Google Glass ganha aplicativos para redes sociais

O Google anunciou na última quinta, 16, o lançamento de 6 novos apps para o Glass, nome dado aos seus óculos digitais. Aplicativos para Facebook, Twitter eTumblr dão a tônica socialnetwork, enquanto os aplicativos da emissora CNN e da revista Elle se voltam a notícias. Também foi anunciado app para o Evernote, serviço de anotações nas nuvens. Até a data, apenas outras duas empresas para além do próprio Google tinham apps voltados para o Glass: o jornal The New York Times e a rede social Path.

Dentre as promessas está a possibilidade de publicar rapidamente fotos tiradas com os óculos. Recursos mais comuns, como retuitar, mencionar ou responder aos seguidores, também estarão presentes no gadget. As interações se darão por meio de reconhecimento de voz e sistemas que transformam a fala em textos escritos.

Apesar de ter sido ostensivamente anunciado em relação a experiências de realidade aumentada e com caráter de assistente digital (confira no site do projeto), o anúncio de aplicativos relacionados a redes sociais chega, de certa forma, para preencher uma lacuna que os óculos não pareciam conseguir resolver por si só: trata-se de certa “necessidade” de estar em contato com seus pares, de compartilhar informações com eles e igualmente deles obter novidades. Juntos, Twitter, Facebook, The NY Times e as demais aplicações podem dar conta de um aspecto de sociabilidade para o gadget. Até aí, nenhuma grande novidade se levarmos em conta o que já vem sendo feito com smartphones e tablets. O problema é que, da maneira como havia sido anunciado até então, o Glass parecia ser um aparelho isolado, mesmo que estivesse conectado à Internet.

Do modo como foi anunciado, o Google Glass parecia ter um caráter bastante utilitário, apenas. Nada contra, mas outras dinâmicas não seriam possíveis com o aparelho?

Do modo como foi anunciado, o Google Glass parecia ter um caráter bastante utilitário, apenas. Nada contra, mas outras dinâmicas não seriam possíveis com o aparelho?

Retomando a ideia lançada na introdução do livro Net Locality, de Eric Gordon e Adriana Souza e Silva, as experiências que o Google Glass trazem não simplesmente enquadram e delimitam o que se vê (nesse caso, o que se enxerga mesmo, já que o Glass se trata, acima de tudo, de um visor) mas expandem a relação que se pode ter com os espaços percorridos – seja uma rua pública, seja o café da esquina – e com seus grupos de pertencimento. As possibilidades de conexão oferecidas pelos smartphones, por exemplo, já se dão nesse sentido: alguém busca por determinadas informações em movimento, encontra dicas interessantes, compartilha o momento com amigos… alimenta, enfim, uma dinâmica de sociabilidade pautada tanto na mobilidade (entendida como a capacidade de computação móvel) quanto na conexão entre os pares em rede. No fim das contas, tanto os óculos digitais quanto os celulares precisam da ecologia de aplicativos que lhes tragam certa vida em rede – e, em especial, uma rede de contatos.

Certamente ainda é cedo para dizer algo sobre o futuro dos óculos do Google. Contudo, bons passos parecem já ter sido dados. Resta agora esperar até quando será estranho utilizar o Glass – como admitiu o executivo do próprio Google Eric Schmidt.

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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