Capítulo 14 – No Sense of Place

14. Lowering the Political Hero to Our Level: a case studyy in changing authority

Meyrovitz começa o capítulo citando Dixon Wector com o ditado “Quando o mundo for jovem e houver homens como deuses, nenhum repórter estará presente… apenas poetas”.
Em seguida, fala como a crise na liderança começou antes do escândalo de Watergate e como ele transcende nos EUA. Todos os recentes presidentes lidaram com problemas de “credibilidade”. Segundo ele, os EUA passam por dificuldades em encontrar presidentes que tenham carisma e estilo e que sejam competentes e confiáveis. Na busca por esse modelo ideal de político, muitos esquecem que John Kennedy encarou uma série de escândalos e crises de credibilidade em sua trajetória.
Há duas formas de estudar a retórica da presidência. Um é examinando a forma e o conteúdo dos discursos e ações. Olhar estratégias específicas, escolhas e decisões. O outro, método é examinar as situações no qual os presidentes performam seus papéis. Neste capitulo, Meyrovitz irá refletir as causas dos problemas de liderança de uma forma geral e sugere como o declínio na imagem presidencial tem uma relação com os meios de comunicação (mais fortemente com a TV e meios eletrônicos).

A FUSÃO DAS ARENAS POLÍTICAS E ESTILOS
Antes das mídias eletrônicas, as cidades serviam de pano de fundo para as arenas políticas e seus atores. Exemplo: antes de Jennings Bryan ser eleito 1896, ele repetiu seu famoso discurso pela democracia em diferentes partes do país. Essa possibilidade de testar e refazer o discurso, auxiliava os políticos em seu aperfeiçoamento na performance.
Hoje, através do Rádio e da TV, os políticos encaram uma “única audiência” em muitos casos. Onde quer que o político fale, ele ou ela alcançam pessoas de todos os cantos do país ou do mundo. O discurso não pode ser testado, pois, muitas vezes, eles se apresentarão apenas uma vez, e, assim, frases inspiradoras de outrora dão espaço para clichês impotentes.
Na atualidade, devido o endereçamento do discurso para uma grande quantidade de pessoas diferentes por meio das mídias eletrônicas, os políticos possuem dificuldade de falar para pessoas específicas. Enquanto muitos americanos aguardam a emergência de um líder (o grande líder) no estilo antigo, a comunicação através das mídias eletrônicas torna mais impossível de achar um. A imagem do grande líder depende de uma certa mistificação e cuidado com as impressões públicas acerca da imagem. Através da televisão, vemos muito sobre nossos políticos e eles estão perdendo o controle das próprias imagens e performances. Os políticos estão sendo tirados de sua “aura” e estão sendo colocados no nível das pessoas comuns.
O impacto da mídia eletrônica na atuação dos políticos pode ser melhor entendida se for analisada em relação aos requerimentos de atuação de qualquer papel social. Há um limite no qual cada pessoa pode atuar em um papel social idealizado. De todo modo, todos nós atuamos em diferentes papéis em diferentes situações. Um homem pode ser um pai, filho, marido, colega de quarto, um chefe, até mesmo o presidente dos estados unidos.
A performance de diferentes papéis sociais se aproxima de um teatro com múltiplos palcos. A clareza e força de uma performance particular depende de como o ator isola da audiência a sua região de fundo. A mídia eletrônica, por sua vez, está esmaecendo as barreiras entre as tradicionais região de frente e de fundo dos atores políticos. A TV provê uma região do meio, ou seja, vemos políticos transitando da região de fundo para a de frente (exemplo: falando com multidões e/ou passando um tempo com sua família).
Por definição, os comportamentos “privados”, agora expostos, não são mais uma verdadeira região de fundo, pois são exibidas para o público. Através da cobertura eletrônica, a liberdade dos políticos de isolarem eles mesmos de suas audiências ficou limitada. Eles não estão só perdendo aspectos de sua privacidade, estão perdendo, também, sua capacidade de atuar através de diferentes facetas.
Os políticos sábios (na atualidade), tentam expor aspectos positivos de suas regiões de fundo para o público. A TV invade as esferas pessoais dos políticos para espiar suas “regiões de fundo”. Diminuindo, assim, a distância entre a audiência e o “ator”. Ou seja, traz o político para perto da inspeção das pessoas.
Neste cenário, alguns políticos possuem uma “imagem midiática” melhor do que outros, contudo, poucos conseguem manipular suas imagens com facilidade – como os políticos da era impressa. Essa perda de controle se torna clara quando a região de frente e de fundo não são mais vistas como categorias exclusivas. Em muitas situações, o indivíduo pode atuar na região de frente enquanto, simultaneamente, dá sinais de sua região de fundo por meio de expressões e comunicação não-verbal.

GRANDES PRFORMANCES REQUEREM PALCOS PERFEITOS
Como a competência política está cada vez mais ligada à imagem, estilo e performance, as características do “palco” dos políticos terão um grande efeito nos rituais. O meio irá ajudar a formar ou definir situações nas quais o público interage com seu público. A TV não irá mudar apenas a maneira e a forma de apresentação da região de frente dos políticos, mas a própria imagem da presidência como um todo. Aproxima cada vez mais as figuras políticas de seres-humanos (afastando da ideia de deuses intocáveis).

MÍDIA E A MORTALIDADE PRESIDENCIAL
A nova mídia não só muda a informação que os presidentes podem transmitir, mas, também afeta as informações que os presidentes podem esconder. Sabemos que os grandes líderes são mortais, mas não estamos confortáveis com a ideia de ver nossos líderes em um estado entre suas ações vigorosas e uma morte martirizada. Neste trecho, Meyrovitz cita exemplos de como alguns presidentes são vistos, cada vez mais, de perto em suas intimidades e em situações relacionadas à sua saúde etc.

DO PRIVADO-PÚBLICO PARA O PÚBLICO-PÚBLICO
Meyrovitz aborda, neste tópico, a dicotomia Público x Privado, considerada por ele muito simplista para descrever o impacto da mídia eletrônica. Com isso ele traz dois tipos de eventos:
Privado-público – eventos que envolvem atos públicos, mas são isolados em um particular frame de tempo-espaço, inacessíveis para quem não está presente fisicamente no local.
Público-Público – eventos que que são levados através do frame de tempo-espaço pela mídia eletrônica e são acessíveis a quase todas as pessoas.
Enquanto uma conferência demanda do político um comportamento “on stage”, sempre existem interações parcialmente de fundo entre os políticos e jornalistas. As conferências ao vivo na televisão trouxeram para os políticos novas possibilidades e novos problemas. No lado positivo, o presidente parece acessível e fala direto para seu público (sem filtros). Contudo, também é colocado em uma posição de perigo, podendo evidenciar falhas em sua performance (hesitações, respostas evasivas, sinais de nervosismo etc.)
Meyrovitz fecha o capítulo fazendo uma crítica de como essas mudanças geradas pela TV e mídia eletrônica, na forma como os políticos se portam e atuam, fizeram com que a população escolhesse políticos com base em sua atuação como “grandes líderes” e na facilidade de atuarem em uma região do meio. Contudo, a presidência perdeu muito de seu brilho e as pessoas continuam “famintas” por algo mais.

Texto: Marcel Ayres

Claudia Galante

É mestre pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Especialista em Marketing pela FAE (PR) e graduada em Comunicação Social pela PUC-PR. Atualmente atua no departamento de comunicação social do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Camaçari. Tem experiência na área de Comunicação e interesse nos seguintes temas: mídia, democracia, cibercultura e interações.

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