Dessa forma dá mais audiência? O gerenciamento de impressão das microcelebridades na Internet

Atualmente, está se tornando cada vez mais comum usuários buscarem popularidade em diferentes plataformas da web. Estas microcelebridades, conceito utilizado por Braga (2010) para denominar o surgimento de celebridades distintas dos meios de comunicação de massa, buscam determinadas formas de se comportar para o seu público alvo no intuito de corresponder às expectativas, bem como se apresentar da forma que consideram mais adequada nestes espaços de interação. É possível perceber, apresentando como exemplo as blogueiras de moda, que estas buscam influenciar atitudes e comportamentos dos seus leitores através de suas publicações e “looks do dia”. Em algumas situações, elas apresentam fatos cotidianos e até mesmo expõem sua privacidade, com o intuito de manter a sua popularidade na rede.

Com isso, é possível refletir a partir dessas e de outras microcelebridades da rede, que estas buscam gerenciar a forma como os outros indivíduos as veem, ou seja, que comportamentos devem ser desenvolvidos e apresentados para os seus leitores/seguidores. Para Metts e Grohspof (2003), em diferentes contextos sociais o indivíduo se envolve com um determinado nível de gerenciamento de impressão, que quando habilmente executado, poderá favorecer nas interações em diferentes áreas. A intencionalidade da apresentação pessoal possibilita uma produção de comportamentos que constituem um self público, que demonstra para o outro apenas características positivas. O importante nestas interações não é somente manter o interesse no que é consumido pelos seus leitores, mas sim, apresentar suas performances para realizar uma promoção de si mesmas, articulando e pensando estratégias para manter o status social e a popularidade em diferentes mídias sociais.

Bianca Orrico

É psicóloga, graduada pela Universidade Salvador. Atua na Safernet Brasil em um canal gratuito que oferece orientação para esclarecer dúvidas, ensinar formas seguras de uso da Internet e também orientar crianças e adolescentes e/ou seus próximos que vivenciaram situações de violência on-line. Tem experiência em acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Realizou pesquisas sobre adolescentes, redes sociais e tribos urbanas.

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