Alone Together: Capítulo 5

Capítulo 5 – Complicites

Sherry Turkle, em “Cumplicidades”, relata algumas experiências realizadas com uma série de robôs sociáveis criados por cientistas e empresas com o intuito de interagir com os humanos – com base em exemplos, tais como o Cog, Kismet, My Real Baby, entre outros. A auotra vai discorrer sobre como esses robôs podem gerar nas pessoas a percepção de um “outro” por meio de elementos como a voz, a face, o corpo, o cuidado, o desapontamento e a raiva. No fim deste capítulo, ela irá realizar um fechamento abordando as questões éticas derivadas deste tema.

O primeiro exemplo é do Cog, um robô desenvolvido por um tradicional grupo de pesquisa liderado por Rodney Brook (MIT) – no qual eram realizados testes com comportamentos baseados em respostas a ambientes complexos. O Cog era um robô com face que simulava contato pelos olhos e seguia o movimento de pessoas que estavam próximas a ele em um mesmo ambiente.  Turkle confessa que estes elementos (face, contato com olhos e seguir movimentos) impactavam sua percepção de Cog como uma simples máquina (mesmo tendo consciência disso).

No tópico seguinte, Turkle falar sobre “Crianças Mecânicas”, através de exemplos como o Kismet – robô capaz de simular algumas emoções de crianças. Ao observar estes exemplos, Turkle chega à conclusão de que as pessoas não são tão diferentes dos robôs, de um modo mais amplo. Ou seja, pessoas são constructos de informações e os robôs, neste caso, iriam além de suas partes mecânicas, pois, ao interagir com tais máquinas, muitas pessoas constroem a fantasia de que elas possuem “vida”.

A autora argumenta, ao longo de todo o seu texto, que, embora essas máquinas sejam capazes de responder a estímulos com base em uma programação prévia ou mesmo por meio de um sistema de algoritmos capaz de aprender progressivamente em diferentes situações externas, elas geram nas pessoas “uma ilusão de companheirismo, sem as demandas da amizade” e que, em um futuro próximo, isto pode ser prejudicial e pode alterar significantemente as dinâmicas interacionais entre os humanos.

Ainda falando sobre o Cog e Kismet, Turkle aponta que, quando um robô conquista nossa atenção, acreditamos que ele nos entende ou está interessado em nós. Queremos que isso aconteça, ela afirma, pois eles nos prometem satisfações para nossas frustrações pessoais. Porém, tudo não passa de uma fantasia, uma busca por cumplicidades.

Com isso, ela irá citar as pesquisas que realizou para compreender a relação de crianças com máquinas, levantando questões como: como as crianças respondem ao encontro com novas formas de inteligência social? O que elas buscam? Elas querem se conectar com essas máquinas? Aprender com elas? Querem que essas máquinas gostem delas ou as amem?

Muitas crianças, no estudo, imaginam as máquinas como um substituto para o que sentem falta em suas vidas. Quando as máquinas falham, contudo, é um momento que as pessoas encontram para revisitar o que perderam ou deixaram passar – o que perguntamos aos robôs nos mostra o que buscamos ou precisamos.

Sherry Turkle irá argumentar que, quando uma coisa parece pensar por ela mesma, nós a colocamos em uma categoria de “coisas com as quais podemos nos relacionar com”.  E com isso, resistimos em compreender os detalhes de seu mecanismo de funcionamento. As crianças, por exemplo, colocam o Cog em um Círculo Encantado.

Ao falar do exemplo My Real baby, a autora irá explicar como o robô é criado para ensinar as crianças formas de socialização e cuidados, porém, afirma que é cética em relação a isso, pois acredita que a tecnologia sociável sempre irá desapontar as pessoas, uma vez que prometem algo que não conseguem entregar. Prometem uma amizade, mas não entrega a performance. Ela fecha seu raciocínio com a seguinte frase “precisamos estar em um negócio que produz amigos que nunca serão nossos amigos?”.

Concluindo, Sherry demonstra, por meio de diversos relatos, como a carência e o desejo de cumplicidade, em casos envolvendo contatos entre robôs com crianças, é “compensada” por estes seres artificialmente animados. O apego à máquina é algo questionado pela autora que irá relatar como muitas pessoas encaram de forma positiva a interação com os robôs, como uma forma de fugir ou contornar os aspectos inconvenientes de se lidar com um animal de estimação, um bebê de verdade ou mesmo ter que interagir com outras pessoas no dia a dia.

Alguns autores irão pesquisadores e desenvolvedores consideram como sucesso a abertura das crianças em gostar dos robôs tais como gostam de um professor, uma babá ou companheiros em geral. Porém o que isso pode significar na vida e nas relações que essa criança irá construir?

O excitamento com as possibilidades das interações entre robôs e humanos nos move, diz Sherry, para longe de nossas emoções e, em seguida, ela fecha o capítulo com a seguinte frase “será que nos tornaremos tão imersivos no uso de tecnologias que seremos capazes de esquecer o que sabemos sobre a vida?”.

Texto: Marcel Ayres

Claudia Galante

É mestre pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Especialista em Marketing pela FAE (PR) e graduada em Comunicação Social pela PUC-PR. Atualmente atua no departamento de comunicação social do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Camaçari. Tem experiência na área de Comunicação e interesse nos seguintes temas: mídia, democracia, cibercultura e interações.

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