Alone Together: Capítulo 4

Capítulo 4 – Enchantment

Neste capítulo, Turkle falará sobre suas experiências com o robô “My real baby”. Lançado em 2000, o robô como o próprio nome diz é um bebe. Semelhante ao Tamaguchi e ao AIBO, My Real Baby exige cuidados e sua personalidade é moldada pela atenção que recebe. Para a autora, observar os robôs atuando na vida cotidiana pode levar a refletir sobre um futuro com robôs cuidadores ou babás.

Assim, ter um robô em casa poderá significar ter “alguém” sempre pronto para ajudar ou cuidar de você. Estes robôs, em alguns aspectos, podem ser mais competentes que humanos, contudo também podem falhar/quebrar.

Ao analisar falas das crianças, sobre robôs cuidadores, a autora nota que elas admitem perder “algo” quando estabelecerem esta relação e este algo não necessariamente eles tem (ex: como ter a mãe em casa quando estão doentes).

Turkle pontua que as experiências anteriores das crianças, que tiveram babás, marcaria o interesse delas pelos robôs, ou seja,  as que tinham boas babas preferem ficar com o que tem e aquelas que tiveram babás chatas ou incompetentes se interessavam em ter um robô babá.

FROM MY REAL BABY TO MY REAL BABYSITTER

As opiniões sobre robôs cuidarem de crianças são divergentes. Alguns percebem os robôs como funcionários limitados a algumas funções, outros veem como eficientes e práticos. Outro ponto destacado pela autora é a confiança.

A programação de um robô garantiria a sua ação em cada situação. Já a confiança num humano dependeria  do quanto você conhece o outro e isto demanda tempo, que nem sempre está disponível.

Por outro lado os robôs, como o My Real Baby, são vistos pelas crianças como sem empatia. E são descritos como um “cérebro sem coração”.

DON’T WE HAVE PEOPLE FOR THESE JOBS?

Neste tópico, Turkle observaa visão de crianças sobre os robôs cuidarem de idosos. De modo prático, os robôs poderiam servir em momentos emergenciais ou para tornar a vida de um idoso mais confortável. Numa visão mais ampla, algumas crianças pensam nos prazeres que a companhia robótica poderia oferecer.

A autora relata que no Japão, no inicio dos anos 1990, pais idosos ou enfermos dificilmente moravam com seus filhos e geralmente as visitas tornavam-se complicadas por morarem em cidades diferentes. Assim, os filhos contratavam atores para visitar seus pais e alguns destes desfrutavam da visita mesmo sabendo que eram atores. Então, porque não a visita de um robô?

Perceber os robôs como um possível membro do circulo familiar provoca sentimentos divergentes. Um robô ao mesmo tempo poderia ser uma companhia agradável para idosos ou um usurpador (tomar o lugar de um neto, por exemplo).

A autora traz o exemplo de Chelsea, jovem de 14 anos; sua avó vive em uma casa de repouso e Chelsea acredita que ela gostaria de ter um My Real Baby, contudo quando perguntada se gostaria de levar um desses robôs para sua avó, responde: “Não! Eu sei que isso soa estranho, mas eu sou um pouco ciumenta. Não gosto de poder ser substituído por um robô, mas eu vejo que poderia ser.” (Tradução nossa)

As opiniões sobre robôs cuidadores divergem. Alguns sentem ciúmes, outros acham que é errado. Por fim questionam: Será que não temos pessoas para este trabalho?

RORSCHACH TO RELATIONSHIP

Neste ultimo tópico, Turkle traz dois casos de crianças com diferentes necessidades relacionais e que demonstram-nas melhor quando interagem com robôs.

O primeiro caso é o de Callie, 10 anos, na maior parte do tempo está aos cuidados de babás. Após três semanas de estudo com um My Real Baby em casa ela relata: “o robô faz ela se sentir mais amada”.

O segundo caso é o de Tucker, 7 anos, está gravemente doente, sente medo de morrer e está com medo de falar sobre isso. Para Turkle, o relacionamento com o AIBO dá voz a esses sentimentos.

Em ambos os casos, as crianças interagem com robôs como se fossem seres vivos reais. Apesar de serem passatempos disponíveis no mercado as crianças não os veem como brinquedos, mas como um ser com o qual se relacionam.

 

 

Karla Cerqueira

é mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atuou nos setores de criação da Agência Versa e da empresa DP&P Comunicação Visual. Tem interesse nos temas: Interações Sociais Online, Tecnologias Digitais, Performances e Imperativo da Felicidade. (Lattes)

More Posts

Deixe um comentário