segredos ou mesmo explicar de forma mais detalhada e honesta nesse segundo caso.

Vitor Braga

Jornalista, professor da Universidade Federal de Sergipe e doutor em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia.

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