Media Rituals: A critical approach | capítulo 6

Live ‘reality’ and the future of surveillance

 

No sexto capítulo, Nick Couldry, inicia destacando que a maior pretensão da mídia é apresentar uma realidade social e traz dois entendimentos sobre realidade:

1-      As incontáveis novas formas de ‘Reality TV’ que têm recebido atenção nos estudos de mídia.

2-      A apresentação de ‘realidade’ associada com o processo de informação em tempo real pelo governo e outros sistemas.

A separação dessas duas deve ser bem gerida, pois há riscos de contaminar o estado ritual da mídia (que requer meios para parecer acima do poder) e é raramente explícita.

É neste contexto que, Couldry, aponta o argumento defendido por Jane Feuer, de que ‘ao vivo’(liveness) seria uma ideologia; um argumento que pode ser utilizado para apresentar a realidade. No entanto, este argumento só surge quando examina a autoridade da mídia de forma mais ampla, abordando as novas formas de governo e o envolvimento da mídia com o processo de mediação conhecido como vigilância.

 

‘Liveness’ as a ritual category

 

‘Ao vivo’ é um termo construído socialmente, não ligado apenas à televisão, mas ligado à afirmação da mídia apresentar uma realidade social. É por isso que apesar do período de ‘Reality TV’, poucas são as imagens de performance ao vivo, mesmo assim o ‘ao vivo’ continua importante, porém o termo mudou sua referência.

Jerome Bourdon argumenta que o ponto de referência para ‘liveness’ deslocou-se para os programas que transmitem eventos reais como eles acontecem, excluindo os programas de ficção. Isto direcionaria a uma representação da realidade.

Couldry destaca uma contradição nesta discussão: Bourdon sugere que veracidade seria um significado mais amplo de ‘liveness’, porém a veracidade do que é transmitido não seria um critério decisivo para ‘liveness’, mas o fato da transmissão ser ao vivo em si. Uma transmissão ao vivo (ficção ou real) pode ser interrompida por uma conexão com acontecimentos reais, ao invés de um posterior retrato dos acontecimentos. E desta forma ‘liveness’ seria construído.

A conexão existente com o status ritual da mídia é clara: a transmissão ao vivo garantiria a potencial conexão de nossas ‘realidades’ sociais compartilhadas. Por conta desta ligação, o ‘liveness’ pode ser chamado de categoria ritual, a qual contribui para o espaço ritual dos meios de comunicação. Estes diversos meios contribuem para esse sentido de que a mídia nos conecta com a nossa realidade comum e corrente. Vale destacar a expansão do ‘liveness’ em novos espaços de mídia (e.g. SMS), inclusive utilizando estes espaços “particulares” como área para divulgações.

Este “liveness” não teria sentido se os meios de comunicação não contribuíssem com a idéia de conexão ao vivo. Se estas tecnologias não substituíssem umas as outras, cada uma delas reclama sua ‘liveness’. E transformam-se a fim de mantê-la.

 Na televisão, esta constante reivindicação pelo ‘ao vivo’ estaria levando sua importância ao declínio (ou descrédito). Entretanto, quando utilizado como garantia de conectividade real para eventos de relevância social, o ‘ao vivo’, seria fundamental. Outro ponto seria o reforço dado ao ‘liveness’ pelo vídeo, na medida em que este ampliaria o espaço temporal em que podemos compartilhar o evento transmitido ao vivo.

O autor apresenta o argumento de John Caldwell que a produção de conteúdo de transmissão ao vivo declinou proporcionalmente ao aumento de canais de reprises de filmes antigos ou clássicos da televisão e com isto o ‘liveness’ teria perdido sua força ritual. Entretanto, Bourdon apontou que os pacotes de TV a cabo possuem ao menos um único canal de notícias ao vivo, o qual, no ambiente multicanal serve para recuperar o território de ‘liveness’.

Independentemente da forma exata que ‘liveness’ toma, o que importa a cerca das críticas à ideologia de ‘liveness’ é a sua ligação às categorias de mídia para as mais amplas relações de poder. Segundo Brunsdon e Morley, a desconstrução do mito de “nação, agora”, alvo justamente da idéia mítica do ‘ao vivo’, não poderia ter seu impacto ampliado, se repousava sobre o simples fato tecnológico. E sua importância estava sobre uma cadeia de idéias:

1-      Que temos acesso através do ‘liveness’ a algo de significado mais amplo, valeria a pena ter acesso agora e não mais tarde;

2-      Que o “nós” que ganham acesso ao vivo não é aleatório, mas um representante de grupos sociais;

3-      Que a mídia (nenhum outro mecanismo social) é o meio privilegiado para obter acesso.

