Após suicídio de adolescente, anunciantes britânicos boicotam rede social

De acordo com o Jornal o Globo, o Ask.fm, rede social  que possibilita troca de perguntas entre os usuários, está deixando de ter alguns anunciantes vinculados ao serviço em decorrência da morte da adolescente Hannah Smith, de 14 anos.

Após ter sofrido ciberbullying nesta rede social, a adolescente cometeu suicídio, o que desencadeou que diversas empresas não tivessem o interesse em vincular sua imagem ao serviço.  O lucro estimado era de cerca de 5 milhões de libras (R$ 17,5 milhões) por ano com os anúncios. Com isso, o serviço está buscando alternativas para minimizar situações como as que foram vivenciadas por Hannah, enviando aos seus usuários mensagens para conscientizá-los acerca dessas violações.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, também está solicitando que os usuários deixem de utilizar o serviço, afirmando que “há algo que todos nós podemos fazer como pais e como usuários de internet que é não usar alguns desses sites odiosos. Boicote-os, não acesse. Podemos impedir futuras tragédias como essa”.

Porém, é importante considerar se de fato boicotar serviços de Internet podem minimizar as ofensas e agressões que usuários, em especial crianças e adolescentes, estão expostos diariamente. Será que buscar estratégias para a promoção de ações que possibilitem a criação de políticas públicas, que visem assegurar a proteção na rede, deve ser colocado em pauta como prioridade na agenda pública? Os direitos fundamentais de crianças e adolescentes estão sendo prioritários? E por fim, quantas perdas como a de Hannah Smith serão necessárias para discutir de forma mais efetiva sobre esta questão? Estas e outras inquietações são necessárias para nos ajudar a refletir e compreender que ainda existe uma grande lacuna a ser preenchida acerca desta problemática.

Bianca Orrico

É psicóloga, graduada pela Universidade Salvador. Atua na Safernet Brasil em um canal gratuito que oferece orientação para esclarecer dúvidas, ensinar formas seguras de uso da Internet e também orientar crianças e adolescentes e/ou seus próximos que vivenciaram situações de violência on-line. Tem experiência em acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Realizou pesquisas sobre adolescentes, redes sociais e tribos urbanas.

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