Mapa revela geografia de ódio online nos EUA.

A circulação e disseminação de discursos de ódio online (todas as formas de expressão que propagam, incitam, promovem ou justificam o ódio racial, a xenofobia, a homofobia, o antissemitismo e outras formas de ódio baseadas na intolerância) vêm, atualmente, inquietando pesquisadores de diferentes áreas e tencionando questões em torno de liberdade de expressão e censura.

Preocupados com a concentração de conteúdos ofensivos que circulam no Twitter, pesquisadores do Floating Sheep project, em parceria com estudantes da Humboldt State University, criaram o “Geography of Hate” – mapa que revela concentrações de ódio online contra minorias sociais, étnicas e sexuais nos Estados Unidos.

O projeto monitorou e mapeou, entre junho de 2012 e abril de 2013, tweets contendo ofensas racistas, homofóbicas e de discriminação contra pessoas com deficiência. Cada tweet foi lido manualmente e separado em categorias, a fim de garantir que os conteúdos publicados se tratavam realmente de insultos odiosos.

Entre as principais palavras-chave estão “homo”, “bicha”, “aleijado”, “imigrante ilegal”. Porém, mais do que classificar as mensagens apenas por palavras-chave, a pesquisa se preocupou em separar e examinar cada tweet com o objetivo de determinar o sentido (positivos, negativo ou neutro) de cada palavra.

“A frase” dyke “, ainda que muitas vezes tenha sido utilizada de forma negativa para se referir a uma pessoa, também foi utilizada de forma positiva (por exemplo, para se referir a “dique” ou “represa”) escreveu a pesquisadora Dra. Mônica Stephens no blog do projeto.

Stephen chama atenção para os contextos sócio-espaciais que produzem discursos de ódio online e afirma que não é possível fazer uma separação centre o online e offline.O mapa revela que regiões dos Estados Unidos que tem um maior histórico de conflitos raciais e crimes homofóbios apresentam também uma maior concentração de discurso de ódio online.

O site do projeto pode ser acessado AQUI.

 

 

Lisi Barberino

É mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura e atualmente pesquisa linchamento virtual em sites de redes sociais.

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