‘Liveness’ é, portanto, uma construção social, um objeto, uma crença, segundo Bourdon. Mas já que é geralmente tratado como “natural”, é também ideológico.

‘Liveness’ naturaliza a idéia de que, através da mídia, conseguimos uma atenção compartilhada com as realidades que importam para nós como uma sociedade. A mídia como quadro social do mito do centro mediado (a sociedade como um espaço comum focado em torno de um centro de ritual compartilhado) e por isso faria sentido assistir algo ao vivo.

Para Jane Feuer, a idealizar a televisão como instituição, não como ideologia política, traz a tona um problema com a tradição crítica ideológica de entretenimento que foi como ligar o ‘conteúdo’ do texto de TV ou filme para os processos sociais mais amplos. (Círculo hermenêutico).

Talvez uma maneira de sair deste círculo hermenêutico seja o conceito de ritualização. À medida que “‘liveness’ suprime contradições” através de suas operações como categoria ritual, é que neutraliza a noção hierárquica de que a mídia é nossa ligação privilegiada a um centro social. Contudo, não nos obriga a acreditar em um conteúdo ideológico específico, em vez disso funciona através de padrões de pensamento e ação num espaço mais amplo de ritualização, onde a categoria ‘liveness’ é sustentada.

Segundo Jonh Smith, a importância da transmissão ao vivo no inicio da história da televisão seria a idéia de estar acontecendo agora: “A atração básica não é tanto o assunto que apresenta, mas a realização de que tudo que está acontecendo, está acontecendo no momento”. (pag.100)

Com o desenvolvimento da comunicação, com velocidade suficiente para comunicarmos uns com os outros, foram necessários ajustes da técnica, da sociedade e da economia. Assim, ‘liveness’ não deve ser vista apenas sob o ponto de vista sociológico, mas como uma categoria ritual mantida a certa distância do mito do centro mediado, pois não é neutra já que operações de poder trabalham dentro dele.

 

Mediated reality

Se o ‘ao vivo’, que a mídia pretende oferecer, é uma categoria ritual (uma categoria que contribui para neutralizar o estado ritual da mídia, como um quadro sobre o mundo social) é também a realidade da mídia.

A natureza e o volume de produção televisiva mudaram e existem novos pontos de acesso a realidade (e.g. Web). Essa fase de multiplicação televisiva, cada vez mais, tem se baseado na reivindicação específica de apresentar ‘ao vivo’ e na geração de conteúdos de entretenimento do tipo ‘reality show’.

‘Reality-television’

O autor direciona seu olhar para a análise das principais características do gênero ‘Reality TV’. Em especial, aos programas com formato de documentário.

Diferentes definições de realidade surgem em períodos diferentes

1950/60 – a inserção de ‘pessoas reais’ em programas de TV e rádio, altera a forma de apresentar a ‘realidade’, passando da difusão de um meio social para um meio sociável. Com o aparecimento crescente de ‘pessoas comuns’ tornou-se difícil separar as implicações ideológicas de cada categoria mesmo após edição.

Nos anos 70, mesmo com o desenvolvimento da gravação em vídeo e a melhoria das câmeras baratas, não possibilitou que ‘pessoas comuns’ fossem, mais amplamente, apresentadas na imagem televisiva do mundo social.

Em 1990, acontece a valorização das ‘pessoas comuns’ enquanto produto. O desenvolvimento de uma realidade factual, em paralelo com as novelas, gerou uma reivindicação para apresentar a realidade social. A idéia contemporânea ‘reality show’ surge como uma necessidade de nos conectar com a realidade social compartilhada.

Para Richard Kilborn, ‘reality TV’ envolve:

1-      Gravação durante os acontecimentos da vida dos indivíduos ou grupos;

2-      A tentativa de simular os eventos da vida real através da reconstrução dramatizada;

3-      A incorporação dos tópicos um e dois na forma editada de um programa embalado.

Acontece, então, a explosão da ‘reality TV’ nos mais diversos formatos (polícia, câmera, ação e “você” sendo retratado) são os ‘docusoaps’ (documentários com entretenimento).

A tese básica de que a televisão é um ponto de acesso privilegiado à realidade sem mediação, assim como (em maior ou menor medida) pode ser vista como mediadora da realidade. Para reconhecer esta flexibilidade, observa a televisão game show (e.g. Big Brother).

O formato ‘reality TV’ envolve notícia/documentário puro e ficção. E é essa ambiguidade dos programas ‘reality TV’ que é mais interessante para análise ritual, no que diz respeito ao seu status factual ou ficcional que reproduz de forma mais eficaz as reivindicações de ritualização da televisão para apresentar a ‘realidade’.

Fatores importantes para entender o porquê da multiplicação, fragmentação e difusão da afirmação de realidade: o imperativo econômico (crescimento financeiro e pressões da concorrência entre os criadores dos programas) e a reflexão de indivíduos com sofisticação interpretativa sobre o meio.

