A era da infoestética – entrevista com Manovich

info-aesthetics-ManovichUma interessante entrevista com Lev Manovich (bastante conhecido por A Linguagem das Novas Mídias), realizada pelo Prof. Cicero Inacio da Silva (PGCOM/UFJF), encontra-se disponível na última edição da revista Lumina, da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. O número não é tão recente e foi publicado em junho de 2012. A leitura é válida porém, especialmente se considerarmos que há referências diversas sobre o último livro de Manovich, Info-Aesthetics (Infoestética – sem tradução no Brasil), lançado no segundo semestre do ano passado.

A infoestética é tratada como um conjunto de “formas estéticas e culturais” a terem lugar na atual sociedade da informação. Tais práticas culturais estão de, certa forma, relacionadas a áreas diversas da vida contemporânea ligadas à produção e consumo de informações, como design, moda ou cinema. Para Manovich, entretanto, não há ligação direta ou necessária entre a infoestética e conhecimentos avançados em computadores, mesmo que estes sejam marcantes na vida contemporânea: “Se você tem uma consciência da cultura contemporânea e segue ideias e tendências contemporâneas, você pode ser um expert em infoestética”.

Especificamente no que tange aos computadores, entretanto, algumas das considerações sobre a infoestética giram em torno das influências que determinados softwares têm na produção de conteúdos diversos. Manovich cita, por exemplo, aquilo que chama de “Geração Flash” – expressão usada para se referir a um período mais ou menos situado no início do século XXI em que se criaram massivamente sites feitos com essa ferramenta em particular. No fundo, parece ser uma questão de funcionalidades e pontencialidades do software atreladas a valores socioculturais temporalmente localizados. Assim, o autor esclarece que não se trata tão somente de uma estética possibilitada por conta dos atributos de um ou outro programa, “mas sim sobre uma estética particular” daquele tempo.

Outro ponto interessante da entrevista ressalta o conceito de “metamix”, referindo-se, na verdade, à cultura do remix hoje presenciada. Manovich fala de sobreposições, colagens e “mash-ups” de estilos culturais diversos encontrados no cinema, na música, nas criações amadoras e até na culinária. Em suas palaras, “Se o pós-modernismo definia os anos 1980, o remix definitivamente domina os anos 2000 e irá provavelmente continuar a dominar na próxima década”.

Um ponto de interesse particular no que concerne ao metamix diz respeito às mixagens encontradas na web sob a forma de vídeos, GIFs animados, memes e outras manifestações amadoras. Na sua opinião, atualmente nos encontramos em constante processo de recorte e colagem de gramáticas midiáticas que antes se encontravam separadas.

Para a leitura completa da entrevista, acesse o link para baixar o PDF.

 

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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