Aplicativo monitora a saúde mental dos usuários

Aproveitando o filão do Big Data, da rastreabilidade dos dados digitais e do uso intenso de celulares nos dias de hoje, algumas iniciativas têm chamado a atenção quanto ao uso de dispositivos móveis e a relação com a saúde dos usuários. Não é que a preocupação das empresas esteja no patamar da não-agressividade, como a produção de telas menos irritantes aos olhos ou na melhoria ergonômica para menor cansaço das mãos. Muito pelo contrário, a ideia geral é que aplicativos e sensores possam capturar cada vez mais dados nossos e utilizá-los – supostamente – a nosso favor.

Já havíamos visto algo similar com o anúncio da versão 8 do iOS (sistema do iPhone e iPad). Uma das novidades divulgadas é o aplicativo Health, com a promessa de monitorar atividades como o sono ou as atividades físicas do dono do aparelho. Mais recentemente, o Google e o laboratório Novartis anunciaram uma parceria para o desenvolvimento de lentes de contato inteligentes, que não apenas possam ser usadas na correção de problemas de visão, como também venham a ser utilizadas como sensores de dados individuais.

Ambas as propostas lidam basicamente com dados corpóreos e se voltam ao próprio corpo como alvo de cuidado. Mas quando a ideia é pensar a saúde mental das pessoas? Essa é a proposta de Ginger.io, um aplicativo que utiliza os celulares como “diários”. Tendo seu desenvolvimento inicial no MIT Media Lab, o Ginger.io analisa passivamente dados móveis, propondo-se a verificar se um doente mental está apresentando sintomas de seu transtorno.

MITnews_GingerIO_02O funcionamento do Ginger.io está pautado na observação de  dados relacionados à localização, às chamadas ou mensagens de textos, buscando por padrões e, consequentemente, desvios, que acabam sendo deveras importante: se alguém muda sua rotina sem uma razão específica (ou pelo menos uma razão detectável), pode haver algum significado específico – letargia e atitudes antissociais, por exemplo, podem ser indicativos de depressão.

Segundo as informações do MIT News Office, o aplicativo tem sido utilizado com milhares de pacientes nos EUA, o que vem fornecendo dados também para estudos comportamentais de pacientes com doenças diversas, como problemas de coração e diabetes. O vídeo abaixo mostra, de maneira simplificada, o funcionamento e a ideia geral do aplicativo.

Diante do desenvolvimento cada vez maior da computação móvel, além dos caminhos tomados quanto à criação de aplicativos dotados de capacidade sensora, iniciativas como essas fazem emergir questões relativas ao que significa ter disponibilidade móvel bem como nossas ações vêm sendo monitoradas. Também é possível conjecturar que tais informações venham a ser correlacionadas com outros dados oriundos de espaços físicos, deslocamentos diversos e até de outros indivíduos, como nossos contatos.

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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