Alone Together: Capítulo 9

Capítulo 9: Growing up tethered

Turkle introduz o capítulo descrevendo o “novo comportamento adolescente”. Jovens que vivem em estado de espera para conexão e/ou se colocam em estado “always-on”. A autora destaca que os adolescentes de hoje tem as mesmas necessidades das gerações anteriores; de pensar sobre seus valores e sua identidade, mas que a velocidade e a urgência trazidas pelas tecnologias de comunicação mudaram as regras de engajamento.

Para a autora, a intimidade sem privacidade reinventa o que significa intimidade.

DEGREES OF SEPARATION

Tradicionalmente, as crianças internalizam os adultos em seu mundo antes de se tornarem independentes. Contudo, numa observação moderna, os pais podem ser trazidos a um espaço intermediário (neste caso, o telefone celular).

Deste modo, os adolescentes não enfrentam a mesma pressão para desenvolver sua independência. A criança tecnologicamente acorrentada, não passa pela experiência de estar sozinho e contar apenas consigo mesmo. Acabem por não experienciar sentimentos como medo ou insegurança e desenvolver a capacidade de solucionar problemas.

A autora destaca que o telefone celular trouxe para as crianças a possibilidade de se envolver em atividades com amigos, que não seriam permitidas sem o telefone, porém vários adolescentes falam sobre a redução da liberdade e independência. E mais, os pais também se sentiriam presos.

A autonomia do adolescente não estaria relacionada apenas a separar-se de seus pais. Eles precisam também separar-se uns dos outros e a conectividade, neste ponto, traz complicações.

A “vida online” ofereceria muito espaço para experimentação individual, mas pode ser difícil escapar de novas demandas do grupo. É comum entre amigos esperar que seus amigos vão ficar disponíveis. A tecnologia habilitaria um contrato social que exige a presença continua de seus pares. E o self acorrentado se acostumaria ao seu suporte.

Em visões tradicionais, no desenvolvimento do adolescente ter autonomia e fortes limites pessoais são como sinais confiáveis de um self amadurecendo com sucesso. Um self independente, capaz de ter sentimentos e decidir se quer compartilha-los ou não. Este ato seria um movimento direcionado à intimidade.

Turkle destaca que esta visão idealizada é facilmente borrada e que a tecnologia tornaria mais fácil expressar emoções, mesmo enquanto estão sendo formados. Com este suporte, os sentimentos não são plenamente vividos até que fossem comunicados.

THE COLLABORATIVE SELF

A autora inicia este tópico descrevendo “sintomas” característicos da geração adolescente do período, por exemplo, a ansiedade em obter respostas para os textos/mensagens enviados. Alguns jovens não estariam desenvolvendo sua capacidade de ficar sozinhos e refletir sobre suas emoções.

Para Turkle, estes adolescentes compartilham os sentimentos como parte do descobrir-se. Eles cultivam um self colaborativo. Citando o sociólogo David Riesman, a autora constrói a idéia de que a tecnologia incentiva uma sensibilidade na qual a validação de um sentimento torna-se parte do seu estabelecimento, parte do próprio sentimento em si. Afim de obter a validação por outros, as pessoas criam suas listas de “peças de reposição” (sobressalentes) e assim tem sempre alguém disponível a validar seus sentimentos.

Na tradição psicanalítica, o narcisismo indica uma personalidade frágil que precisa de apoio constante. Assim o self narcísico convive bem com os outros lidando apenas com suas representações feitas sob medida; aquelas que ele pode manipular. Para estas personalidades fica fácil pensar a utilidade dos robôs, já que estes podem ser esculpidos para atender às necessidades de cada um.

Turkle pontua que a tecnologia por si só não é a causa desta nova forma de se relacionar com as nossas emoções e das outras pessoas, mas ela torna isso mais fácil. A necessidade de estar em contato, constantemente, não parece um problema, mas uma acomodação proporcionada pela tecnologia. Um novo estilo de ser com o outro torna-se socialmente sancionado, a norma.

Ao estudar crianças e adolescentes que cresceram na cultura em rede, a autora percebeu que muitos se sentem rejeitados por diversos motivos. Neste contexto, computadores e dispositivos moveis oferecem comunidades quando as famílias estão ausentes e, assim, não é surpreendente encontrar padrões de conexão e desconexão muito discrepantes.

Alguns comportamentos considerados problemáticos, anteriormente, tornam-se típicos mais a frente. Mas isso não significa que não possam expressar mais um problema.

Para Erik Erikson, os adolescentes precisam de um “time out” para a experimentação, já que o self, quando maduro, é relativamente estável. Robert Lifton, coloca isso como ‘protean’, um self fluido e multifacetado, que é construído a partir de coisas desconexas e globais.

A autora sugere que a cultura na qual se desenvolvem os jovens (do período), os tendencia para formas narcisistas de se relacionar com o mundo.

THE AVATAR OF ME

Atualmente, os adolescentes utilizam os recursos da ‘vida online’ para fazer o jogo de identidade. Em jogos, como Second Life , é possível criar um avatar que expressa aspectos de si mesmo e otimizar os aspectos em que não se sai tão bem no ‘real’. O avatar torna-se uma declaração não só sobre o que você é, mas sobre o que você quer ser. Os jogos, mundos e redes sociais te solicitam compor e projetar uma identidade, o avatar de mim.

Turkle destaca a preocupação de alguns jovens em apresentar uma ‘vida social real’ suficientemente interessante nas redes sociais online. Além disso, relata dificuldades em classificar os tipos de amizade estabelecidas no Facebook e diferencia ‘friend’ e ‘friended’.

PRESENTATION ANXIETY

Neste tópico, a autora aborda o estresse gerado na produção e na manutenção de perfis online. A criação de um perfil envolveria expor informações de diferentes contextos da vida da pessoa. Essas informações, deixadas em diversos perfis, devem se sobrepor, mesmo que sirvam para objetivos diferentes, ou, então poderão surgir questionamentos sobre sua autenticidade.

Os desafios percebidos no processo de auto apresentação não são novos, porém vive-los em público, sim. Numa constante tensão sobre a visibilidade que qualquer erro poderá ter.

Karla Cerqueira

é mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atuou nos setores de criação da Agência Versa e da empresa DP&P Comunicação Visual. Tem interesse nos temas: Interações Sociais Online, Tecnologias Digitais, Performances e Imperativo da Felicidade. (Lattes)

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