Dentre estes, Couldry destaca Humberto Eco que apresenta os conceitos de ‘PaleoTV’ (aquela que fala do mundo externo) e ‘NeoTV’ (aquela que fala de si).

A ampla mudança no tom e na retórica do discurso da TV (aumento na sociabilidade informal) justifica o surgimento de diversos formatos de programas mais relaxados e com ênfase no local e no discurso das ‘pessoas comuns’.

O autor visa, agora, esclarecer o que diz ser ‘Realidade’ quando fala das reivindicações da mídia para nos dar acesso à categorização ritual.

 

The ritual dimension of reality TV

Três são as dimensões rituais do gênero:

1)      A reivindicação de uma realidade própria

2)      As questões de democratização

3)      As questões da interatividade

 

Unmediated reality

A afirmação da realidade, enquanto transmissão ao vivo, é uma construção que carrega a contradição entre a idéia de ‘reality show’ e ‘televisão não mediada’. As câmeras de mão trazem, entre outras características, a possibilidade de pessoas comuns produzirem conteúdo midiático com aspectos de ‘realidade’ (e.g. o trepidar da câmera ou a emoção demonstrada pelas pessoas).

Contudo utilizar apenas este tipo de imagem implicaria dizer que a verdade estaria, também, nas pessoas comuns e não apenas nos repórteres ou programas. O uso das imagens ‘camcorder’ auxiliaria a naturalizar a ‘realidade televisiva’ com a apresentação cotidiana do ‘mundo real’.

Enfim, não devemos acreditar que o clássico argumento pós-moderno de que quanto mais imagens de televisão são produzidas menor é a exigência por conteúdos do real.

 Couldry observa a ‘reality TV’ como uma resposta ao desejo das pessoas de conectarem-se umas com as outras, sendo a participação no processo de interatividade mais importante do que o conteúdo do espaço da televisão. Em alguns casos, a ‘realidade’ é limitada ao enquadramento fornecido pela estação de televisão e este quadro ao vivo se torna o bastante para afirmar/justificar algo como ‘real’.

 

Having it both ways?

O autor inicia uma analise sobre ‘reality show’ (e.g. Big Brother e Serious Jungle) dizendo que o único ponto de partida para analisar o que acontece na casa do Big Brother é entender o fato de que as câmeras de televisão estão presentes; enfatiza o esforço da televisão em desvalorizar este fato com a finalidade de apresentar um entretenimento que revela a ‘realidade’ humana.

Em sequência Couldry, diferencia os programas com participantes celebridades dos que os participantes são ‘pessoas comuns’. A normalidade apresentada nos programas ‘reality show’ possui duplo significado em termos rituais: 1) sua ‘normalidade’ confirma a realidade do que é mostrado e 2) a ‘normalidade’ é o status a partir do qual os concorrentes competem para alcançar outra categoria ritualmente distinta, a celebridade.

A contradição mostrada entre estes dois sentidos de ‘normalidade’ é apenas aparente, pois ambos contribuem para o sentido mais amplo que a mídia é especial, mais do que o ‘mundo comum’. Essa ambiguidade – entre ficção e realidade, puro entretenimento e aprendizagem social – é, segundo Roland Barthes, o ‘efeito catraca’ (1972) que se configura como característica do mito em geral.

O autor destaca como ponto complicador, o aumento do ceticismo com o clamor pela realidade televisiva. Cita pesquisa de Annette Hill, a qual diz que com o aumento da produção de ‘docusoaps’ (no Reino Unido em 1990) cresceu, também, o ceticismo sobre sua apresentação de realidade.

Couldry finaliza dizendo que existe uma desatualização ao acreditar que a audiência não tem conhecimento sobre a construção destes programas, mas que ainda há um longo caminho para a perda geral do status da televisão como ponto de acesso privilegiado a realidade social.

 

Democratisation?

Neste tópico, Nick Couldry questiona a possibilidade de que a televisão esteja tornando-se um meio mais democrático. O uso de depoimentos não editados, pelos programas de ‘reality show’, remetem a democratização da televisão, quando os participantes utilizam da revelação de sua ‘realidade’ privada. Contudo, indo além da interpretação de um quadro neo-durkheiniano, observa-se limitações por trás das aparências de ‘pessoas comuns’ (e.g. quais os critérios para seleção dessas pessoas?).

O autor retorna ao conceito de ‘mito de instituição’: “mais do que o momento do individuo de transição e de revelação, o que importa são os limites, em primeiro lugar, que tornam o mito significativo, isto é, na ‘Reality TV’, a diferença categórica entre ‘pessoas da mídia’ e ‘pessoas comuns’. É este o limite subjacente que estes programas reforçam.”

