Das paredes às redes

Entre os dias 18 e 20 de novembro passará por Salvador o Seminário interdisciplinar “Das paredes às Redes: educação, tecnologia, corpo e subjetividade” para discutir os desafios da escola na contemporaneidade.

Redes paredes

Este tema é realmente desafiador quando vemos que os equipamentos chegam às escolas antes das discussões sobre mudanças na didática, revisão do currículo, estruturação do espaço físico e tantas outras demandas urgentes sobre a questão fundamental: que tipo de educação temos e qual queremos?  Conexões banda larga nas escolas, notbooks e tablets chegam aos alunos e educadores geralmente sem o devido cuidado na reformulação dos projetos políticos pedagógicos e sem organização uma efetiva articulação das tecnologias digitais com os processo de ensino e aprendizagem.

O mito do “quanto mais tecnologia, mais aprendizado, mais inteligência e maior inclusão” ainda domina muitas ações de “inclusão digital” e de “digitalização das escolas”. O determinismos tecnológico tem forçado educadores e gestores escolares à “achar utilidade” para estes novos equipamentos que chegam às escolas. Mesmo que não haja tomadas, rede wi-fi ou qualquer interesse dos educadores para usar estas novas parafernálias, os imperativos “temos que estar conectados, temos que usar os dispositivos, temos que estar online, etc.” continuam tirando o sono de muitos professores.

Além deste descompasso de algumas políticas públicas e do determinismos, também operam neste cenário desafios geracionais e o pânico moral. Em muitos casos os perigos e riscos são associados como “da” Internet, e não como vulnerabilidades da vida e do espaço público que ocorrem também na Internet, e servem de escudo para resistências. Teorizar sobre estes desafios certamente é importante, mas tão fundamental quanto é também criar, propor, arriscar, avaliar e reorganizar políticas públicas e projetos de aplicação para encontrarmos e efetivarmos as alternativas de conexão das paredes com as redes.

Estes e os outros provavelmente estarão nos debates e reflexões deste seminário. Na descrição dos organizadores:

 

A ênfase dos debates recai sobre a maneira como as novas tecnologias de comunicação, sobretudo os aparelhos móveis de acesso às redes informáticas e os estilos de vida que eles implicam, estão afetando os modos de educar e aprender. A discussão procura focalizar de que maneira as subjetividades e os corpos contemporâneos lidam com os novos dispositivos digitais, em seu contato cotidiano cada vez mais intenso, e como isso influencia sua relação com a escola. O evento promoverá uma série de conferências, integradas em três mesas-redondas por cada edição, com um conjunto de publicações e vídeos delas decorrentes, bem como uma mostra de filmes e os debates posteriores às apresentações

O evento é  uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM-UFF), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE/UnB) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), com apoio da CAPES, da FAPERJ e do Museu de Arte do Rio (MAR)

Confira a programação completa e inscreva-se.

Rodrigo Nejm

É psicólogo pela Universidade Estadual Paulista UNESP/Assis-SP, doutorando em psicologia social no Programa de Pós Graduação da UFBA e mestre em Gestão e Desenvolvimento Social pelo CIAGS/UFBA. Realizou intercâmbio acadêmico na graduação para estudar “Médiation Culturelle et Communication” na Université Charles de Gaulle Lille 3, França. Atualmente é psicólogo e diretor de educação na ONG Safernet Brasil, responsável pela criação de materiais pedagógicos, pesquisas e campanhas educativas sobre Direitos Humanos e governança da Internet no Brasil. Tem interesse de pesquisa nas interfaces da psicologia com a comunicação, privacidade e sociabilidade de crianças e adolescentes nos ambientes digitais.

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