Das interações entre a Psicologia e as Tecnologias Digitais

Neste semestre, todas as minhas tardes de sexta-feira são dedicadas à disciplina “Temas em Cibercultura”, ministrada pelos professores José Carlos Ribeiro e Malu Fontes. As diferenças nas formações (José Carlos Ribeiro é psicólogo e doutor em Comunicação e Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação) não se restringem aos professores, já que os alunos – mestrandos, doutorandos e alunos especiais – também se dividem, prioritariamente, entre psicólogos e bacharéis em comunicação. Com isso, algumas temáticas abordadas durante as aulas são amplamente discutidas, a partir de olhares um tanto heterogêneos. Um dos interesses desta disciplina, vale ressaltar, diz respeito às reflexões acerca das tecnologias digitais e das práticas interacionais ali experimentadas.

O contato semanal com psicólogos e demais colegas da comunicação, refletindo, conjuntamente, sobre os usos e particularidades dos ambientes digitais, me remeteu a um evento importante, ainda não postado aqui neste blog: O Seminário Serviços Psicológicos Online, realizado em novembro de 2011, pelo Conselho Federal de Psicologia – CFP.  Parece-nos um enorme avanço – como pesquisadores em interações, tecnologias digitais e sociedade – que os profissionais desta área já tenham iniciado o debate acerca da psicoterapia mediada pelo computador. Segundo matéria publicada no Jornal do Federal (veículo produzido pelo próprio Conselho), o atendimento mediado já pode ser realizado, amparado pela Resolução CFP nº 12/2005 – ainda que em caráter experimental.

Neste mesmo evento, o professor e coordenador do GITS, José Carlos Ribeiro, convidado pelo Conselho Federal de Psicologia, falou sobre “Cibercultura: novas mídias e produção de subjetividades”, enfatizando a “febre de conexão em tempo real” e o “registro de vivências, percepções e emoções em relação ao que acontece no momento”, como elementos das práticas sócio-comportamentais de usuários de sites de redes sociais. Certamente, tanto a reflexão acerca da internet como mediadora de processos psicoterápicos, quanto a “sofisticação de um sistema de monitoramento pessoal que vai se transformando, cada vez mais, em um componente essencial nas apropriações subjetivas e nas experiências vivenciadas”, proposta por Ribeiro, rendem boas reflexões. E sim, as interações (ou relações) entre a psicologia e as tecnologias digitais prometem contribuir para a compreensão de muitos dos nossos atuais fenômenos.

Confira, aqui, a matéria completa sobre o Seminário Serviços Psicológicos Online.

Thais Miranda

Thais Miranda é doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas (POSCOM/UFBA), com estágio doutoral na Université René Descartes, Paris V, Sorbonne (2013/2014) . É mestre em Administração (2010) e possui graduação em Comunicação Social (1999). Dedica-se à pesquisa sobre pornografia digital amadora e interações em ambientes digitais.

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