Bob, produtividade e o “cyberslacking”

folgadoUma notícia curiosa circulou esta semana em sites e blogs de cultura digital. Bob, um programador dos Estados Unidos, foi demitido após ser descoberto terceirizando seu trabalho para chineses por menos de 20% do que recebia, e, assim, conseguindo tempo livre para navegar na internet em horários em que deveria estar trabalhando.

O relato do episódio foi publicado no blog da Verizon, que detalhou como foi feita a descoberta, chamando atenção para a importância de monitorar acessos remotos por VPN em redes corporativas, e assim detectar e corrigir vulnerabilidades. Acesse aqui.

Entre tantas questões que o episódio levanta – ética, segurança, fraude, privacidade, relação com o trabalho, etc.  – achei bastante curioso observar o que Bob fazia em TODO seu tempo livre no escritório: acessava sites de compras, redes sociais e assistia inúmeros vídeos de gatos.

O hábito de procrastinar no trabalho e passar o tempo navegando na internet com fins pessoais possui um termo próprio, conhecido como “cyberslacking” ou “cibervadiagem”. Alguns estudos sugerem que os trabalhadores dedicam cerca de um quinto de seus períodos de trabalho para o acesso a sites com objetivos pessoais. Para determinadas empresas tais hábitos devem ser combatidos e punidos, já para outras, tal prática não é necessariamente uma tentativa de enganar o chefe, mas sim, uma necessidade que acaba ajudando o desempenho no trabalho.

O que vocês costumam acessar durante o expediente e até que ponto isso pode afetar sua produtividade? Quais os limites do monitoramento realizados pelas empresas em nome desta garantia de produtividade? Com a disseminação de dispositivos conectados como controlar o que esta sendo acessado durante o período de trabalho? Voltando a Bob, será que ele deveria mesmo ter sido demitido? Sua criatividade e capacidade em reduzir custos e aproveitar o tempo em beneficio próprio não poderia ter sido valorizadas em outro contexto? A qual ética de trabalho estamos expostos? Estes seriam alguns tópicos interessantes para reflexão…

 

 

 

Lisi Barberino

é mestre pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura.

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