Mapeamento de Redes Sociais através da Conversação

Em “Mapeando redes sociais na internet através da conversação mediada pelo computador“, Raquel Recuero faz o levantamento de alguns elementos-base para a análise estrutural das Redes Sociais na Internet. Para isso, a pesquisadora levanta, logo na introdução, leituras fundamentais para o estudo de Redes, entendido como o estudo de sistemas sociais, onde os atores são representados por nós e as conexões como laços sociais (DEGENNE, FORSÉ, 1999; WASSERMAN; FAUST, 1994). Recuero aponta autores como Dannah Boyd (2007) que irá aprofundar seu olhar acerca dos Sites de Redes Sociais e suas características peculiares, como, por exemplo, a persistência das interações nestes ambientes.

O primeiro passo, então, seria identificar quais são os atores (nós) que desejamos observar em um determinado ambiente interacional para, em seguida, observamos como se dão as conexões entre eles. Para isso, Recuero aponta dois aspectos importantes nesta observação, são eles: os aspectos estruturais e semânticos.Veja no quadro abaixo estes aspectos de forma detalhada:

raquel recuero - conversação

Com base em cada um destes aspectos, é possível investigar a Conversação em Sites de Redes Sociais e compreender quais são as suas dinâmicas e especificidades.

1) Observação do sequenciamento e conteúdo das interações, a fim de verificar como se dão os turnos conversacionais e, também, compreender “o que se diz para compreender como se diz”. Os aspectos estruturais, por sua vez, são observados por meio dos marcadores conversacionais, links, horários.

2) Identificação dos pares conversacionais, que auxilia diretamente na compreensão do sequenciamento das interações em um espaço conversacional. Estas conversações podem ser síncronas ou assíncronas e, tais elementos, podem modificar profundamente as dinâmicas conversacionais – por exemplo, a conversa pode começar em um espaço e ser desenvolvida em outros, ou mesmo na construção de turnos alargados no processo conversacional.

3) Negociação e Turnos de Fala, que podem ser pré-determinados pela própria ferramenta (suas características técnicas) ou mesmo através de apropriações realizadas pelo usuário.

4) Reciprocidade e Persistência – aqui, segundo Recuero, “para o estudo do nível de reciprocidade, é preciso verificar o sentido construído pelos atores e sua percepção das interações que formam a conversação”. Essa reciprocidade pode ser observada nas conversações síncronas e assíncronas, a partir dos turnos e atores envolvidos nas trocas sociais.

5) Multiplexidade e migração – neste tópico, a autora ressalta as diferanças de multiplexidade entre as modalidades conversacionais (síncrona e assíncrona). Nestes casos, a síncrona tende a ser menos multiplexa (ou seja, dificilmente ocorre em diferentes ambientes interacionais), além de exigir um esforço menor para o acompanhamento das interações. Também destaca que é comum, na atualidade, a conversa migrar de um espaço interacional para outro, muitas vezes, devido as relações construídas pelo ator em cada um  destes meios.

Cada um dos aspectos acima, apontados por Raquel Recuero, podem ser utilizados como frames analíticos para a compreensão da conversa mediada por Sites de Redes Sociais. Estes elementos, por sua vez, nos ajudam a compreender quais são as continuidades e rupturas existentes nesta prática social realizada/mediada em diferentes ambientes online, em comparação com as interações face a face (permeadas por suas particularidades). Com isso, podemos aprofundar ou mesmo alargar o próprio conceito e o significado da palavra “conversa” na contemporaneidade.

Marcel Ayres

Doutorando na linha de Cibercultura na Póscom - UFBA. Especialista em Marketing pela FGV. Pesquisador no Grupo de Pequisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade [Gits - UFBA]. Sócio da PaperCliQ - Comunicação e Estratégia Digital.

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