Alternativas para a marcação territorial

Foursquare, Facebook Places e demais serviços baseadas em localização são marcantes como uma forma de manifestações identitárias. Assumir publicamente sua localização, criar cartografias pessoais e disponibilizá-las enquanto rastros ou mapas online são fenômenos que nos dão indícios de modos de sociabilidade atrelados a reconhecimentos georreferenciais (o falar sobre a localização em si), territoriais (os limites de atuação espacial) e simbólicos (o que os lugares marcados representam para as pessoas).

Entretanto, é sempre possível encontrar algumas formas “diferenciadas” de realizar check-in no Foursquare e, pois, de criar diferentes mapeamentos, o que denota algumas linhas de fuga quanto aos planos de ação planejados pelo serviço. Esse post, assim, resume uma série de postagens realizadas pelo excelente Pop Up City, os quais trazem à tona essas formas criativas de lidar com a marcação do espaço.

Check-in com xixi

Utilizando Arduino (placa open source aberta a modificações) e QR Codes (código de barras bidimensional), o engenheiro Andrew Quitmeyer criou o Mark your Territory, um aplicativo que realiza marcações territoriais misturando marcações simbólicas (Foursquare) com marcações físicas (urina). O utilizador deve ir até o local desejado e urinar sobre uma plaqueta marcada com o QR Code. O próprio aplicativo, recorrendo à câmera fotográfica do celular, realizará uma marcação daquele lugar. A plaquinha também contém sementes que, uma vez “adubadas” com urina (presumivelmente de várias outras pessoas), deverão dar origem a novas plantas naquele lugar.

 

Para além da mera curiosidade, Mark your Territory parece ser uma forma de nos remeter à nossa condição original – antes de tudo, somos animais, afinal de contas. De uma forma jocosa, um tanto asquerosa e nada moderna, o aplicativo nos lembra que nossas marcações territoriais podem sempre recorrer a modos não tão civilizados.

Mais informações: http://popupcity.net/2012/12/pee-to-check-in-to-foursquare-and-mark-your-territory

Tornar-se dono da cidade

Monopoly (antigamente conhecido no Brasil como Banco Imobiliário) trabalha com a lógica de comprar imóveis espalhados por uma cidade fictícia de modo que, quando seus adversários passem pelas casas que representam esses lugares, eles paguem taxas a você – o que, evidentemente, torna-o rico e o encaminha rumo ao monopólio daquele lugar. Seguindo um funcionamento similar, Landlord é um aplicativo com o qual é possível “comprar” as venues (lugares) do Foursquare.

 

A diferença com o antigo jogo de tabuleiro está no aspecto locativo. Só é possível comprar lugares aos quais a pessoa está fisicamente próxima. E uma vez “dona” daquele lugar, ela passa a angariar taxas toda vez que um usuário realiza check-in ali.

Mais informações: http://popupcity.net/2012/11/location-based-app-landlord-turns-the-city-into-a-monopoly-game

Check-ins automáticos com Nike+

Nike+ é um tênis que, ligado ao iPod, possui a capacidade de criar um registro de nossas corridas. Prevendo a possibilidade de ligá-lo por meio de algum dispositivo eletrônico ao Foursquare, alguns programadores criaram o Stumble.to. O serviço realiza check-ins automáticos de modo que não seja necessário “lembrar” sobre os lugares e suas marcações.

 

Iniciativas como essa colocam em cheque o aspecto deliberado e enquadrado que marcações territoriais possuem – além de, ao mesmo tempo que promovem, colocarem em risco o traço pessoal que redes locativas podem possuir. Ainda assim, é interessante observar possíveis efeitos a médio prazo, pelo menos: o que passariam a significar check-ins indiscriminados pelos mais diversos tipos de lugares?

Mais informações: http://popupcity.net/2010/08/auto-check-ins-with-nike-and-foursquare

Paulo Victor Sousa

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde também realiza seu doutorado. Realiza pesquisas sobre redes sociais móveis, lançando foco sobre questões identitárias vinculadas a marcações georreferenciadas.

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