Smartphones e a Redefinição do Público/Privado

Há de se argumentar, finalmente, que o uso exacerbado das tecnologias móveis remove a consciência das ações imediatas – transporta-as para um não-lugar no qual os entornos de onde o corpo se localiza são menos importantes. Ou seja: o púbilco é cada vez menos público, uma vez que o uso dos smart-phones traz o privado à tona nos mais inusitados momentos do convívio urbano.

Para Tali Hatuka, que coordena o Laboratório de Desenho Urbano Contemporâneo da Universidade de Tel Aviv as noções de público e privado não são mais tão claras quanto costumavam ser. Para os usuários de smart-phones, a esfera pública se torna, cada vez mais, uma arena privada, à medida que os dois conceitos se embaralham. A pesquisadora da universidade israelense se preocupa com isso. Para ela, perder o acesso à esfera pública é limitar o modo como nos relacionamos com o outro, porque é nesta que aprendemos factualmente a interagir.

Além do mais, Hatuka acredita que os smartphones estão destruindo a comunicação entre estranhos – parte importantíssima da esfera pública. O uso de dispositivos de mapeamento, no fim das contas, vem dissolvendo a necessidade que os estranhos possuíam de perguntar a respeito de localizações, o que elimina uma parte vital da comunicação social.

Leia mais sobre a pesquisa de Tali Hatuka aqui.

Ana Terse Soares

Ana Terse Soares é graduada em Comunicação Social e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (2013) na linha de Cibercultura. Atualmente integra os Grupos de Pesquisa em Interação, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS) e o Analítica: Crítica de Mídia, Estética e Produtos Midiáticos, ambos na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre Performances Musicais através de Hologramas e seus interesses debruçam-se, principalmente, sobre os seguintes temas: Comunicação e Tecnologias Digitais, Cultura Digital, Redes Sociais, Produção de Presença e Materialidades da Comunicação, Arte e Tecnologia, Música e Virtualidade, Experiência Estética e Holografia, Performances Musicais e Tecnologias Digitais, Digital Bodies, Performers Virtuais.

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