É possível esquecer algo Internet? O caso da blogueira da Capricho

Recentemente, foi publicado na Folha de São Paulo um caso curioso. Uma blogueira de 20 anos publicou em seu perfil do Facebook uma mensagem relatando ter sido hostilizada por ter tentando entrar de forma gratuita em uma boate para dar uma “olhadinha” antes das pessoas que se encontravam na fila.Para tanto, a blogueira tentou informar que fazia uma parceria com a Revista Capricho, e tentou utilizar disso para conseguir a “espiada” gratuita. Porém, de acordo com o que foi informado, ela foi ridicularizada pelos funcionários e decidiu compartilhar sua indignação com seus seguidores.

De acordo com a Folha, a postagem teve mais de 1.800 compartilhamentos e 2 mil comentários dos seguidores criticando a postura da blogueira.  A situação se tornou meme, criticando o perfil das blogueiras que tentam tirar vantagem do status social que conseguem alcançar na Internet. Porém, o que gostaria de colocar como ponto de reflexão é o direito ao esquecimento, que permite deletar da rede todo conteúdo  que cause algum desconforto a qualquer usuário. Mesmo se tornando um direito para todos, ainda não existe uma lei específica sobre o tema. Porém, com o conteúdo sendo compartilhado de forma tão avassaladora, é possível removê-lo por completo da rede?

O direito ao esquecimento é algo que ainda é pouco discutido no Brasil, porém, é importante pensar até que ponto as redes sociais e demais serviços na rede podem se tornar prejudiciais para os usuários em relação aos conteúdos que causam alguma forma de constrangimento para alguém. Com isso, é importante pensar sobre o que de fato deve ser publicado na rede, pois, um momento “desabafo” pode ser tornar algo muito mais relevante do que de fato a pessoa gostaria.

Bianca Orrico

É psicóloga, graduada pela Universidade Salvador. Atua na Safernet Brasil em um canal gratuito que oferece orientação para esclarecer dúvidas, ensinar formas seguras de uso da Internet e também orientar crianças e adolescentes e/ou seus próximos que vivenciaram situações de violência on-line. Tem experiência em acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Realizou pesquisas sobre adolescentes, redes sociais e tribos urbanas.

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