Aplicativos de encontros não possuem apelo com as mulheres?

Li recentemente um artigo interessante de Ann Friedman na New Yorker, no qual ela discute, com base no fracasso do Blendr, a dificuldade que os aplicativos de encontros online tem em fazer sucesso com o público feminino.

Para quem não conhece o Blendr, trata-se de um aplicativo que tem como principal objetivo auxiliar o público heterosexual a encontrar pessoas que estiverem  próximas a elas e disponíveis para relacionamento. O aplicativo lançado em 2011 pretendia pegar carona no sucesso do grindr (aplicativo com as mesmas funcionalidades mas voltado para o público homosexual, sobretudo masculino) – porém acabou fracassando, assim como diversos outros apps que investiram nessa empreitada,

A autora que vem estudando a falta de sucesso desse tipo de aplicativo com o público feminino há alguns anos, argumenta que os desenvolvedores desses apps, em sua grande maioria homens, não levam a sério as preocupações da mulheres, entre elas segurança, excesso de exposição, agressividade de abordagem, entre outros.

Friedman  questiona o que seria necessário para que tais apps façam sucesso com as mulheres, e consequentemente também com o público heterossexual masculino? A autora levanta algumas hipótes sobre o assunto, que incluem um possivel desejo  das mulheres em uma maior autenticidade dos perfis, privacidade, ambiente mais controlado e segurança.

A discursão é interessante e me despertou algumas questões: que perfil de mulher é esse do qual Friedman está tratando?  Quais questões socioculturais da construção de gêneros podem ser acionados para tentar compreender o baixo apelo desses aplicativos com o público feminino? Por que homens homossexuais  aderiram de forma tão entusiasmada ao aplicativo gridr? Seguindo a lógica da autora, esse público estaria disposto a abrir mão de segurança, privacidade e autenticidade, em troca de  um encontro ?  O que  ainda torna tão forte essa ideia da existência de “um mundo offline” mais real e menos falseado do que “online”?

Leiam AQUI o artigo na integra.

 

 

 

 

Lisi Barberino

É mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura e atualmente pesquisa linchamento virtual em sites de redes sociais.

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One comment to “Aplicativos de encontros não possuem apelo com as mulheres?”
  1. Lisi, ótimas considerações. Não poderia responder a tais questões por me faltar um monte de aspectos do universo feminino que não consigo alcançar. Da minha parte, porém, sempre me assusto com a abordagem da propaganda desses aplicativos – como se tudo fosse muito fácil ou simples e nada merecesse um trato refinado. Não é “chegou, pegou”, simplesmente, nem “conectou, pegou”. Há nuanças com que, certamente, tais apps precisam lidar. Mas, infelizmente, é um pouco o papel da publicidade mascarar as dificuldades das coisas…

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