 

Interactivity

Couldry inicia o tópico destacando a importância dimensão interativa da Web para o potencial democrático da ‘Reality TV’. E acrescenta “interatividade, como todos os outros termos que nós discutimos, não é algo natural, mas construído”. Mesmo assim estamos familiarizados com ela, principalmente, pelos exemplos de interações mediadas por computador.

Em relação aos meios de comunicação centrais da sociedade, a interatividade significa mostrar, em performance, caso contrário se supõe uma conexão entre o mediador e um grupo social representativo (e.g. as ‘chatrooms’ online de programas da TV).

Couldry argumenta que a interatividade representa aqui um novo desenvolvimento das categorias rituais da mídia em ‘realidade’ e ‘ao vivo’, seja na forma de ‘chat ao vivo’ ou ‘interação ao vivo’ com uma interface que representa o sistema de mídia.

Por fim, o autor aproxima o conceito de ‘sensações de união’ (Nichols, 1994) à relação de ‘reality TV’ e interatividade. Acrescenta que o espaço ritual da mídia continuará gerando novas formas, categorias e limites por algum tempo.

 

Media rituals and the everyday reality of surveillance

Couldry destaca a importância de discutir como a autoridade da mídia se conecta com as formas mais amplas de poder.

“Alguns escritores têm sugerido uma conexão geral entre a autoridade da mídia para representar o mundo e as estratégias da sociedade de controle, particularmente o controle exercido por meio de imagens (vigilância)”.

O autor aponta, que dentro da sociedade do crime, devemos atentar para a ligação prática direta entre o trabalho da polícia e o dos profissionais de mídia na geração de informações e nas definições de um crime. Esta conexão entre a mediação (mídia) e os sistemas gerais de controle da informação remonta os fundamentos das sociedades modernas.

Couldry faz referência ao conceito de sociedade de “recursos de autoridade” (Giddens, 1984), na qual a mediação é uma condição necessária ao Estado moderno. “as sociedades modernas têm sido ‘sociedades eletrônicas’ a mais tempo do que nós normalmente imaginamos e ‘sociedades da informação’ desde sua criação” (Giddens).

O autor pontua que se considerarmos os tipos de autoridade das quais a polícia e a mídia dependem, ambos são formas de autoridade simbólica, isto é, em particular, formas privilegiadas de categorizar o mundo, embora a autoridade da mídia seja mais vasta, mais abrangente.

Utilizando alguns trechos de fala de apresentadores, em especial do reality show que lida com o crime, CrimeWatch UK, Couldry mostra como a mídia e a polícia podem reunir seus recursos simbólicos e como, estes programas, reforçam a autoridade representativa da mídia e seu papel ritual enquanto ponto de acesso social central. A autoridade simbólica da televisão é vista como um reforço ao poder da polícia.

O autor destaca o ponto limite entre duas formas muito diferentes de autoridade baseada na mídia: 1) autoridade ritual da mídia em representar o mundo para nós; 2) autoridade do Estado e corporações para coletar imagens para a aplicação da lei. Segundo David Lyon, este limite seria entre o processo de organização da ‘orquestração social’ e a ‘obrigação cultural’, preenchido pela televisão.

Nick Couldry questiona se existiria o risco, em longo prazo, da autoridade ritual da mídia ser corroída, ou contaminada, através desta proximidade com o poder do Estado? Para o autor, o problema não está na proximidade (contaminação), já que os dois exercem, de forma sobreposta, seus poderes sobre as mesmas pessoas. Porém, se a mídia alega apresentar a realidade e esta está sob os olhos atentos do Estado, a ‘realidade social ‘ fornecida não poderia ser naturalmente consensual, pois se tornaria, em princípio, contestável.

Uma forma de contornar este risco é manter esses dois interesses conflitantes (Estado e mídia) tão separados quanto possível no processo de vigilância. O autor destaca, também, que a ligação entre vigilância e mediação é cada vez mais reforçada para fins de entretenimento. O que nos faz acostumar com a idéia de, que é significativo e aceitável, que as câmeras acompanhem de vez em quando nossa privacidade.

Por fim, Couldry apresenta o argumento de Maurice Bloch, que diz que se “a ritualização do poder é um meio para nos fazer esquecer suas operações, então devemos observar com cuidado as formas rituais em desenvolvimento associadas com as reivindicações da mídia (e do Estado) para nos apresentar o mundo social”.

 

Karla Cerqueira Freitas

é mestre pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atuou nos setores de criação da Agência Versa e da empresa DP&P Comunicação Visual. Tem interesse nos temas: Interações Sociais Online, Tecnologias Digitais, Performances e Imperativo da Felicidade. (Lattes)

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