GITS no seminário de estudos do espaço biográfico

Os membros do GITS José Carlos Ribeiro, Malu Fontes, Paulo Victor Sousa e Vitor Braga participaram em novembro do Seminário Internacional de Estudos sobre o Espaço Biográfico com a mesa As múltiplas narrativas de si presentes nas plataformas das redes sociais digitais. Realizado em Salvador, em vários departamentos do Campus Ondina da Universidade Federal da Bahia, o evento teve como tema “Desafios da Bioficção” e a mesa foi uma das 26 que estavam previstas na programação.

Conforme o seu resumo, a mesa buscou discutir experiências, desafios e especificidades das narrativas de si operadas nas dimensões públicas e privadas presentes nas plataformas das redes sociais digitais, tendo como pontos principais de análise a produção de rastros pessoais (textuais, imagéticos e locativos) e a retomada dessas informações enquanto memória e consciência. A discussão ficou em torno das decorrências para os sujeitos das projeções de imagens idealizadas, frequentemente observadas, na construção e manutenção de perfis sociais nessas redes.

A apresentação de Malu Fontes iniciou a mesa discutindo o possível aumento dos tensionamentos resultantes entre a objetividade ideal, propagada e perseguida pelos profissionais jornalistas, e a subjetividade derivada de narrativas efetivadas em ambientes de redes sociais digitais. A discussão ancorou-se nos conceitos de objetividade jornalística, de leitor e leitura (Umberto Eco e Roland Barthes), de rastros digitais (Cibercultura) e na biografia da autora como jornalista, articulista e usuária de tais redes.

O segundo trabalho, de José Carlos Ribeiro, teve como enfoque a utilização de sistemas e aplicativos que permitem o registro e recuperação de informações sociais circuladas em ambientes digitais, que possibilitariam a (re)construção de discursos, memórias, experiências e narrativas de si. Argumentou-se que, a partir do exercício de controle destas informações, os usuários utilizariam de estratégias comportamentais que reforçariam a constituição de narrativas pessoais mais próximas de imagens idealizadas.

O trabalho de Vitor Braga partiu da constatação de que os dispositivos móveis, os sites de redes sociais e a imagem digital dariam à fotografia um papel importante dentro da sociabilidade contemporânea; e que essas imagens compartilhadas criariam narrativas de si mesmo em um contexto de constante exibição. Diante disto, apresentou-se reflexões sobre a capacidade das imagens digitais de construir uma memória individual ou coletiva assentada em dinâmicas interacionais cada vez mais centradas no tempo presente.

Por fim, Paulo Victor Sousa problematizou a cidade como um teatro para a ação social (Lewis Mumford). Tomando-a como palco de performatividade e teatralidade formado por distintos signos tomáveis para si, Sousa buscou abordar o papel das redes sociais e dos dispositivos digitais baseados em recursos georreferenciados. Ainda, discutiu como dados relativos a localizações atuariam na coleta de informações pessoais e na reconstituição de narrativas de si mesmo.

Publicação

O evento se organizou em torno de seis eixos temáticos: (1) A construção do eu na sociedade do espetáculo; (2) A bioficção, a performance e os processos de subjetivação; (3) As interfaces entre o público e o privado nas narrativas de si; (4) O homem comum e seus relatos de vida; (5) O Narcisismo X a desconstrução do sujeito nas narrativas do espaço biográfico; e (6) Perspectivas teórico-metodológicas sobre os estudos biográficos. A próxima etapa será a publicação dos anais, de todos os pesquisadores que apresentaram nas mesas.

Vitor Braga

Jornalista, professor da Universidade Federal de Sergipe e doutor em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia.

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