#gordofobianãoépiada: Como as Redes Sociais podem ajudar a combater esse problema

Na nossa cultura ainda há uma forte influência dos padrões de beleza norte-americanos, onde o corpo magro, esguio e esbelto é supervalorizado. Compreendendo que a aparência física é um fator que influencia diretamente nas relações humanas, é preciso considerar que, em 2015, 17,9% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde, é considerada obesa, e o impacto dessa condição pode ser percebido nos diversos contextos, como nas redes sociais digitais.

A obesidade, definida de uma maneira simplificada por Pinheiro, Freitas e Corso (2004), é o acúmulo excessivo de gordura corporal em extensão tal, que acarreta prejuízos à saúde dos indivíduos. Nesse sentido, a preocupação com a saúde da pessoa justifica comportamentos intrusivos na vida alheia, se tornando, segundo Arraes (2014), uma das principais dificuldades para compreender a gordofobia como um preconceito. A autoria define gordofobia como a desvalorização, estigmatização e hostilização de pessoas gordas e seus corpos.

Apesar de ser o espaço onde diversas manifestações gordofóbicas acontecem, principalmente através de comentários em postagens relacionadas à obesidade, e este fato ganhar notoriedade tanto na mídia quanto em estudos, em sua pesquisa, Rangel (2017) constatou que as redes sociais têm contribuído para que pessoas gordas, principalmente mulheres, principais vítimas de preconceito, tenham referências de figuras ativas e engajadas na causa, ou seja, as redes sociais digitais têm demonstrado potencial educacional sobre o assunto, bem como sua capacidade de gerar ativismo.

Os temas mais frequentes nas páginas anti-gordofobia estão relacionados com a saúde, trabalho e acessibilidade, e a estratégia mais utilizada pelas ativistas são textos longos com caráter didático, com citações de artigos acadêmicos e links para os mesmos, listas com caráter contestador, irônico ou cômico e imagens (Rangel, 2017).

Após utilizar a foto da influencer Alexandra Gurgel como referência para a quantidade de comida que havia ingerido, o apresentador Danilo Gentili acabou mobilizando, com essa atitude, pelo Twitter, em 2017, a campanha #gordofobianãoépiada, que atualmente ainda representa o símbolo de combate a essa prática no contexto digital, tendo avançado para outras plataformas, como Instagram, Facebook e YouTube. Em 2019, foi lançada, pelo Instagram, a campanha #corposlivres, na qual os fotógrafos Bob e Helena Wolfenson foram convidados pela plataforma para criar um ensaio que celebra a autoestima de mulheres gordas.

No Facebook, o grupo “Voz das Gordas”, com mais de 20 mil curtidas, tem o intuito de abordar a gordofobia e o ativismo gordo dentro do feminismo, recebendo denúncias e postando notícias que elevam a imagem da pessoa obesa e fazendo diariamente o trabalho de dar visibilidade à mulher gorda. O conteúdo das páginas muitas vezes acaba funcionando como uma espécie de grupo de apoio, em que são relatadas em sua maioria histórias pessoais, o que fortalece o entendimento das mulheres gordas enquanto um grupo que sofre dos mesmos preconceitos.

Para Rangel (2017), os exemplos citados acima não se propõem a ser apenas uma opressão ao padrão estético, tampouco uma apologia à obesidade, mas ajudam a esclarecer que as pessoas gordas têm que ter o seu espaço na sociedade, roupas para o seu tamanho, acesso ao mercado de trabalho e principalmente, serem respeitadas pela sociedade como um todo.

Referências:

ARRAES, Jarid. Gordofobia como questão política e feminista. Disponível em

http://revistaforum.com.br/digital/163/gordofobia-como-questao-politica-e-feminista/2014

PINHEIRO, A. R. D. O., FREITAS, S. F. T. D., & CORSO, A. C. T. (2004). Uma abordagem epidemiológica da obesidade.

RANGEL, Natália Fonseca de Abreu et al. Redes da internet como meio educativo sobre gordofobia. 2017.

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